MP denuncia por homicídio e tentativa de homicídio responsáveis por clínica incendiada

Compartilhe

ANA MARIA CAMPOS

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou quatro pessoas pelo incêndio que deixou 21 vítimas, sendo seis mortos, ocorrido no Instituto Terapêutico Liberte-se, localizado no Núcleo Rural Desembargador Colombo Cerqueira, no Paranoá.

Eles vão responder por seis homicídios triplamente qualificado (motivo fútil, uso de fogo e recurso que dificultou a defesa) e 15 tentativas de homicídio. A denúncia se refere ao dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar.

Os denunciados são Douglas Costa de Oliveira Ramos e Geraldo Ramos de Jesus Júnior, proprietários da clínica; Jockcelane Lima de Sousa, administradora; e Sergio Rodrigo Rodrigues Gomes, colaborador voluntário que ficou responsável por trancar os pacientes à noite.

Segundo a denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Daniel Bernoulli, em 31 de agosto de 2025, por volta das 3 horas da manhã, na clínica Liberte-se, os denunciados, consciente e voluntariamente, com comunhão de esforços e unidade de desígnios, mediante o bloqueio de portas e janelas da residência, assumiram o risco de matar as pessoas que se encontravam no instituto.


Entre as vítimas, segundo o MPDFT, só houve sobreviventes porque houve intervenção de pessoas que conseguiram resgatá-los do interior da casa em chamas.

O incêndio ocorreu em uma clínica terapêutica de recuperação de pessoas com vícios em drogas e álcool. O espaço era gerido por Douglas, Jockcelane e Geraldo. Lá, havia uma residência destinada aos recentemente acolhidos à unidade e, por isso, no intervalo noturno, os gestores determinavam que as portas deveriam ser trancadas pelo lado de fora, para impedir fugas e furtos de objetos.

No dia dos acontecimentos, Sérgio ficou responsável por trancar, por fora e com um cadeado, a porta da residência. Ele assim o fez e se recolheu para dormir.

Então, por volta das 3 horas da madrugada, iniciou um incêndio no interior da casa. Eles também vão responder por fraude processual. Segundo a denúncia, Douglas e Geraldo, modificaram o local, com o fim de induzir a erro o juiz.

O promotor sustenta que eles providenciaram extintores de incêndio em outro local e os dispensaram na cena do crime, com a intenção de modificar o cenário e simular a existência do equipamento de segurança, bucando assim dirimir suas responsabilidades cíveis, administrativas e criminais.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Posts recentes

  • CB.Poder

Veja quem está na disputa para a vaga do MP no TJDFT

ANA MARIA CAMPOS Terminou hoje (06/02) o prazo de inscrições para a disputa à vaga…

3 minutos atrás
  • CB.Poder

Integrantes do MPDFT disputam vaga do quinto constitucional no TJDFT aberta com a morte de Maurício Miranda

ANA MARIA CAMPOS O processo de escolha do novo desembargador do quinto constitucional no Tribunal…

1 dia atrás
  • CB.Poder

Eleições 2026: Magela desiste de disputa ao GDF e Leandro Grass é o nome do PT

ANA MARIA CAMPOS O ex-deputado Geraldo Magela (PT-DF) anunciou nesta tarde (05/02) que, em nome…

1 dia atrás
  • CB.Poder

Justiça volta a negar liberdade a Pedro Turra

ANA MARIA CAMPOS Relator do Habeas Corpus em que a defesa de Pedro Arthur Turra…

2 dias atrás
  • CB.Poder

A pedido da oposição, STJ abre procedimento para apurar envolvimento de Ibaneis nas tratativas com o Master

ANA MARIA CAMPOS MILA FERREIRA O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instaurou um procedimento para…

2 dias atrás
  • CB.Poder

GDF não envia representante para sessão de abertura dos trabalhos da Câmara Legislativa

ANA MARIA CAMPOS O Governo do Distrito Federal não teve representação na abertura dos trabalhos…

3 dias atrás