Acusado de estupro, Wilmar Lacerda teve ocorrência policial arquivada em 2011

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Em meio a um projeto para se candidatar à Presidência da República, o senador Cristovam Buarque (PPS/DF) desistiu na semana passada de se licenciar do mandato porque o seu suplente, Wilmar Lacerda (PT), se envolveu numa denúncia de abuso sexual de uma menina de 17 anos. O petista foi indiciado pela 31ª DP (Planaltina) por favorecimento à prostituição.

O caso provocou muito constrangimento a Cristovam. Mas este não foi o primeiro episódio relacionado a Wilmar que chegou à Polícia Civil do DF. Em novembro de 2011, quando ele era secretário de Gestão Administrativa, uma garota de 18 anos, moradora de Buritis IV, bairro de Planaltina, relatou à Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) ter sofrido possível abuso sexual numa quitinete no Lago Norte. A dúvida decorria do fato de que ela estaria alcoolizada e não se lembrava do que ocorreu.

Mas soube que manteve a relação sexual com Wilmar por duas amigas, de 16 e 23 anos, que estavam no local. Estudante de Enfermagem, a jovem contou que Wilmar e um funcionário da Secretaria de Saúde lhe telefonaram posteriormente para oferecer um estágio no GDF.

O caso foi arquivado sem abertura de inquérito, com base no laudo do Instituto de Medicina Legal (IML), que não apontou violência sexual, e no depoimento das amigas da garota. Na ocasião, Wilmar disse que o ato sexual foi consentido. À coluna, ele afirmou que, posteriormente, a moça voltou atrás e se retratou.

Sem inquérito
Sobre o caso, a Polícia Civil do DF informou, na última sexta-feira, que “os fatos foram apurados na DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) e arquivados porque as investigações demonstraram se tratar de fato atípico (ou seja, não houve crime)”. Ainda segundo a Diretoria de Comunicação da Polícia Civil, não houve inquérito e as informações foram lançadas na ocorrência policial.

Wilmar: “armação política”
Chefe de gabinete da liderança do PT no Senado, Wilmar Lacerda disse que a denúncia de 2011 foi uma armação política totalmente investigada e esclarecida na época, sem nenhuma influência do governo. O caso chegou a ser noticiado antes das eleições de 2014 pelo policial militar aposentado João Dias, em seu blog. É ao PM que Wilmar atribui uma possível ingerência na denúncia relatada pela estudante, para constranger o governo de Agnelo Queiroz (PT).

Uma segunda opção para o mandato
Cristovam Buarque chegou a propor prévias no PPS para a escolha do candidato à Presidência, numa disputa com o apresentador Luciano Huck. Por isso, a licença do mandato no Senado seria uma forma de, com mais liberdade, buscar aliados. A denúncia contra Wilmar Lacerda atrapalhou esses planos e ainda o deixou numa situação desconfortável. A uma pessoa próxima, o senador disse que a melhor opção neste momento seria a renúncia de Wilmar Lacerda para que o segundo suplente, Roberto Wagner (PRB), assumisse o mandato em sua ausência.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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