Ministério Público do DF entra com ação civil pública contra jogo Bolsomito 2K18

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O Ministério Público do Distrito Federal ajuizou uma ação civil pública contra a empresa responsável pelo jogo online Bolsomito 2K18. No aplicativo, que tem como protagonista o presidente eleito, Jair Bolsonaro, os jogadores ganham pontos ao espancar e matar mulheres, negros, parlamentares e integrantes de movimentos sociais e da comunidade LGBT.

Os “inimigos” mortos pelo personagem Bolsomito durante o jogo se transformam em excremento. No site que oferece o jogo, a descrição do sistema de entretenimento resume o conteúdo. “Derrote os males do comunismo nesse game politicamente incorreto, e seja o herói que vai livrar uma nação da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita porrada e boas risadas”, diz o texto.

A ação civil pública é da Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência Artificial (Espec) do MP. A empresa Valve Corporation (Steam), responsável pela comercialização do sistema, é o alvo da ação. O MP pediu a suspensão da venda do jogo e solicitou ainda informações como os dados cadastrais e financeiros da BS Studios, criadora do jogo.

Para o promotor de Justiça Frederico Meinberg, que assina o documento, “o jogo expõe o país, de forma negativa, no cenário internacional”. “Fica claro, também, que o jogo viola direito da personalidade de mulheres, LGBTs, negros, integrantes de movimentos sociais, parlamentares federais e estaduais, além de fomentar o ódio em relação às minorias”, argumenta o promotor.

A Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência Artificial, em contato com a Valve Corporation, tentou obter a suspensão do jogo de forma administrativa, mas não conseguiu a retirada do material da internet.

Na ação, o MP alega ainda que houve violação ao direito da personalidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o que gera danos morais reflexos a todos os brasileiros. O Ministério Público Federal também havia proposto ação civil pública no mesmo sentido, mas a Justiça Federal entendeu que não seria competente para julgar o caso.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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