Bolsonaristas vão usar passado de Luis Miranda para atacá-lo

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Coluna Eixo Capital – Por Ana Maria Campos

Você compraria um carro do Luís Miranda? Ele se elegeu deputado pelo DF sem pisar em Brasília. Fez campanha pelas redes sociais, de Miami, onde montou negócio de venda de carros… Já dizia que o Brasil era o paraíso da corrupção. Suas postagens no YouTube tinham 500 mil acessos. É um comunicador. Mas a tropa de choque do governo Bolsonaro atrapalhou a transmissão. Nos vídeos postados no YouTube, antes de ser eleito, Luís Miranda ridiculariza o valor do salário mínimo brasileiro e mostra a diferença do poder de compra de quem vive no Brasil para os americanos. Miranda vendia carros que são o sonho de consumo para muitos brasileiros, como Porsches, Maserati, Grand Cherokee e prometia um preço muito inferior ao cobrado nas concessionárias brasileiras. Esse passado de Luís Miranda vai assombrá-lo pelos bolsonaristas, como ocorreu ontem na CPI da Covid.

Servidor do Ministério da Saúde confirma pressão

O servidor Luís Ricardo Fernandes Miranda, do Ministério da Saúde, demonstrou firmeza e conhecimento do assunto durante depoimento prestado ontem na CPI da Covid sobre suspeita de irregularidades na importação de 300 mil doses da vacina indiana Covaxin. A base do governo tentou tumultuar a sessão. Mas Luís Ricardo ficou centrado nos detalhes relacionados à sua atuação e confirmou a pressão de três superiores para acelerar a importação de vacinas com preços superfaturados e pagamento antecipado a uma empresa alheia ao processo em Cingapura, um paraíso fiscal. Até o momento, o servidor concursado dá credibilidade às suspeitas. Por ironia, ele chegou pouco antes do início do depoimento de viagem aos Estados Unidos, onde esteve para tratar do desembaraço da importação de 3 milhões de vacinas da Janssen doadas pelo governo dos Estados Unidos.

A pergunta que não quer calar….

Quem intermediou o negócio da importação da vacina indiana Covaxin no Ministério da Saúde atuou também no DF para facilitar irregularidades na compra de testes de covid?

Mudança de foco

Enquanto a CPI da Covid pegava fogo para o lado do governo Bolsonaro e do senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) mudou o rumo do debate para mirar o governador Ibaneis Rocha (MDB), seu provável adversário na próxima eleição. É que a Precisa, empresa que intermediou a importação da vacina indiana Covaxin, foi investigada na Operação Falso Negativo, sobre a suposta compra superfaturada de testes para covid-19. Izalci voltou a pedir a convocação do ex-secretário de Saúde Francisco Araújo Júnior pela CPI. A investigação dos promotores do Gaeco indicou que houve gestão direta de Francisco em favor da Precisa.

Conselho Pleno aprova contas da OAB/DF

O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) aprovou as contas da atual gestão da entidade e da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF) para o exercício de 2020. A arrecadação da OAB/DF, no período, fechou em R$ 28,5 milhões, frustrando a projeção inicial de que alcançaria R$ 31 milhões, porém a casa termina com saldo positivo de R$ 2,6 milhões. Segundo a OAB/DF, o superavit ocorreu por ter havido corte de despesas, revisão de prioridades e boa governança.

Alta inadimplência

A pandemia trouxe graves consequências para as contas da OAB/DF, pois a inadimplência chegou ao ápice de quase 70%, em julho de 2020. Dentre as medidas mitigadoras adotadas, a OAB/DF retomou seu programa de renegociação de dívidas, com concessão de prazos e descontos significativos. Assim, a inadimplência recuou para 38%.

Só papos

“Quem não deve não treme. Por que Bolsonaro e seus aliados estão tão desesperados com o caso Covaxin? As investigações devem ir até o fim”

Deputado Alessandro Molon (PSB/RJ), sobre as suspeitas relacionadas à importação da vacina Covaxin

“O depoimento hoje (ontem) parece um roteiro feito às pressas, confuso, sem começo, meio e fim. São tantos personagens
não nomeados que mesmo quem acompanha com atenção se perde. Denúncia vazia, enrolação louvada pela oposição”

Senador Marcos Rogério (DEM/RO), vice-líder do governo no Congresso, sobre o depoimento dos irmãos Miranda

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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