Justiça suspende cláusulas do contrato do GDF com a concessionária do Centro Administrativo

Compartilhe

A Justiça suspendeu cláusulas do contrato firmado entre o governo e a concessionária responsável pela construção do Centro Administrativo do Distrito Federal, em Taguatinga. A ação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral do DF. Na decisão, a juíza Cristiana Torres Gonzaga deferiu o pedido do Executivo.

Para a PGDF, “as graves revelações de corrupção confessadas pelos altos executivos da empresa Odebrecht implicam na nulidade da cláusula arbitral, que obrigam a administração pública a tomar previdências para apurar os fatos descritos nos depoimentos e, caso seja comprovada a fraude à licitação, aplicar as penalidades legais cabíveis”.

O governo alegou que, pelo conteúdo de delações premiadas e acordos de leniência celebrados na Operação Lava-Jato, “a relação do Distrito Federal com os réus deixou a esfera dos meros direitos patrimoniais disponíveis, para ingressar em temas de ordem pública, de improbidade, além questões criminais que deverão ser analisadas pelo Ministério Público”.

Para a juíza, “pretender a instituição da arbitragem em busca da condenação do Distrito Federal em cumprir obrigação de pagar, sem fazer qualquer referência aos fatos já noticiados, como se se tratasse de um contrato celebrado de forma hígida e conforme a moralidade, a ética, a transparência; está a ré a ignorar os compromissos assumidos no contrato de leniência; especialmente os compromissos de atuação coerente e conforme a boa-fé”, argumentou.

“Assim, deixam de existir questões patrimoniais puras, pois todas estão imbricadas com atos de corrupção, o que não permite a utilização do procedimento arbitral para dirimir a causa”.

Em nota, a concessionária do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) informou que não foi notificada da decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que suspende as cláusulas arbitrais do contrato firmado com o GDF para construção, manutenção e operação do Centro Administrativo.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

Posts recentes

  • CB.Poder

Gonet elogia Alexandre de Moraes: “atuação corajosa, segura, firme, talentosa”

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - Ao participar da mesa de encerramento do XIV…

16 horas atrás
  • CB.Poder

Para vencedor do Prêmio Pulitzer, Estados Unidos e China precisam se unir para evitar que humanidade seja dominada pela IA

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O jornalista Thomas Friedman, colunista de assuntos internacionais…

3 dias atrás
  • CB.Poder

Classificação de PCC e CV como organizações terroristas eleva “custo Brasil”, avalia Lewandowski

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa -Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ministro aposentado…

3 dias atrás
  • CB.Poder

Em Lisboa, Hugo Motta garante: “Marco legal da IA vai a votação em plenário ainda em junho”

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta…

3 dias atrás
  • CB.Poder

Contra lavagem cerebral, Alexandre de Moraes defende regulação internacional das big techs

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - O ministro Alexandre de Moraes, ao participar do XIV…

4 dias atrás
  • CB.Poder

Cidadãos manipulados pelas big techs são “servos digitais”, afirma Gilmar Mendes na abertura do XIV Fórum de Lisboa

ANA MARIA CAMPOS, enviada especial Lisboa - Na abertura do XIV Fórum de Lisboa, nesta…

4 dias atrás