Muitos fatores influenciaram Ibaneis Rocha a adiar abertura do comércio no DF

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Coluna Eixo Capital/Por Alexandre de Paula

Alguns elementos foram relevantes para a decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) de adiar mais uma vez a reabertura dos estabelecimentos comerciais do Distrito Federal —a previsão agora é de retorno em 18 de maio. Além do impacto da decisão judicial que suspendeu a liberação, pesaram o alto número de casos confirmados ]no complexo da Papuda, a avaliação de que o comércio não estava pronto para as medidas de segurança, a previsão de aumento dos números de leitos nas próximas semanas (entre eles, os do hospital de campanha montado no Mané Garrincha) e a necessidade de ajustar campanhas de distribuição de máscaras e de comunicação. Os sucessivos adiamentos também se justificam pelo impacto que uma decisão errada poderia ter. É preciso ter segurança porque uma nova onda de casos, após a reabertura, pode manchar os resultados obtidos até então.

Reunião tensa

A visita da juíza Kátia Balbino e de comissão com integrantes do Ministério Público e de algumas entidades ao Palácio do Buriti, ontem, teve momentos tensos. O governador Ibaneis Rocha (MDB) foi bombardeado com questionamentos num encontro que se estendeu por quase seis horas. No entanto, na avaliação até de quem não faz parte do governo e esteve presente na conversa, Ibaneis se saiu bem e conseguiu mostrar dados e responder aos pontos levantados. A juíza ainda precisa dar nova decisão, mas a tendência mais forte é de que, de fato, alguns setores do comércio possam ser reabertos no dia 18.

Elogios

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiou o trabalho do GDF contra a pandemia do novo coronavírus. Ele destacou que o isolamento social teve “resultado excepcional” na capital. “Se você olhar a situação dos hospitais, Brasília hoje tem uma situação tranquila. No início, era a pior situação do Brasil. Isso melhorou graças ao trabalho do governador com a sua equipe”, disse. Maia ressaltou a importância do distanciamento, mas preferiu não se comprometer ao comentar se era hora de flexibilizar no Distrito Federal e ponderou que o governador e o secretário de Saúde são quem tem os dados para tomar a decisão.

Decisão postergada

O Supremo Tribunal Federal (STF) postergou, mais uma vez, a avaliação de mandados de segurança nos casos de Leonardo Bandarra e Déborah Guerner. As ações questionam decisão do Conselho Nacional do Ministério Público que, em processo administrativo disciplinar, aplicou penas de suspensão e demissão aos promotores por suposto envolvimento em ilicitudes investigadas na operação Caixa de Pandora. O ministro Gilmar Mendes é o relator dos mandados, que foram retirados da mesa.

Esforço conjunto

A bancada do Distrito Federal no Senado fez uma movimentação conjunta intensa para garantir que a capital recebesse tanto o auxílio para municípios quanto para estados previstos no projeto para partilha de recursos para amenizar os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. A intenção inicial do relator, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), era de que a capital só recebesse os valores destinados para as unidades da federação. Com a mudança, serão, ao todo, R$ 852 milhões para combater a covid-19. “Foi uma vitória do DF. O DF terá mais R$ 189 milhões para o combate a essa pandemia”, frisou o senador José Antônio Reguffe (Podemos-DF)

Esperado

Parte do setor produtivo contava que o governador Ibaneis Rocha (MDB) adiaria a reabertura do comércio. Assim que saiu a decisão da Justiça suspendendo, por ora, a liberação, empresários aceitaram que era muito grande a possibilidade de que Ibaneis adotasse postura de cautela. O grande choque mesmo, segundo eles, acontecera na semana passada quando o prazo do dia 4 foi jogado para frente. Naquele momento, a sensação era de que tudo estava certo.

Sem culpados

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, reconhece que o setor produtivo recebeu a notícia com irritação, mas garante que há compreensão do empresariado. “Há dados de saúde que não podemos avaliar, pois não somos especialistas. Então, temos de confiar nessa avaliação de quem está com esses números. Mas, a crise, a cada dia, se agrava mais. Já não temos mais informações suficientes para saber quantos comércios realmente vão conseguir reabrir e quantos vão conseguir pagar a folha de abril”, afirmou.

Só papos

“Os empresários trouxeram pessoalmente (ao STF) essas aflições, a questão do desemprego, a questão de a economia não mais funcionar. As consequências e o efeito colateral do combate ao vírus não podem ser mais danosos que a própria doença”

Jair Bolsonaro (sem partido), presidente da República

“(Bolsonaro) foi ao STF jogar toda sua irresponsabilidade, falta de ações, descaso com a saúde e ausência de planejamento econômico no colo da Justiça. Mostrou que o Brasil tem um presidente criminoso, que finge não ocupar o cargo”

Fábio Felix (PSol), deputado distrital

Alexandre de Paula

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