Delatores da Andrade Gutierrez: “Arruda tramou toda a fraude licitatória e os crimes”

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No pedido de prisão dos investigados, o Ministério Público Federal detalhou as acusações contra todos os envolvidos na operação desta terça-feira, com base nas delações da Andrade Gutierrez. Segundo os relatos, transcritos no processo, Arruda “foi que tramou toda a fraude licitatória e os crimes daí derivados ao articular a saída de outras construtoras do certame e ao apontar desde logo as vencedoras: construtoras Andrade Gutierrez e Via Engenharia, mediante recebimento de propina”.

Ainda de acordo com a acusação, como em razão de sua prisão, em 2010, Arruda não pode receber todo o dinheiro,  ele pressionou para receber parte do dinheiro que as construtoras haviam lhe repassado depois de sua liberdade. Para isso, teria recebido o auxílio do empresário Sérgio Lúcio Silva de Andrade, que seria o operador de Arruda, segundo os delatores.  Sérgio é apontado pelos delatores da construtora como a pessoa de confiança do ex-governador, que teria recebido R$ 2 milhões das construtoras em nome de Arruda.

De acordo com as investigações, Agnelo Queiroz retirou “os obstáculos, ainda que para isso tivesse que articular para que fosse modificada as finalidades da Terracap pela Câmara Legislativa, a fim de que essa empresa pudesse executar a reforma do Mané para a Copa do Mundo, e o fez, segundo direcionam os autos, a qualquer custo”. Seu interlocutor, de acordo com as investigações, era o empresário Jorge Luiz Salomão, que atuaria perante as construtoras. O petista também teria solicitado a atuação do ex-secretário Cláudio Monteiro e do advogado Wellington Monteiro no esquema, de acordo com os delatores.

O ex-executivo da Odebrecht Rodrigo Leite Vieira relatou uma entrega, no canteiro e obras do Estádio Mané Garrincha, de propina nas mãos de Jorge Salomão. A bolada seria destinada a Agnelo Queiroz, de acordo com as investigações.

Já Tadeu Filippelli é apontado como beneficiário de propina da Andrade Gutierrez e também de recursos para o PMDB, entre 2013 e 2014. “Também recebeu valores ilícitos da Construtora Via Engenharia tudo em função da realização das obras e na execução do contrato licitatória em que as duas empresas saíram vencedoras e executaram a obra hiperfaturada”, detalha a acusação, com base nas declarações dos delatores da Andrade Gutierrez.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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