“Mulheres precisam se colocar para disputar e ocupar cargos”, diz advogada Thaís Riedel

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Coluna Eixo Capital – Por Ana Maria Campos

À QUEIMA-ROUPA

Advogada Thaís Riedel
“Vem crescendo neste período uma quantidade muito grande de colegas que entendem que meu nome deve ser posto como pré-candidata à presidência da OAB-DF”

Você é mesmo candidata à presidência da OAB-DF?
Há um movimento muito forte e crescente na advocacia do Distrito Federal dizendo que uma mulher capaz de promover uma verdadeira mudança no comportamento da direção da OAB-DF deve assumir o comando da entidade. Tenho recebido um chamamento vigoroso das minhas colegas e dos meus colegas que reconhecem na minha pessoa a capacidade de cumprir os compromissos necessários para promover essa mudança com equilíbrio e honestidade. Fui candidata à vice-presidente na eleição anterior, com um sonho de contribuir para ter uma OAB participativa, representativa. Isso fez com que eu me aproximasse da advocacia de base com muita intensidade nos últimos anos. E isso significa ver de perto as insatisfações, os desejos de mudança. Vem crescendo nesse período uma quantidade muito grande de colegas que entendem que meu nome deve ser posto como pré-candidata à presidência da OAB-DF. Em função disso, fizemos uma pesquisa muito profunda a respeito da advocacia. Temos estudado a realidade, estamos levantando as necessidades, praticando a escuta ativa e entendendo as razões das insatisfações.

Enfim, essa é uma construção de um movimento que tem defendido que a Ordem precisa recuperar seu prestígio junto à advocacia e à sociedade. Sou uma profissional que milita na advocacia há 18 anos e conhece de perto os “corres” da nossa profissão. Sou professora há 13 anos e mãe de dois filhos. Sei o que é ser uma mãe advogada militante. Entendo que é hora de contribuir mais efetivamente para a advocacia no Distrito Federal. Sabemos que a Ordem tem estado distante e esquecida dos seus propósitos de acolher, ouvir, cuidar, fortalecer a advocacia. E quando isso acontece, é hora de mudar. E, assim, fui instada a me colocar como pré-candidata.

Aceitaria uma negociação para apoiar outro nome do seu grupo para fortalecer a oposição ao atual comando da OAB-DF?
Ninguém é candidato de si mesmo. Somos um movimento de transformação e evolução da OAB-DF. Neste sentido, quero, sim, reunir pessoas com bons propósitos e espero merecer a confiança de todas e todos para representar a liderança de um movimento vencedor. Somos uma oposição consequente. Vamos avançar sendo uma oposição clara à atual gestão, que se apequenou no momento em que a advocacia mais necessita da instituição. Sou, portanto, pré-candidata de oposição. Hoje, eu me sinto muito honrada com a confiança necessária para fazer uma OAB que trabalhe para devolver a dignidade que tem sido retirada dos advogados, com mais canais de escuta, mais plural, sem defesa de grupos e benefícios de alguns.

Quero ser presidente da entidade e quero contribuir com este projeto coletivo, alicerçado no diálogo propositivo de ideias. Queremos mostrar que há muito o que fazer.

Além disso, as mulheres precisam se colocar para disputar e ocupar cargos de liderança.

Qual é a sua opinião sobre a postura considerada política do presidente do Conselho Federal, Felipe Santa Cruz, crítico de Bolsonaro e possível candidato ao governo do Rio?
Todo advogado, ao receber sua carteira profissional, faz o juramento solene: “Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.”

Esse é um compromisso político em si mesmo. Mas a OAB precisa ser uma entidade plural e suprapartidária, o que não significa que deva se isentar politicamente. A Ordem sempre se pautou pela defesa dos direitos, da democracia e do Estado Democrático de Direitos. Essa deve ser a política da entidade.

Toda vez que qualquer um violar qualquer um desse pontos, a Ordem deve se manifestar e agir, independente de quem seja.

Você vai trabalhar para ter o apoio de Ibaneis Rocha?
Fui conselheira quando ele foi presidente. É consenso que ele foi um grande presidente, tem respeito na categoria. Mas hoje ele é governador do DF, tem responsabilidades mais amplas. Precisamos respeitar o distanciamento que ele deve manter. Trabalharei para o ter o apoio dele e de toda a advocacia.

Acredita que o governador vai se envolver na eleição da OAB-DF?
Acredito que, neste momento, o governador Ibaneis Rocha tem desafios mais relevantes à frente do Distrito Federal. A OAB-DF foi muito bem gerida por ele, nos mandatos em que ele esteve à frente da entidade, ele sempre será uma referência para a advocacia, mas certamente agora ele está envolvido em questões mais complexas que a política da OAB-DF.

Por que a campanha aberta começou tão cedo?
Não se trata de campanha aberta. Até porque a campanha tem que respeitar os prazos legais. Existem prazos e ritos que precisam ser respeitados. Mas por conta da crise — a maior crise sanitária que já vivemos — por conta da agudização dos problemas, das urgências que nos foram impostas, precisamos discutir e até pressionar a atual gestão a fazer mais pelos advogados do DF. Os advogados e as advogadas querem e precisam se movimentar por uma OAB-DF melhor. Queremos de volta o papel de protagonismo e o papel social que a OAB-DF precisa ter. Não é campanha, é um movimento, um debate, um amadurecimento de ideias.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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