Alvo da PF, obra do Mané Garrincha gerou rombo de R$ 1,3 bilhão para a Terracap

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Além das delações de executivos da construtora Andrade Gutierrez, a investigação que levou à prisão dos ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli, é embasada em informações da Agência de Desenvolvimento de Brasília (Terracap). No mês passado, policiais federais requisitaram à companhia, responsável pelos repasses financeiros para a empreitada, toda documentação referente à reconstrução da arena esportiva. Integrantes do governo local também repassaram aos investigadores o balanço final da Terracap, que apontou um rombo de R$ 1,3 bilhão com a construção do estádio. Essas informações, divulgadas em abril com exclusividade pelo Correio Braziliense, ajudaram a decifrar detalhes das supostas fraudes e desvios de recursos públicos na obra do estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014.

Os procedimentos para a construção do Estádio Nacional Mané Garrincha começaram em 2009, ainda durante a gestão de José Roberto Arruda, quando houve a assinatura do Convênio nº 323/2009. O acordo previa que a Terracap ficaria responsável por reembolsar os pagamentos feitos à empreiteira contratada. A Novacap, por sua vez, realizou as licitações e as contratações para a construção do Mané Garrincha. A Andrade Gutierrez e a Via Engenharia ficaram responsáveis pela empreitada.

Rombo bilionário

Inicialmente, o convênio previa o repasse de R$ 500 milhões para construir a arena brasiliense para a Copa do Mundo de 2014. Quando ficou pronta, o custo final era três vezes superior ao estimado à época do acordo. Isso ocorreu graças à assinatura de vários aditivos e de outros acordos, que permitiram a contratação de serviços que não estavam previstos originalmente. Só em 2012, a Terracap repassou R$ 670,9 milhões à Novacap — valor quase quatro vezes maior do que os investimentos feitos em urbanização em todo o Distrito Federal. No ano seguinte, o montante dos repasses ficou em R$ 470,4 milhões.

Como todos os gastos foram contabilizados como investimento, entre 2010 e 2014, a empresa registrou vantagens contábeis expressivas, sem que isso se traduzisse em ganho financeiro. Um exemplo disso é o fato de que, em dezembro de 2014, a Terracap divulgou um lucro líquido de R$ 785 milhões, mas, no início de 2015, o comando da companhia não tinha sequer recursos suficientes para pagar os tributos e salários dos servidores. No último relatório de administração da Terracap, referente a 2015, as estatísticas indicaram um lucro líquido de R$ 19 milhões — o que representa uma redução de 97,52% em comparação com o ano anterior.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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