Chega ao TRE-DF o processo que pode decidir a eleição no DF

Compartilhe

ANA MARIA CAMPOS

Depois de quase 17 anos da deflagração da Operação Caixa de Pandora, José Roberto Arruda (PSD) trava na Justiça uma de suas mais importantes batalhas. Com candidatura posta, boa receptividade nas ruas e em segundo lugar nas intenções de votos, segundo indicam as pesquisas de opinião, ele precisa vencer uma ação de impugnação ajuizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), em que será definido o entendimento da Justiça sobre a aplicação da nova lei de inelegibilidades, a Lei Complementar 219/2025, que alterou a Lei da Ficha Limpa.

Não é possível apostar em um resultado. Estão em jogo interpretações jurídicas que vão muito além da letra fria da lei aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional. Além disso, a Justiça Eleitoral tem um olhar político para questões que podem mudar o rumo das eleições e esse viés pode levar a um resultado ou outro. Enquanto isso, Arruda faz campanha e tenta convencer as instituições e o eleitorado que já pagou por erros que cometeu no passado.

A ação de impugnação é de autoria do candidato a deputado distrital Claudio Ferreira Domingues (Democrata), mas representa interesse de vários partidos.

A interpretação jurídica e a política

Três questões jurídicas essenciais são apontadas contra a candidatura de Arruda: a lei que cria benefícios pode ser aplicada na esfera cível? Nas condenações penais, não há dúvida, a lei sempre retroage para beneficiar o réu. Mas nas ações de improbidade, há entendimento no STF de que não há retroatividade.

Outra questão é: as condenações se referem a casos conexos? Se for essa interpretação, a pena máxima, segundo a nova lei, é de 12 anos. Arruda estaria livre. Mas e se a Justiça Eleitoral entender que as seis condenações de Arruda são processos distintos?

A terceira questão é relacionada à constitucionalidade da nova lei. Algo mais abstrato. É o que a Rede Sustentabilidade aponta na ação direta de inconstitucionalidade em tramitação no STF. O ministro Gilmar Mendes pediu vista depois dos votos contra a lei que alterou a Ficha Limpa proferidos pela relatora, ministra Cármen Lúcia, e pelo ministro Luiz Fux.

É possível, segundo a avaliação de especialistas, que a Justiça Eleitoral aponte a necessidade de aguardar uma deliberação do Supremo Tribunal Federal.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Posts recentes

  • CB.Poder

MP Eleitoral sustenta que Arruda está inelegível até 2030 e requer à Justiça que negue registro da candidatura ao GDF

ANA MARIA CAMPOS A Procuradoria regional eleitoral do DF pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF)…

1 hora atrás
  • CB.Poder

Arruda faz campanha em palanque com Michelle Bolsonaro

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL O eleitorado vai começar a se confundir. O apoio de Izalci…

8 horas atrás
  • CB.Poder

Mulher de ex-coronel da PM condenado pelo 8 de Janeiro é candidata a deputada federal pelo PL

ANA MARIA CAMPOS Mariana Naime, esposa do ex-coronel Jorge Eduardo Naime, da Polícia Militar do…

17 horas atrás
  • CB.Poder

Malafaia X Sebastião Coelho: bolsonaristas em guerra por candidatura ao Senado no DF

ANA MARIA CAMPOS O Pastor Silas Malafaia divulgou um vídeo pelas redes sociais em que…

18 horas atrás
  • CB.Poder

Enquanto pede votos, ex-deputado aguarda julgamento por homicídio

ANA MARIA CAMPOS Uma história de mais de 22 anos ressurge na campanha eleitoral deste…

1 dia atrás
  • CB.Poder

TJDFT elege lista tríplice para o presidente Lula nomear o próximo desembargador do quinto constitucional

ANA MARIA CAMPOS Os procuradores de Justiça Trajano Sousa de Melo, Vitor Fernandes Gonçalves e…

1 dia atrás