BRB passará por auditoria minuciosa do Banco Central nas operações com o Master

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ANA MARIA CAMPOS

O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, determinou a realização pelo Banco Central (BC) de uma auditoria minuciosa nas atividades do BRB referentes ao período entre 2024 até os dias atuais.

As informações levantadas municiarão o inquérito da Polícia Federal que apura possíveis impactos financeiros provocados pela aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB.

A apuração referente ao exercício de 2025 devem ser concluídas em 20 dias. O juiz estabeleceu um prazo de 60 dias para a avaliação sobre as operações realizadas em 2024.

A auditoria foi definida a pedido do Ministério Público Federal, em substituição à intervenção do Banco Central no BRB que havia sido decretada pelo magistrado nas medidas cautelares determinadas na Operação Compliance Zero.

A intervenção está prevista no artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal c/c a Lei 6.024/1974, que prevê a atuação do Banco Central em casos de anormalidade grave no funcionamento de instituição financeira.

A auditoria é uma medida menos extrema que a intervenção em que a gestão integral do BRB ficaria a cargo do BC.

Ao opinar sobre o procedimento, o MPF considerou que o BRB não apresenta crise de liquidez, mormente em razão da possibilidade de aumento de capital pelo sócio majoritário, o Distrito Federal”. Por isso, não seria necessária a intervenção.

Na decisão, o juiz determinou que as decisões de gestão sejam conduzidas pelo Conselho de Administração do BRB, uma vez que o presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que já havia sido afastado por decisão judicial, acabou sendo demitido pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).


O juiz Ricardo Leite também que a indicação do novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, será submetida ao crivo do Banco Central, o que dará mais segurança para condução do banco neste momento.

Segundo o MPF, a intervenção de uma instituição financeira é uma medida excepcional reservada a situações de risco sistêmico ou colapso institucional, como ocorreu com o Banco Master.


Neste caso, foi constatada uma situação financeira grave, sem viabilidade econômica para continuidade das atividades. Por conta disso, o próprio BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, com nomeação de liquidante, para levantar ativos e passivos da instituição, após análise rigorosa documental e patrimonial.

FOCO DA AUDITORIA

A auditoria no BRB vai focar nas operações realizadas com o Banco Master que apresentem suspeitas de fraude ou indícios de serem inequitativas, causando prejuízo à instituição financeira.

Também vai verificar os critérios da análise e avaliação dos ativos oferecidos pelo Banco Master em substituição às carteiras insubsistentes cedidas em 2025.

Quaisquer outras irregularidades eventualmente identificadas também devem ser levadas em conta.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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Ana Maria Campos
Tags: auditoria Banco Central Banco Master brb intervenção juiz justiça MPF Operação Compliance Zero Ricardo Leite

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