“Não estamos preparados para armar a população”, diz Flávia Arruda

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Coordenadora da Comissão Externa de Combate à Violência Doméstica da Câmara dos Deputados, a deputada federal pelo DF Flávia Arruda (PL) criticou decreto do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que facilita o acesso ao porte de armas. Para ela, o país não está preparado e não é o momento para medida assim. “Armar as pessoas sem estarem preparadas é, no mínimo, perigoso”, argumentou em entrevista ao programa CB Poder, parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília.

Para combater a violência contra a mulher, a parlamentar tem defendido que armas de pessoas que sejam processadas com base na Lei Maria da Penha sejam confiscadas.

Na semana passada, uma sugestão dela para que policiais das corporações do DF, com processos por Maria da Penha, sejam afastados dos trabalhos de rua e tenham as armas confiscadas foi acatada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que assinou decreto com a determinação.

“Estamos falando primeiro do policial porque é a forma mais rápida de agir. Existem projetos no Congresso para desarmar qualquer pessoa que responda por Maria da Penha”, explicou.

Na visão de Flávia, a facilitação do acesso às armas vai na contramão de todo o trabalho que vem sendo feito nesse sentido. “Não é o momento. Nós não estamos preparados. Estamos combatendo um crime como esse e facilitar vai contra tudo pelo que temos lutado”, observou.

A proposta de desarmamento de policiais que respondam a processo com base na Maria da Penha, de acordo com a deputada, foi bem recebida pelas corporações. “As forças de segurança recebem bem a medida porque não querem manchar a imagem da corporação com a atitude de alguns poucos”, avalia.

“Temos que deixar claro que esses casos são minoria na segurança pública. Aqui no DF, temos a polícia mais bem preparada do país. Eles receberam de forma cordial a medida, sabendo que é preciso fazer esse combate”, completou.

Educação

A parlamentar também destacou a importância de combater o feminicídio e a violência contra a mulher com políticas públicas educacionais e de proteção às vítimas.

“A mulher precisa reconhecer que está sendo vítima e ter coragem de denunciar, mas, para isso, precisa ter amparo para se sentir protegida. Políticas públicas devem ser colocadas de forma efetiva para que a mulher se sinta segura”, defendeu.

Ela adiantou que sugeriu à Secretaria de Educação um projeto voltado para a educação de meninos sobre questões de igualdade de gênero e respeito à mulher. “A nossa ideia é trabalhar isso com crianças pequenas, dentro das escolas. Mostrar para eles que o que a mulher quer não é ser melhor do que ninguém, mas só ser tratada da mesma forma e com respeito. Sabemos que, em casa, a realidade que eles veem é outra, por isso a necessidade do trabalho educativo.”

Assista à entrevista na íntegra:

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