Casamento vira polêmica em meio ao lockdown

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ANA MARIA CAMPOS

Em meio à crise da superlotação nas UTIs nos hospitais do Distrito Federal, os advogados Rodrigo Moraes e Fernanda Borges (foto) vão se casar neste sábado (27/02) na Igreja Perpétuo Socorro, do Lago Sul. Eles apostaram no fim da pandemia e não imaginavam que, um ano depois do início da crise sanitária mundial provocada pelo novo coronavírus, este fevereiro atingiria seu pior momento.

O casal, que tem escritório conjunto para atuação em tribunais superiores, manteve o casamento e a comemoração numa casa de festas do Park Way, para cerca de 200 pessoas. Mas eles perderam o padrinho, o governador Ibaneis Rocha (MDB).

Por causa do lockdown, decretado para valer à 0h01 deste domingo (28/02), Ibaneis avisou que não poderia ir.

Desde ontem (26/02), quando Ibaneis assinou os decretos de fechamento das atividades econômicas, que incluem bares e restaurantes, o comentário na cidade foi de que o governador seria o convidado da festa deste sábado.

É que o pai do noivo, o policial civil Nino Moraes, é uma das pessoas mais próximas do governador na equipe do Palácio do Buriti. Era considerado a sombra de Ibaneis na campanha, na transição e no governo. Desfruta da confiança da família e amigos mais íntimos de Ibaneis.

Mesmo sendo civil, é o chefe da Casa Militar do DF, cargo tradicionalmente reservado a oficiais da Polícia Militar.

Nino disse que a repercussão do casamento magoou os noivos. Eles remarcaram várias vezes a cerimônia, de abril para setembro, depois para outubro, para o início deste ano e agora para fevereiro. A pandemia não dá trégua.

Sobre o evento, Ibaneis diz que não irá. “A gravidade do momento não me anima a festas”, justifica.

Ontem, no momento mais crítico, a fila de UTI de covid-19 tinha mais de 30 pessoas, para apenas uma vaga.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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