“Ocorreu uma fraude fiscal de magnitude bilionária”, diz Júlio Marcelo, procurador do MP de Contas, ao CB.Poder

Compartilhe

O procurador do Ministério Público de Contas junto ao TCU Júlio Marcelo de Oliveira é o entrevistado da semana do programa CB.Poder. Ele é o autor da representação que apontou a existência de maquiagem orçamentária no governo da presidente Dilma Rousseff. O documento levou à reprovação das contas da petista e abriu as portas para o processo de impeachment. “Ocorreu uma fraude fiscal de magnitude bilionária”, defende o procurador.

Júlio Marcelo não acredita que os advogados de Dilma Rousseff conseguirão convencer a sociedade e o Congresso Nacional de que a presidente afastada não agiu com irresponsabilidade fiscal. “A meu ver, os fatos são claros. A sociedade está percebendo isso e não vejo espaço argumentativo para nenhuma tese que exima a presidente de suas responsabilidades”, justificou o integrante do MP de Contas.

O brasiliense de 47 anos, que estudou em escolas públicas e morou em cidades como o Guará e a Candangolândia, também falou sobre a situação financeira da capital. “O Distrito Federal deveria ser como a Suíça. É uma unidade da Federação muito pequena, tem o Fundo Constitucional, que ajuda a custear várias despesas importantes, como a segurança, e tem uma população com a renda média mais alta do país. A gente deveria ter serviços públicos com nível de primeiro mundo”, diz Júlio Marcelo. “A gente não pode jogar a culpa sobre o TCDF. A irresponsabilidade é do governante. Mas a gente espera que o órgão de controle seja rigoroso e esteja presente”, acrescentou.

“Quando o governante se afasta da responsabilidade fiscal, ele está cavando problemas para o futuro. Toda vez que há gastos maiores do que a arrecadação, é criado um problema para o próximo governante e para a próxima geração”. Para o procurador, o destino da presidente Dilma Rousseff deve ter um efeito pedagógico, estimulando maior cuidado entre gestores públicos. “Se a presidente da República teve parecer pela rejeição de contas pelo TCU e corre risco de sofrer impeachment pelo Senado, por conta da irresponsabilidade fiscal, por que governadores e prefeitos não correriam o mesmo risco? É importante que eles tenham essa percepção”.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

Publicado por
Helena Mader

Posts recentes

  • CB.Poder

Valdivino aponta rombo e Ibaneis diz que não há confronto

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Bomba na economia do DF Com a autoridade de quem conhece…

3 dias atrás
  • CB.Poder

Policiais civis do DF aguardam sanção de projeto da previdência da categoria

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Entrevista: Enoque Venâncio, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF…

3 dias atrás
  • CB.Poder

TCDF exige esclarecimentos sobre aumento de 184% em licitação do Museu Nacional da Bíblia

ANA MARIA CAMPOS O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que a Secretaria…

4 dias atrás
  • CB.Poder

“Delação premiada deve servir ao esclarecimento dos fatos e não aos interesses do colaborador”, diz criminalista

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Entrevista: Beatriz Alaia Colin, advogada do escritório Wilton Gomes Advogados. Pós-graduada…

6 dias atrás
  • CB.Poder

A candidata da área social de Ibaneis

ANA MARIA CAMPOS A ex-secretária de Desenvolvimento Social do DF Ana Paula Marra se filiou…

1 semana atrás
  • CB.Poder

Administrador de Ceilândia deixa cargo e vai disputar mandato na Câmara Legislativa

ANA MARIA CAMPOS Dilson Resende de Almeida deixou nesta semana o cargo de administrador regional…

1 semana atrás