Ibama multa Anderson Torres por manter em casa animais silvestres

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ANA MARIA CAMPOS

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) esteve hoje (24) na casa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-secretário de Segurança Pública do DF Anderson Torres para uma operação contra a criação ilegal de pássaros silvestres.

Segundo o Ibama, a ação é desdobramento de investigação iniciada em 2022 a partir da identificação de informações inconsistentes no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (Sispass).

Ainda de acordo com o Ibama, agentes ambientais perceberam que a marcação de uma ave mantida por criador amadorista constava no sistema apenas como anilha — documento de identificação da ave e do criador. Funciona como um RG, é um anel inviolável.

Ao buscar informações mais detalhadas, os investigadores constataram que a peça de identificação estava sob responsabilidade de Anderson Torres, embora a ave fosse mantida por outro criador.

Análise realizada no Sispass revelou ainda que o ex-ministro havia transferido todo o plantel que possuía para sua mãe e que ambos teriam ultrapassado o limite de transferência estabelecido para criadores amadoristas. Ambos informavam o mesmo endereço nos respectivos registros de criação, também compartilhado por um criadouro comercial. Essa prática é proibida pela legislação.

Durante a ação de fiscalização de hoje, foram encontradas cerca de 60 aves mantidas no criadouro, uma delas com a pata mutilada.

A equipe de fiscalização aplicou autuações, embargou a atividade e determinou por meio de notificação que sejam apresentadas informações sobre animais registrados no sistema que não foram encontrados no local.

O ex-ministro responderá por utilizar animais em desacordo com a autorização obtida, pela inserção de dados falsos no sistema e por mutilação.

A ação foi realizada em conjunto com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

Prisão

A casa de Anderson Torres, no condomínio Ville de Montaigne, no Jardim Botânico, foi alvo de busca e apreensão em janeiro, realizada pela Polícia Federal, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

Na ocasião, Torres estava de ferias com a família na Flórida. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo STF e está detido desde 14 de janeiro, quando desembarcou em Brasília, de volta dos Estados Unidos.

Na busca e apreensão realizada em janeiro, policiais federais apreenderam uma minuta de decreto que previa uma intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Torres disse em depoimento que se tratava de um papel sem valor que seria descartado e não se lembrava quem lhe entregou.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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