Justiça anula lei que trocou nome da Ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães

Compartilhe

A Justiça suspendeu a lei que determinou a substituição do nome da Ponte Costa e Silva, no Lago Sul, para Honestino Guimarães. Mas a decisão da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Tribunal de Justiça do DF criou um limbo jurídico. O juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros cancelou a troca de nome porque a mudança não foi precedida de audiências públicas e porque já existe outro prédio público com o mesmo nome, o Museu da República Honestino Guimarães. Ao mesmo tempo, o magistrado entendeu que a ponte não pode ter o nome de um ditador e, portanto, a travessia entre o Plano Piloto e o Lago Sul não pode mais ser chamada de Costa e Silva. Caberá agora à Câmara Legislativa abrir um debate e escolher um novo nome para a ponte projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

A decisão foi tomada em uma ação popular movida por oito cidadãos. Na petição, eles alegaram que a mudança não foi precedida de audiência pública e que o projeto de lei, de autoria de Ricardo Vale (PT), “teve como único objetivo apagar a lembrança do presidente Costa e Silva e reduzir sua importância  na história do Brasil”.

O juiz Carlos Frederico lembrou que “a imposição do nome do ditador Costa e Silva decorreu da decisão individual de outro ditador, Ernesto Geisel, sem que houvesse qualquer participação ou respaldo popular nessa infeliz escolha, antes ou após ter sido feita”. Para o magistrado, a sociedade clamava pela alteração. “O nome jamais fora bem assimilado pelos populares, que ora se referiam a ela como ‘Ponte Nova’, ora como ‘Segunda Ponte’, ‘Ponte do Pontão’ ou outros apelidos; quase nunca pelo nome oficial, manifestamente inconveniente”, lembrou.

Para o magistrado, a alteração necessária não deveria ser feita sem participação popular. “O justo anseio de se extirpar a indevida homenagem ao responsável pelo maior atentado à democracia no Brasil não pode afastar-se do princípio democrático presente na exigência de participação popular efetiva no debate acerca da necessária substituição do nome do logradouro público”.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

Posts recentes

  • CB.Poder

No cargo de secretário de Economia, Ney Ferraz comprou ternos de luxo com dinheiro vivo e dispensou nota fiscal

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL O secretário de Economia do DF Ney Ferraz Júnior, então no…

1 dia atrás
  • Eixo Capital

Rompimento de Celina e Ibaneis dificulta uma coligação entre PP e MDB

*Coluna Eixo Capital publicada neste domingo (14/6) por Ana Maria Campos A decisão da executiva…

5 dias atrás
  • Eixo Capital

Com a Celina até o fim

*Coluna Eixo Capital publicada neste sábado (13/6) por Ana Maria Campos O presidente da Câmara…

6 dias atrás
  • CB.Poder

TJDFT mantém condenação de Arruda em ação da Operação Caixa de Pandora

ANA MARIA CAMPOS Pré-candidato ao Palácio do Buriti, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) teve,…

7 dias atrás
  • CB.Poder

Wellington considera equilibrada decisão da comissão nacional do MDB e garante que vai trabalhar pela aliança com Celina

ANA MARIA CAMPOS O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), considerou a decisão da…

1 semana atrás
  • CB.Poder

Comissão vai definir se MDB apoiará Celina ou terá candidatura própria ao Palácio do Buriti

ANA MARIA CAMPOS A propósito do pedido feito à cúpula do MDB em relação às…

1 semana atrás