Em debate na última sexta-feira (1) na Flip (Feira Literária Internacional de Paraty), o pesquisador norte-americano Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector, fez uma crítica ácida à arquitetura da capital do país. “Brasília é um filhote bastardo do Rio. Enquanto lá afastaram-se os negros e do centro e das praias para a favela, na nova capital a ideia é deixar o povo longe do poder”, disse. E acrescentou sobre a obra de Oscar Niemeyer: “Nos protestos de agora nós vimos, aquele Congresso, construção horrorosa, com as pessoas pequenininhas se manifestando lá embaixo. Que político vai dar bola para um povo que não consegue enxergar direito?”. Foi muito aplaudido pelo público na feira mais tradicional de literatura do país. Não é a primeira vez que o jornalista e historiador centra fogo contra o mestre da arquitetura de Brasília. Em Cemitério da Esperança, e-book lançado em 2014, Moser lança a sua crítica à cidade por abrigar, na visão dele, “uma arquitetura feia, desumana e melancólica”.
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