Frejat ameaça desistir e embola o jogo da sucessão ao GDF

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ANA MARIA CAMPOS

ANA VIRIATO

HELENA MADER

Às vésperas das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, dois movimentos no tabuleiro político do Distrito Federal podem mudar os rumos do jogo pelo Palácio do Buriti. Líder em pesquisas de opinião, o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) ameaçou abrir mão da pré-candidatura ao GDF caso haja interferências políticas em sua campanha. Em outro grupo de centro-direita, o senador Cristovam Buarque (PPS) tenta emplacar o deputado federal Rogério Rosso (PSD) como cabeça de chapa no lugar de Izalci Lucas (PSDB) — a troca estaria alinhada a acordos nacionais firmados para garantir o apoio do PSD ao presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). O imbróglio acontece a um mês do prazo final para o registro de candidaturas e coligações, em 15 de agosto, e deve inflamar as articulações nas próximas semanas.

Antes do ultimato de Frejat, a aposta era de que, como em 2014, o ex-secretário de Saúde e o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) se enfrentariam no segundo turno. Porém, se o pré-candidato do PR desistir do pleito, os votos dele podem se dividir entre os nomes da centro-direita, dando vantagem ao chefe do Palácio do Buriti. A chapa de Frejat, formada, ainda, por MDB, PP, DEM e Avante, perderia a vantagem de ter um nome com recall, livre de escândalos e sem posições extremistas. Dificilmente, o grupo encontraria alguém com a mesma força eleitoral apto a concorrer.

O ex-secretário de Saúde anunciará a posição final até a próxima segunda-feira. Para avaliar o cenário, cancelou a agenda até amanhã. Ao presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, ele reclamou do ex-governador José Roberto Arruda (PR). Disse que não aceita interferências na campanha e garantiu que sairia de campo se houvesse alguma ingerência do correligionário. Em conversa com o Correio, Frejat mostrou-se irritado devido a pressões de políticos, sem citar nomes. “Parece que algumas pessoas têm pacto com o diabo. Eu não vou vender a minha alma”, disse Frejat. E complementou: “Não vou fazer do meu governo um balcão de negócios. Prefiro ficar em casa”.

Pré-candidato ao Senado na chapa do ex-secretário de Saúde, o deputado federal Alberto Fraga (DEM) disse acreditar que o posicionamento de Frejat seja “um freio de arrumação”. “Os aliados precisam entender algumas coisas. Frejat é o líder em pesquisas e não pode ser coagido a aceitar imposições. Acordos devem existir, mas a palavra final é dele”, pontuou.

O ultimato de Frejat é mais um problema a ser resolvido no grupo. A uma semana do referendamento de candidatos, nas convenções partidárias, a definição da chapa enfrenta percalços. Aliados tentam demover o ex-vice-governador Paulo Octávio (PP) da intenção de concorrer ao Senado. Segundo juristas, o empresário pode ter o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por estar inelegível — à época da Operação Caixa de Pandora, ele renunciou do cargo de governador em meio à crise política. A vaga da vice-governadoria na chapa de Frejat está em aberto.

Rosso no páreo

No grupo articulado pelo senador Cristovam Buarque, as complicações são ainda maiores. Nacionalmente, o PSDB aceitou retirar algumas candidaturas a governos estaduais, como o do Distrito Federal, para garantir o apoio do PSD. Presidente regional pessedista, Rogério Rosso resiste à possibilidade de concorrer ao Palácio do Buriti, mas tem sido encorajado por aliados a entrar na disputa. “Jamais cogitei ser cabeça de chapa e procuro trabalhar pela união dos partidos por um novo projeto para o DF. Porém, jamais podemos perder o foco no mais importante, que é o compromisso que todos temos com a população”, ressaltou.

Cristovam Buarque é um dos principais entusiastas da possibilidade de o ex-governador tampão voltar ao comando do GDF. “Continuamos querendo o PSDB na chapa. O problema é que a crise interna do partido tirou força de Izalci. Quando reafirmamos o nome dele para a disputa, deixamos claro que as candidaturas passariam pelas análises nacional e local dos partidos. Eu diria que, hoje, a situação está mais favorável para Rosso ser o nosso nome”, argumentou.

Estão em aberto, ainda, uma vaga para o Senado e a vice-governadora. Em meio ao impasse relativo às candidaturas majoritárias, a coalizão tenta atrair novos aliados para fortalecer a chapa proporcional, além de turbinar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na tevê. Estão na mira o Podemos, do ex-administrador de Brasília Marcos Pacco, e o Solidariedade, do deputado federal Augusto Carvalho, que segue na base de Rollemberg.

O deputado federal Izalci Lucas, presidente regional do PSDB, irritou-se com as especulações de que o diretório nacional pode retirar a sua candidatura. “Isso não existe, é boato de quem quer puxar o meu tapete”, afirmou o parlamentar. “Na quinta-feira, estive com o Rosso e, hoje (ontem), nos falamos, duas vezes só pela manhã, ao telefone. A nossa aliança está bem clara e definida, não existe nenhuma intenção do Rosso em ser candidato, isso é especulação de quem torce contra”, disse.

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