Arruda fica em silêncio em interrogatório da Pandora

Compartilhe

JÉSSICA EUFRÁSIO

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, além de 14 outras pessoas, prestam depoimento na 7ª Vara Criminal de Brasília nesta terça (18/12). Os interrogatórios prosseguem na quarta-feira (19/12). Os réus respondem a uma ação penal pelo crime de formação de quadrilha ou bando, referente à denúncia apresentada após a Operação Caixa de Pandora. No primeiro dia das oitivas, o juiz Newton Mendes de Aragão Filho pretende ouvir oito acusados.

O interrogatório começou por volta das 9h20, com a manifestação da defesa do ex-chefe de gabinete de Arruda Domingos Lamóglia, que apresentou um pedido para interrogar os réus. Em seguida, a defesa do ex-governador se manifestou, com a informação de que Arruda só falará em juízo após a conclusão da perícia do gravador que registrou conversas usadas como provas da operação. A informação foi reforçada pelo ex-político, que mencionou a intenção de falar há nove anos. O ex-governador disse ao magistrado que só se posicionará após a finalização do laudo pericial.

Em seguida, por volta das 10h, foi a vez de o ex-vice-governador e empresário Paulo Octávio ser interrogado. Ele afirmou que responderia a todas as perguntas, e negou as acusações apresentadas. “Na questão financeira da campanha (de José Roberto Arruda e Paulo Octávio), não atuei em nada. Eu era vice, me distanciei disso. Não era meu objetivo nem minha missão cuidar da questão financeira”, alegou. O depoimento do empresário continuou com o interrogatório de advogados e do Ministério Público.

Outros réus da Pandora não prestarão depoimento nesta semana. É o caso de Durval Barbosa — que depôs em juízo em maio de 2016 —, e do tesoureiro de campanha de Arruda, José Eustáquio de Oliveira; do secretário da Casa Civil no governo do político, José Geraldo Maciel; e do lobista Renato Araújo Malcotti, cujas penas prescreveram. No caso do crime de formação de quadrilha, o prazo para a extinção da punibilidade após o recebimento da denúncia é de oito anos, mas é reduzido à metade para maiores de 70 anos. Portanto, a data-limite para a execução da pena de Maciel e Malcotti seria em abril.

A norma também valeu para José Eustáquio, que, assim como os outros, tem mais de 70 anos. Essa medida só seria desconsiderada caso tivesse havido uma sentença. Entretanto, quase cinco anos após a denúncia, isso ainda não ocorreu.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

Posts recentes

  • Eixo Capital

Nova ação social do Frei Gilson

Por Ana Maria Campos* Depois da Vigília da Quaresma 2026 na Arena de Pernambuco, que…

10 horas atrás
  • CB.Poder

Ministro Caputo Bastos, do TST, é homenageado com o título de cidadão honorário de Brasília

ANA MARIA CAMPOS O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Guilherme Augusto Caputo Bastos…

22 horas atrás
  • CB.Poder

Sem capitalização, o BRB para de funcionar, afirma presidente do banco

ANA MARIA CAMPOS Foto: Ed Alves/CB Sem a capitalização prevista em projeto de lei que…

1 dia atrás
  • Eixo Capital

“Participação de advogados nas eleições é livre, mas deve acontecer no contexto da sociedade, fora da Ordem”, diz diretora da OAB-DF

Entrevista por Ana Maria Campos publicada neste domingo (1º/3) — Confira a entrevista com Raquel Cândido,…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Justiça contra justiça

Texto por Ana Maria Campos publicado neste domingo (1º/3) — A decisão do Supremo Tribunal…

2 dias atrás
  • Eixo Capital

De delegado a articulador nacional

Texto escrito por Ana Maria Campos e publicado neste sábado (28/2) — O conselheiro Renato…

3 dias atrás