Jaqueline Roriz: a última beneficiada pelo voto fechado

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Jaqueline Roriz (PMN) foi a última deputada a escapar da cassação do mandato no plenário da Câmara dos Deputados. Salvou-se por conta do voto secreto. Filmada recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa, o delator da Operação Caixa de Pandora, a filha do ex-governador Joaquim Roriz estava numa situação crítica, desgastada pelas imagens impactantes. Mas conseguiu se livrar da perda do mandato graças ao escudo do sigilo. O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não terá o mesmo privilégio. Desde 2013, o voto é aberto. Os aliados mais próximos fazem o prognóstico: em tempos de Lava-Jato, poucos terão coragem de colocar a cara para defender Cunha. É cassação certa.

Apenas cinco cassados
Em 13 anos de existência, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pediu a cassação de 18 deputados federais. Apenas cinco foram cassados. Desses três estavam envolvidos no mensalão: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE), além de André Luiz (sem partido-RJ), acusado de extorquir o empresário Carlinhos Cachoeira, e Natan Donadon (sem partido-RO), condenado por peculato. Quatro renunciaram ao mandato, antes da adoção do voto aberto. Depois disso, foram seis. Aliados de Eduardo Cunha garantem que ele não vai renunciar.

Gratidão e desgaste

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O deputado Laerte Bessa (PR-DF) foi ontem um dos contundentes defensores de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Ele diz que o presidente afastado prestou um serviço ao país, ao abrir processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Bessa tem uma dívida de gratidão com Cunha que o nomeou relator da PEC da Maioridade Penal. Mas vai pagar com desgaste entre seus eleitores.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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