Valter Campanato/Agência Brasil - 29/10/18
Coluna Eixo Capital/Por Helena Mader
O governador Ibaneis Rocha acertou o timing ao comprar briga com a cúpula do seu partido, o MDB. Na quarta-feira, o chefe do Palácio do Buriti disparou críticas ao comando da sigla durante uma reunião partidária, poucas horas antes da prisão do ex-presidente Michel Temer. No encontro com os caciques emedebistas, entre eles Moreira Franco, também detido ontem, Ibaneis defendeu a expulsão de pessoas presas dos quadros do partido. Disse que Romero Jucá não é a pessoa adequada para conduzir a renovação do MDB e emendou: “o partido tem que enfrentar suas feridas, porque senão vamos definhar”. A defesa da ética em um momento de grande desgaste da legenda
aumenta a visibilidade de Ibaneis e o cacifa para a disputa pela presidência do partido.
Mas os ataques ao MDB também o colocam em uma encruzilhada: ou a sigla expulsa os filiados enrolados, ou Ibaneis ficará em uma posição constrangedora. A terceira e última opção seria se desfiliar do MDB, o que não está em seus planos. Ibaneis aposta em uma rebelião da juventude emedebista para consolidar uma renovação real no comando da legenda. Na reunião com a cúpula, o governador do DF citou o deputado federal Baleia Rossi (SP) e o governador de Alagoas, Renan Filho, como jovens que podem ajudar a protagonizar a renovação nos quadros.
Apesar das críticas aos filiados presos, como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, Ibaneis Rocha saiu ontem em defesa de Michel Temer. O governador classificou a prisão do ex-presidente “como uma decisão precipitada, que atinge um senhor de 78 anos de idade com grandes serviços prestados à nação”. O governador frisou que não conhece o inquérito, mas disse que Temer sempre “pareceu uma pessoa honrada e limpa”. “Do ponto de vista pessoal, estou abalado e triste. Do ponto de vista político, vejo com apreensão, pois isso traz mais instabilidade política para um país que precisa de normalidade para resolver inúmeros problemas”, acrescentou Ibaneis. Ele acha ainda que a prisão de Temer pode dificultar a aprovação da reforma da Previdência. O governador importou da equipe do ex-presidente pelo menos 10 ministros e integrantes do segundo escalão para compor seu secretariado.
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