Cláudio Abrantes: “Não dá para ficar contra a Polícia Civil”

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ANA MARIA CAMPOS

Integrante da base do governo Rollemberg, o deputado Cláudio Abrantes (Rede) vive um impasse. Ele tem adotado na Câmara Legislativa uma postura de pressão para que saia uma proposta do Executivo para o reajuste salarial da Polícia Civil do DF.

Mas a cúpula do governo não admite esse movimento do distrital e já houve retaliações. Quatro servidores da Codhab (Companhia de Desenvolvimento Habitacional), indicados por Abrantes, foram exonerados. E o governo promete mais demissões. O recado é: o deputado precisa demonstrar se é ou não realmente leal ao governo.

Em entrevista ao Correio, Abrantes reafirma sua posição de aliado do governador Rodrigo Rollemberg, mas diz que não vai recuar em seu movimento político. “É lamentável que ainda se pense que vou fazer política em troca de cargos. Comigo não cola”, disse.

Integrantes do governo dizem que você precisa escolher um lado, entre ser aliado ou manter uma posição na Câmara Legislativa de obstrução em favor das negociações da Polícia Civil. Você vai escolher um lado?
Não precisaria ter de escolher um lado. O governo deveria reconhecer a importância da Polícia Civil. A paridade com a Polícia Federal é justa e legal e os policiais civis são a categoria que menos teve recomposição salarial nos últimos anos. O governo deveria estar do lado da Polícia Civil também.

Na sua avaliação, o governo está contra a Polícia Civil?
Espero que não esteja. A Polícia Civil do DF representa uma área extremamente sensível. Policiais dedicam a própria vida para a segurança do DF e precisam ser recompensados e respeitados. Não dá para ficar contra.

Mas a relação com o governo ficou estremecida?
Isso, de fato, ocorreu. Não é segredo para ninguém. Sofri retaliação com perda de algumas poucas indicações técnicas que fiz no governo. Mas a minha posição foi em defesa da categoria que represento.

Você se considera ainda da base do governo?
Eu me considero, sim. Tenho esperança de que o governo reveja as suas posições sobre esse assunto. Essa é a minha luta.

Ainda acredita que vai sair uma proposta de reajuste para a Polícia Civil?
Tenho esperança que saia essa proposta, sim. A Polícia Federal já recebeu. A Polícia dos ex-territórios já recebeu essa paridade. Não é justo que policiais civis do DF fiquem de fora dessa maneira.

E como você avaliou a retaliação que sofreu, perdendo cargos por fazer obstrução?
É lamentável que ainda se pense que vou fazer política em troca de cargos. Comigo não cola. A gente espera que a política seja feita com base em ideias, conceitos republicanos e no que é bom para a sociedade.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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