Máfia de funerárias usa rádio da Polícia Civil para explorar mortes

Compartilhe

ANA MARIA CAMPOS

A Justiça decretou a prisão temporária de 12 pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa que explora a dor das famílias quando perdem um ente querido para a obtenção de lucro para funerárias. São os chamados “papa-defuntos”.

Neste caso, duas células agiam de forma ainda mais grave, interceptando a frequência dos rádios de comunicação da Polícia Civil do DF, em busca de informações sobre mortes naturais comunicadas às delegacias.

Com esse dado, integrantes do esquema procuram diretamente as famílias, apresentando-se como funcionários do Instituto de Medicina Legal (IML) ou do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Chegando lá, eles faziam um trabalho de convencimento para que o corpo não seja transportado pelo IML com o argumento de que este será cortado e aberto.

Esse esquema criminoso é alvo da Operação Caronte, deflagrada nesta manhã (26/10), pelos promotores do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (NCAP), da 4ª Promotoria de Defesa da Saúde (Prosus) e da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dis Usuários de Saúde (Provida), em parceria com a Corregedoria-geral da Polícia Civil do DF.

O nome da operação é uma referência ao barqueiro, da mitologia grega, que carrega as almas das pessoas que acabaram de morrer pelas águas que dividiem o mundo dos vivos do dos mortos.

A operação envolve o NCAP e a Corregedoria-geral da Polícia Civil, mas não há até o momento suspeita de envolvimento de policiais civis. A investigação apontou que os criminosos usam um rádio que capta a frequência da PCDF.

Há evidências de participação de um médico, de um servidor da Secretaria de Saúde e de um vigilante do Hospital Regional de Taguatinga. Eles participam do esquema, seja passando informações sobre mortes que acabaram de ocorrer ou que estão para acontecer, seja emitindo o atestado de óbito, para facilitar o trabalho de intermediação entre as famílias e as funerárias.

Além das prisões provisórias, a Justiça autorizou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos.

Na casa de um dos suspeitos, que é médico, os investigadores encontraram uma espingarda .44.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Posts recentes

  • CB.Poder

Para vencedor do Prêmio Pulitzer, Estados Unidos e China precisam se unir para evitar que humanidade seja dominada pela IA

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O jornalista Thomas Friedman, colunista de assuntos internacionais…

18 horas atrás
  • CB.Poder

Classificação de PCC e CV como organizações terroristas eleva “custo Brasil”, avalia Lewandowski

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa -Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ministro aposentado…

19 horas atrás
  • CB.Poder

Em Lisboa, Hugo Motta garante: “Marco legal da IA vai a votação em plenário ainda em junho”

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Contra lavagem cerebral, Alexandre de Moraes defende regulação internacional das big techs

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O ministro Alexandre de Moraes, ao participar do XIV…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Cidadãos manipulados pelas big techs são “servos digitais”, afirma Gilmar Mendes na abertura do XIV Fórum de Lisboa

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - Na abertura do XIV Fórum de Lisboa, nesta…

2 dias atrás
  • CB.Poder

“Democracias maduras procuram definir as regras do jogo antes do início da partida”, diz Melillo Dinis

Texto publicado por Ana Maria Campos neste domingo (31/5) — Confira a entrevista com Melillo…

2 dias atrás