Envolvido em maior assalto a banco do DF é preso 16 anos depois

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ANA MARIA CAMPOS

Poderia ser o roteiro de um filme com um final surpreendente. Foragido há 16 anos e meio, um dos responsáveis pelo assalto da agência JK do BRB, ocorrido numa ousada ação criminosa, foi preso em São Paulo neste sábado (21/04), por coincidência no aniversário de Brasília, pela equipe de policiais civis da Coordenação de Combate ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária (CECOR).

Foi uma investigação também digna de filme. Como os sistemas de identificação das diferentes unidades da federação não são integrados, Marcel Aparecido da Silva ou Marcelo Reis da Silva foi encontrado somente agora durante a apuração da CECOR sobre outros crimes. O cruzamento de digitais levou à elucidação do caso.

A investigação foi batizada como Operação Destro, porque ele era tido como um dos braços direitos de José Reinaldo Girotti, apontado como líder de uma organização criminosa dedicada a roubo de bancos.

Os policiais civis liderados pelo delegado Fernando Cesar Costa, chefe da CECOR, cumpriram mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Criminal de Brasília. A prisão também tem sabor especial para os delegados e agentes envolvidos no caso por ser hoje (21/04) o dia do policial civil, uma vez que o assalto à agência JK foi um dos crimes que marcam a história de Brasília.

O alvo preso hoje tem dois registros civis. No Distrito Federal, ele é Marcel Aparecido da Silva. Em São Bernardo do Campo (SP), está cadastrado no sistema de identificação como Marcelo Reis da Silva. No dois prontuários, consta a mesma filiação. Perícia realizada pelo Instituto de Identificação da Polícia Civil do DF atestou se tratar da mesma pessoa. Ele foi preso hoje quando saía de casa em São Paulo e será trazido para Brasília.

O assalto à agência do BRB no edifício Brasília Trade Center, no Setor Comercial Norte, ocorrido em outubro de 2001, provocou um prejuízo incalculável.

Numa ação planejada como num filme policial, nove homens sequestraram o gerente, o superintendente e o tesoureiro do banco em três pontos distintos da cidade. Os familiares dos funcionários também foram levados pelos criminosos. Ao todo, 17 pessoas foram feitas reféns numa mansão do Park Way.

De manhã, armados com metralhadoras e pistolas automáticas, os criminosos foram à agência com três funcionários do banco sob o alvo da quadrilha, invadiram a agência em que havia cofres particulares e deixaram a cena do crime levando uma fortuna em moedas, ações de empresas e outros objetos e documentos valiosos.

Entre os 70 cofres roubados, um guardava joias, objetos pessoais e peças de valor sentimental para a família do ex-presidente Juscelino Kubitschek. A agência foi inaugurada na véspera do 33° aniversário da capital, em 1993, e ganhou o nome de JK em homenagem ao fundador de Brasília. Agora, 25 anos depois, a investigação sobre o maior roubo a banco da história do DF chega ao fim.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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