Única distrital do Novo, Júlia Lucy quer revogar leis ‘impertinentes’

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À QUEIMA-ROUPA

Deputada distrital Júlia Lucy (Novo)

Você é a única deputada do Partido Novo no DF. O que seu mandato traz de novidade?

A independência para poder realmente representar as pessoas. Quando a gente chega sem dever favor, pode escutar os anseios, estudar os projetos com transparência, com tecnicidade e votar de acordo com as convicções que a gente colheu da sociedade e que também concorda que sejam as melhores. A novidade é a forma de fazer política. Eu terei o primeiro programa de compliance para trazer mais transparência aos nossos posicionamentos. A gente viveu no país a Lava-Jato, viu o que é um lobby que não pode ocorrer.

Como funciona esse programa de compliance?

A gente está desenvolvendo um código de ética, com uma série de regras, o que pode ser feito ou não, como reuniões, parcerias… Tudo para que não contamine os projetos que a gente apresente ou nossos votos. Muitas vezes a gente vê um direcionamento do voto do parlamentar para determinadas empresas, para segmentos que ele tem participação direta ou que representa um grupo que financiou a campanha, mas não necessariamente é a melhor opção republicana. Isso compromete muito a racionalidade daquele voto. Quem me acompanha vê que trabalho com transparência e sabe minhas pautas.

E quais são as suas pautas?

Primeiro é a fiscalização que é o que mais falta na Câmara. Esse perfil fiscalizador, investigador, analítico dos dados. Queremos apresentar políticas públicas com base em informações técnicas.

Você não quer ser reconhecida como uma deputada que aprova muitas leis e sim como alguém que fiscaliza? Também quer revogar leis inócuas?

Isso, um papel fiscalizador. Sobre as leis, a gente se reúne com representantes do setor produtivo para saber quais são as que dificultam a atividade produtiva. A gente faz uma análise de constitucionalidade e de legalidade e coerência, aplicabilidade e pertinência. Algumas são totalmente impertinentes.

Dá exemplo de uma lei que você considera impertinente?

A obrigatoriedade de venda de preservativos em restaurantes e lanchonetes. É uma interferência direta na atividade econômica que muitas vezes até constrange os consumidores. Traz uma dificuldade de logística.

Você tem uma posição liberal, mas tem votado de forma semelhante aos deputados do PT e PSol. O que há de comum nos mandatos?

Eu sou independente. Já votei com o governo e contra. Inclusive nesse projeto da militarização nas escolas, votei com o governo, diferente da oposição porque estudei o assunto e vi que o projeto era legal, constitucional e interessante para a população. Então, sempre vou votar favorável ao que for bom. A nossa preocupação é entregar para a sociedade o que ela espera, sem se preocupar com aquela caixinha de direita ou de esquerda.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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