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A máscara do falso advogado

Publicado em Eixo Capital

Coluna Eixo Capital, publicada em 17 de fevereiro de 2026, por Ana Dubeux

Mais de 1,5 mil moradores de Brasília denunciaram ter sido vítimas do golpe do falso advogado desde o ano passado. O prejuízo total é de R$ 1.339.101,80. As denúncias chegaram por um canal on-line criado pela Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF).

A OAB, o Tribunal de Justiça do DF e o CNJ estão em alerta para o número crescente de golpes desse tipo. Em entrevista a Mariana Niederauer e Ana Maria Campos no Podcast do Correio na última semana, o conselheiro Rodrigo Badaró ressaltou que esse é um dos problemas que mais preocupam o Conselho atualmente. “Isso é uma catástrofe, atinge milhões de cidadãos e de advogados”, alertou.

Os dados da OAB/DF mostram que a fraude está espalhada por todo o Distrito Federal. As denúncias encaminhadas à Ordem são, em regra, acompanhadas de boletim de ocorrência, e há registros formalizados em 26 delegacias de polícia da capital.

Mas os brasilienses estão espertos: apenas 8,13% das denúncias resultaram em prejuízo financeiro. Quando o golpe é concretizado, porém, a média do prejuízo fica em R$ 10,5 mil. A vítima que registrou a maior perda patrimonial depositou R$ 131 mil para os bandidos.

Fique atento para não cair também: o fraudador começa acessando dados pessoais da vítima de forma ilícita e vê que ela tem algum processo judicial pendente e que aguarda o resultado para receber indenização ou precatório, por exemplo. A partir daí, ele se apresenta como representante de um escritório de advocacia que de fato existe, ganha a confiança da pessoa e pede que ela transfira dinheiro para uma conta.

STM e trama golpista

Entre os dias 20 e 25 de fevereiro, o Superior Tribunal Militar (STM) deve receber as defesas escritas dos cinco oficiais-generais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por atentado à democracia e tentativa de golpe de Estado. A partir daí, terá início a análise das representações de indignidade para o oficialato, apresentadas no início do mês pelo procurador-geral do Ministério Público Militar, Clauro Bortolli.

Os representados — Jair Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Neto e Almir Garnier — têm prazo de 10 dias para apresentar defesa, contado a partir da notificação, iniciada em 10 de fevereiro, conforme registros no sistema do tribunal.

Após o recebimento das manifestações, os ministros relatores vão analisar os argumentos e elaborar seus votos, sem prazo definido. Processos desse tipo costumam tramitar entre seis e nove meses no STM. Se as representações forem aceitas, os militares poderão perder o posto e a patente, e o julgamento deve ocorrer ainda ao longo deste ano, com possibilidade de avançar até o próximo. Ou seja: atravessará o período eleitoral.

Sem alarde, BRB muda executivos da era PHC

Discretamente, a nova gestão do BRB vem promovendo mudanças sucessivas no grupo de executivos que trabalhou com Paulo Henrique Costa. O movimento mais recente foi a saída de Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e de Celivaldo Elói Lima de Sousa como integrantes do conselho fiscal do banco.

Na semana passada, quem pediu para sair foi o diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso. Ele foi um dos atingidos pelo caso BRB-Master. Em um primeiro momento, elaborou um parecer no qual alertava sobre os riscos da operação financeira entre as duas instituições. Em seguida, foi torpedeado por adversários que agiram para deixá-lo em uma
situação constrangedora no BRB.

Jacques Veloso é tido como uma pessoa de confiança do governador Ibaneis Rocha, que deu carta branca ao atual presidente do BRB, Nelson Souza, para fazer todas as alterações que julgasse necessárias. O novo executivo, que tem trabalhado mais de dez horas por dia desde a posse, está finalizando a montagem do seu time e deve promover, nas próximas semanas, outras profundas mudanças na gestão do banco.

Nelson Souza tem cobrado foco, dedicação e austeridade da equipe, sem descuidar da boa relação com os colaboradores da empresa. Ele quer um ambiente de tranquilidade e trabalho eficiente. Em janeiro, o BRB comunicou mudanças na diretoria de controles e riscos. Luana Ribeiro foi substituída por Ana Paula Teixeira, vinda do Banco do Brasil.

Recentemente, também houve troca na Diretoria de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores. O cargo era ocupado por Dário Garcia, afastado na operação Compliance Zero. Para essa vaga foi escolhido Antônio de Araújo. Executivo, com passagens pela Elo Cartões e Banco do Brasil. Paralelamente às substituições, o BRB tenta executar um plano de reorganização financeira após o impacto provocado pelo caso Master. A estratégia, aprovada pelo Banco Central, prevê a possível venda de ativos e diálogo permanente com a autoridade reguladora a fim de evitar medidas mais contundentes.