Justiça proíbe Via Engenharia de fechar novos contratos com o governo

Compartilhe

ANA VIRIATO

ANA MARIA CAMPOS

A Justiça Federal determinou a suspensão cautelar do exercício de atividade econômica da Via Engenharia, empresa que integrou com a Andrade Gutierrez o consórcio Brasília 2014, responsável pela construção do estádio Nacional Mané Garrincha. Significa que a construtora está impedida de firmar novos contratos com a administração pública.

A decisão da juíza Pollyanna Kelly Medeiros Martins Alves, da 12ª Vara da Justiça Federal, a pedido dos procuradores da República no DF responsáveis pela Operação Panatenaico, consta do despacho de recebimento da denúncia por corrupção e superfaturamento contra o ex-governador José Roberto Arruda (PR), o dono da Via Engenharia, Fernando Queiroz, e outros dois integrantes do suposto esquema de desvios para a construção da arena. A Justiça recebeu também as denúncias contra o ex-governador Agnelo Queiroz (PT), contra o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB) e outras seis pessoas.

Em seu despacho, a juíza aponta: “Mostra-se adequado o pleito do Ministério Público Federal no que tange à proibição da referida pessoa jurídica de participar de novas licitações tendo em vista a possibilidade de reiteração deletiva”. A magistrada, no entanto, ressalta que a medida vale para novas contratações com o Poder Público. “Não se mostra razoável obstar a atividade empresarial nos contratos em andamento porquanto implica a paralisação de obras”, acrescentou.

Segundo as delações de acordos de leniência prestados pela Andrade Gutierrez, a Via Engenharia dividiu o mercado de construção civil no DF com outras empreiteiras, como Odebrecht e OAS. Nesse conluio, as empresas apresentaram propostas para dar um ar de legalidade à licitação, mas com preços acima dos que seriam oferecidos pelo Consórcio Brasília 2014.

A Via Engenharia é responsável por três obras em andamento no Distrito Federal. Neste ano, a empresa venceu duas licitações para construção de duas estações do Metrô/DF. Os dois contratos somam R$ 39 milhões. Apenas um consórcio disputou a concorrência pública. A empresa é responsável também pela construção do trevo da Saída Norte. Neste caso, a licitação ocorreu ainda no governo de Agnelo Queiroz. Pela decisão, esses contratos estão mantidos.

O Correio entrou em contato com a Via Engenharia, que até o momento não se pronunciou sobre a decisão.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Publicado por
Ana Maria Campos
Tags: agnelo Arruda filippelli mané garrincha Panatenaico Via Engenharia

Posts recentes

  • CB.Poder
  • Coluna Brasília-DF

Tempos nada republicanos

Texto de Carlos Alexandre de Souza nesse sábado (2/5) — O fracasso da indicação de…

2 dias atrás
  • CB.Poder

China pode virar samba-enredo no carnaval do Rio

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Uma delegação de jornalistas brasileiros, integrada pelos diretores da ABI, Moacyr…

5 dias atrás
  • CB.Poder

Podemos quer Mayara Noronha candidata a deputada federal

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Ao participar, ontem (29/04), de um encontro do Podemos, o ex-governador…

5 dias atrás
  • CB.Poder

Aliados de Celina apostam em diálogo com Lula

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Aliados da governadora Celina Leão (PP) lembram que o presidente Lula…

5 dias atrás
  • CB.Poder

Tramitação do projeto que autorizou compra do Master pelo BRB entra no foco da Compliance Zero

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Como tudo que envolve o Master está atrelado a cifras bilionárias,…

5 dias atrás
  • CB.Poder

A nova cara do GDF

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL A logomarca do GDF mudou de cor. Os ipês amarelos deram…

1 semana atrás