Entre os alvos da Operação Conexão Brasília, está Sergio Cortês, do esquema de Sérgio Cabral

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ANA MARIA CAMPOS

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos nesta manhã (29/11), na Operação Conexão Brasília, está o ex-secretário de Saúde do governo Cabral Sérgio Cortês.

Um dos operadores de Cabral, ele é acusado em quatro operações da Lava-Jato no Rio de Janeiro de integrar um esquema milionário de fraude à licitação, corrupção e lavagem de dinheiro exportado para outras unidades da federação, inclusive o Distrito Federal.

Responsáveis pela Operação Conexão Brasília, realizada por força-tarefa do Ministério Público do DF de combate à corrupção na saúde, estiveram na casa de Cortês, na Lagoa, no Rio. Há buscas em outros 43 endereços no Rio, Brasília e São Paulo.

Cortês é um dos integrantes do grupo mais próximo do ex-governador do Rio e aparece na famosa foto que ficou conhecida como “a farra dos guardanapos”, em jantar ocorrido em Paris, nos tempos áureos do governo de Sérgio Cabral. Vários que aparecem ali foram depois presos e acusados de corrupção.

Na Operação desta manhã, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva. Entre os alvos, estão os ex-secretários de Saúde Rafael Barbosa e Elias Miziara, acusados de assinar contrato com empresas fornecedoras de próteses e órteses que participavam do esquema no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações da Operação Lava-Jato, desmembradas em Fatura Exposta e Ressonância, a organização criminosa agia de forma intrincada. Eles fraudavam uma licitação direcionada para empresa do esquema e depois repassavam o edital, por meio de ata de registro de preços, a outras unidades da federação. Foi o que aconteceu no Distrito Federal.

Na investigação, os promotores do DF, coordenados por Luis Henrique Ishihara, tiveram acesso a informações das operações do Rio, por compartilhamento autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal do Rio. Eles também fizeram novas diligências e colheram depoimentos.

Segundo a investigação dos promotores, a Secretaria de Saúde, no governo Agnelo, aderiu a uma ata de registro de preços da Secretaria de Saúde do Rio, com base em argumentos que não se sustentam e contrariam a lei. O pior é que a empresa contratada, segundo as investigações, é parte do escandaloso esquema de corrupção e propina do governo Cabral.

Entre os outros alvos de prisão preventiva e de busca e apreensão, estão servidores da Secretaria de Saúde à época em que a pasta era chefiada por Rafael Barbosa, empresários, operadores e empresas.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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