Bug em app foi decisivo para PF obter detalhes do plano de golpe

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Da Coluna Eixo Capital, por Pablo Giovanni (interino)

Um relatório da Polícia Federal, que levou à prisão de membros das Forças Armadas, ontem, revelou detalhes de conversas interceptadas que chamaram a atenção de dois investigadores consultados pela coluna. Sabe-se que Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e seu entorno recorriam a aplicativos considerados “mais seguros”, como Signal e UNA, para tratar de temas sigilosos. No entanto, em um momento crítico, o aplicativo UNA sofreu um “bug”, o que fez com que o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, conhecido como “Joe” e preso na operação da PF, recorresse ao WhatsApp para contatar Cid, o que foi “um prato cheio para nós”, analisou uma fonte. As mensagens foram recuperadas pelos policiais, que encontraram registros apagados no dispositivo de Cid.

Além do planejamento e execução de ações contra o ministro Alexandre de Moraes, as mensagens indicavam a intermediação de R$ 100 mil para custear despesas com hospedagem, alimentação e materiais para “subsidiar, possivelmente, ações clandestinas que seriam executadas entre novembro e dezembro de 2022”, conforme descrito no relatório da PF. “O Uni (UNA) tá bugado!! Depois apaga”, escreveu Joe a Cid. A PF dividiu a investigação em cinco eixos e acredita que houve financiamento para manifestações, isso porque o tenente pediu orientações a Cid para indicar os locais em que ocorreriam as ações.

La Casa de Papel

Para dificultar o rastreamento das possíveis atividades ilícitas, a PF revelou que os investigados habilitaram linhas telefônicas em nome de terceiros, criaram um grupo denominado “Copa 2022” no aplicativo Signal e adotaram codinomes inspirados em países, como Alemanha, Áustria, Brasil, Argentina, Japão e Gana, imitando o estilo da série espanhola “La Casa de Papel”. Nela, os personagens adotam nomes de cidades para cometer crimes e não ser descobertos.

O tenente Rafael Martins de Oliveira, o “Joe”, usava o codinome “Japão”. Em mensagens obtidas pela PF, surgiram diálogos dos investigados detalhando um plano em 15 de dezembro de 2022, quando estavam de tocaia nas proximidades do apartamento funcional de Alexandre de Moraes, na Asa Sul, para prender o ministro. De acordo com a PF, o grupo tinha um líder identificado pelo nome de usuário “teixeiralafaiete230”, com o codinome “Alemanha”, que abortou o plano. Os investigadores ainda tentam descobrir a identidade desse suposto chefe, que, segundo apontam, utilizava uma linha habilitada em nome de terceiros para emitir ordens.

Amigo da vizinhança

Rafael Martins de Oliveira, o “Joe”, era chamado de “Mário” pelos moradores do prédio onde viveu na 115 Norte. A prisão do tenente foi amplamente comentada entre os vizinhos, especialmente devido à operação da Polícia Federal, que bateu em sua antiga residência na manhã de ontem, após monitoramento discreto na área desde segunda-feira.

Embora Rafael tenha se mudado para a Asa Sul há cerca de um ano, ele ainda frequentava a loteria e a padaria da quadra, mantendo contato com a antiga vizinhança.

STF decide que presidente deve nomear chefe no MPDFT

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em plenário virtual, julgar improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6247, que questionava a legitimidade constitucional do presidente da República em escolher o procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A ação foi protocolada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), em 2019, que questionava a regra estabelecida na Lei Complementar 75/1993. Essa norma atribui ao presidente da República a prerrogativa de nomear o chefe do MPDFT, ainda que tal prerrogativa não encontre respaldo na Constituição Federal de 1988. Ao votar pela improcedência do pedido, o relator, ministro Dias Toffoli, mencionou uma manifestação do então procurador-geral da República, Augusto Aras, que, no âmbito do processo, defendeu que o MPDFT é um dos ramos do Ministério Público da União (MPU) e que o órgão não deve estar sujeito a qualquer tipo de “subordinação nem a poderes fiscalizatórios da autoridade nomeante sobre a autoridade nomeada”.

O voto do ministro foi seguido por todos os demais magistrados, exceto Gilmar Mendes, que acompanhou o relator, mas apresentou ressalvas, observando que a PGDF entendia que a situação do MPDFT se assemelha à das forças de segurança locais, mas destacou que o órgão faz parte da estrutura orgânica do MPU.

Letramento racial

Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) lançou o segundo volume do Dicionário de Letramento Racial. O material reúne mais de 50 termos que a instituição considera preconceituosos e sugere que sejam substituídos por expressões mais adequadas.

Ibaneis faz check-up em São Paulo

O governador Ibaneis Rocha (MDB) retornou ao Brasil e viajou para uma consulta no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após exames indicarem uma calcificação na cabeça do fêmur. Em agenda recente para a inauguração do viaduto do Jardim Botânico, ele compareceu ao evento utilizando muletas.

Nas últimas semanas, Ibaneis tem se queixado de dores e explicou que o uso de muletas é uma forma de aliviar a pressão sobre o fêmur e a bacia.

“Fiz uma consulta em São Paulo, mas a minha opção é de fazer o tratamento na rede Sarah, em Brasília. Antes de uma intervenção (cirúrgica), vou ouvir os especialistas”, explicou o governador, à coluna.

Réveillon no Iate

Para atrair o público e impulsionar as vendas de fim de ano, estabelecimentos em Brasília estão investindo em festas temáticas. O Iate Clube, um dos mais renomados e completos clubes de Brasília, terá celebrações especiais, incluindo apresentações musicais de Terminal Zero e DJ Nando Nitro, além de um buffet assinado pelo restaurante Zuri e decoração de Virgínia D’Arc. O espaço promete uma grande festa, com áreas instagramáveis, brinquedoteca, música ao vivo e uma queima de fogos para marcar o final do ano.

Mariana Niederauer

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