Delegado reconhece que categoria ofereceu ajuda voluntária à CPI para pressionar GDF por reajustes

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Entrevista com Rafael Sampaio,  vice-presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do DF (Sindepo)

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Como foi a decisão das duas associações de delegados de formar uma força-tarefa para ajudar a CPI da Saúde?
Temos um colega que já está participando da CPI voluntariamente e ele sugeriu que o Sindicato e a Associação dos Delegados oficiassem a CPI como forma de pressionar o governador para que atendesse os nossos pleitos. Hoje, a gente está com dificuldade de interlocução muito grande com o governo e isso incomoda a categoria. Levamos o tema para a assembleia e foi aprovado por unanimidade. Todo mundo gostou da ideia, entendeu que era viável e é uma ação de cidadania e vem de encontro aos interesses da sociedade.


Ou seja, os delegados da Polícia Civil vão usar a sua força para pressionar o governador?
Sim, a nossa expertise. O intuito é pressionar o governo no sentido de mostrar que há dinheiro. Dinheiro sempre há, como diria o saudoso Maurício Correa. A questão é saber se somos prioridade. Nós estamos vendo que no governo atual nós não somos tratamos como prioridade. Estamos tendo frustrações orçamentárias correntes. Estamos muito sacrificados e, do outro lado, não vemos resposta a esse sacrifício.

Como vai esse trabalho? Será na hora do expediente, na folga?
A ideia é usar o horário de folga. Nós estamos nos oferecendo voluntariamente para a CPI. O nosso trabalho vai depender da demanda dos deputados.
Quantos delegados vão colaborar?
Inicialmente 15, mas esse número pode aumentar de acordo com a demanda. Não sabemos ainda em que tipo de investigação vamos atuar porque vai depender dos integrantes da CPI. Hoje soubemos que o Sinpol resolveu também participar.

Em que áreas os delegados podem atuar?
A CPI naturalmente é uma investigação em cima de documentos. Temos que confrontar os dados que podem demonstrar superfaturamento de contratos e que houve um direcionamento de licitação ou fraude. Mas lógico que é difícil saber e restringir que tipo de atuação a gente vai se limitar.

Vocês vão usar o sistema de informações da Polícia Civil, com análises de vínculo, por exemplo, para embasar esse trabalho?
Temos acesso a esse sistema e não seria uma utilização para fins ilícitos. Nada mais natural que um órgão do Estado colabore com uma investigação de outro órgão. Se houver algum óbice institucional, o presidente da CPI poderá requisitar.

O governador Rodrigo Rollemberg será investigado?
A gente não sabe. Depende do rumo que tome investigação. Em uma investigação, a gente faz aprofundamento daquilo que as evidências apontam para alguma ilegalidade.
A Decap já investiga o caso. Não seria uma apuração paralela?
Eu não tenho essa informação. Mas há possibilidade, sim, de investigações paralelas.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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