“Usamos critérios de comprometimento e de capacidade”, diz Eric Seba, sobre reestruturação da PCDF

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Entrevista: Eric Seba, diretor-geral da Polícia Civil


Por que, neste momento, você decidiu fazer mudanças em vários cargos de chefia na Polícia Civil?
A mudança acontece na estrutura da polícia. Essa reformulação ocorrida agora foi apenas a primeira. Vamos alcançar três etapas de reestruturação. As mudanças da chefia são uma consequência das alterações na estrutura.

Muitas delegacias tiveram troca de comando. Você optou pelas pessoas mais afinadas com a sua administração e tirou quem tinha algum tipo de divergência?
Na verdade, usamos vários critérios, de comprometimento e de capacidade. Não é que as pessoas que saíram não tenham capacidade, mas essa capacidade precisa ser absoluta, capacidade de dar uma resposta para a sociedade, de ter compromisso com a estrutura da polícia e com a administração. As pessoas não são obrigadas a assumir um cargo de chefia, de confiança. Mas, a partir do momento em que elas assumem, também assumem alguns compromissos, como lealdade, alinhamento com as diretrizes que são estabelecidas e um comprometimento de dar uma resposta efetiva para a sociedade e de seguir parâmetros éticos.

No ano passado, quase cem por cento dos delegados entregaram os cargos de confiança por não aceitarem trabalhar neste governo. Essa posição ficou para trás? Está vencida?
Essa entrega dos cargos foi uma mensagem de rompimento com o governo, não com administração.

Mas o governo continua o mesmo…
Continua o mesmo. Mas enxergo como um cenário diferente. Temos um processo de negociação que está avançando, que não é fácil, mas temos certeza que será exitoso no final. Uma coisa ficou clara: uma boa parte do movimento que ocorreu no ano passado teve como pano de fundo outras motivações que não a salarial.

Quais?
Desestabilizar uma estrutura, desconstruir pessoas, atacar gestores. E as pessoas enxergaram que foram massa de manobra num determinado momento, no clamor de uma necessidade de cobrança de um compromisso do governo com a categoria.

E o que mudou? O que fez as pessoas passarem a enxergar de forma diferente?
Foram várias coisas. São as situações que vão acontecendo ao longo do tempo. São as máscaras que vão caindo. Deus, muitas vezes, nos coloca um caminho tortuoso, mas com um ponto final. E, de verdade, muito do que foi falado foi injusto em relação à administração (da PCDF) e não podemos definitivamente misturar as coisas. A população, num determinado momento, foi penalizada. Hoje a grande maioria dos policiais enxerga que a reivindicação precisa ser atendida, mas o trabalho precisa ser realizado.

Não teria uma convicção dos policiais civis de que parar de trabalhar cria um desgaste que não facilita a negociação com o governo? Temos visto várias operações bem-sucedidas, principalmente nas delegacias especializadas. É uma nova etapa da polícia?
Exatamente. Para se valorizar, é muito melhor pelo trabalho e não pela inércia. Aqueles que fizeram a proposta de parar, numa greve branca, prejudicam a população, prejudicam a imagem da instituição. E aqueles que verdadeiramente gostam da instituição e têm compromisso com a sociedade já se incomodaram demais com isso. Só espero, de verdade, que o governo consiga chegar a uma proposta para que a gente consiga o que é nosso direito, que é a paridade.

Você ainda acredita que a reivindicação salarial da Polícia Civil será atendida pelo governo?
Tenho convicção que a paridade sairá. É uma questão de justiça. É mais um caminho tortuoso colocado por Deus. Mas esse caminho está definido que é a paridade sendo dada para os policiais civis. É uma questão histórica, uma questão legal.

O governador Rollemberg enfrenta uma rejeição muito forte na Polícia Civil. Acredita que, se sair a paridade, esse desgaste será revertido?
O cumprimento desse compromisso traz um cenário diferente, traz um alento. É óbvio que algumas cicatrizes vão ficar. Não tem como não ficar, mas também não queria colocar que a motivações e ações da Polícia Civil serão pautadas por dinheiro. É óbvio que uma melhor qualidade de vida para os servidores traz um alento e acho que o resgate de uma relação respeitosa virá por acreditar que houve situações que fugiram ao controle e que serão resolvidas.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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