Ministro Néfi Cordeiro pede aposentadoria, aos 57 anos, e abre vaga para indicação de Bolsonaro no STJ

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ANA MARIA CAMPOS

Dezoito anos antes de atingir a idade para a aposentadoria compulsória, o ministro Néfi Cordeiro anunciou hoje (02/03) durante a sessão por videoconferência da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que está deixando a magistratura.

O magistrado de 57 anos protocolou hoje o pedido de aposentadoria na presidência do tribunal. Depois de 30 anos na vida pública, Néfi Cordeiro diz que passou por “sustos de saúde” e decidiu se dedicar à família.

Paranaense, Cordeiro foi policial militar, chegando à patente de capitão, promotor de Justiça, juiz de direito, juiz federal e desembargador federal do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região. Em 2014, foi nomeado pela então presidente Dilma Rousseff para a vaga no STJ.

Embora seja do Paraná, estado do ex-juiz Sérgio Moro, Néfi Cordeiro tem posições críticas em relação à Operação Lava-Jato. É contra a prisão após condenação em segunda instância, defendida por Moro e por procuradores da força-tarefa de Curitiba, e chamou de tortura a prisão como forma de obter uma delação premiada de investigados.

O pedido de aposentadoria pegou os colegas de surpresa, que lamentaram na sessão.

Em outubro do ano passado, Néfi Cordeiro protagonizou uma gafe digna de programa humorístico. Sem perceber, ele apareceu em uma sessão virtual do STJ sem as calças do terno. A imagem foi apagada da sessão, mas antes disso viralizou nas redes sociais.

A aposentadoria abre espaço para uma indicação de um magistrado escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro. Ao deixar o STJ, Néfi Cordeiro libera um assento na 6ª Turma, em que são julgados processos criminais.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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