DA COLUNA EIXO CAPITAL
À Queima Roupa
Fernando César Costa
Delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF)
“A sociedade está sendo alvo de graves crimes, que muitas vezes são quase impossíveis de serem investigados em razão da falta de acesso dos dados desses aplicativos de mensagens por celular”
Vimos na semana passada a prisão do vice-presidente do Facebook, Diego Dzodan. Acha válida uma medida como essa porque a empresa se nega a passar informações para investigações policiais?
Ou se prende um executivo e força uma revisão dos procedimentos da empresa, com a submissão dela às leis nacionais, ou simplesmente se desabilita o serviço.
Mas isso não é prejuízo para o país inteiro? Hoje em dia quase todo mundo usa mais WhatsApp do que qualquer outro serviço de comunicação…
Então, nós temos que saber que isso estará sendo usado para cometer crimes e a polícia não vai ter acesso, ou seja, a investigação fica muito mais difícil e a sociedade está sendo alvo de graves crimes, que muitas vezes são quase impossíveis de serem investigados em razão da falta de acesso dos dados desses aplicativos de mensagens por celular.
O que é mais importante: a liberdade de comunicação ou a investigação policial?
Não é uma questão de importância. É uma questão de proporcionalidade. Nenhum direito individual é absoluto, nem mesmo o direito à vida. Não pode ser absoluto. Ele tem que ser relativizado. Não se pode fazer uso de uma liberdade constitucional para atentar contra um ordenamento jurídico. Não é atentar contra um ordenamento jurídico, é atentar contra a vida, a integridade física e a liberdade das demais pessoas.
Mas se você tira do ar um serviço como o WhatsApp, as pessoas recorrem a outros aplicativos de comunicação gratuitos… Do que adianta?
Tem como impedir o funcionamento de todos esses aplicativos. O que vai acontecer? Lógico que isso vai ser temporário. As empresas proporcionam esses aplicativos porque ganham dinheiro, estão lucrando. É lógico que elas não vão querer perder o mercado brasileiro. Uma vez que for impossível de operar no Brasil sem se submeter à legislação brasileira, elas vão se submeter. O que ocorre hoje é que elas não se submetem. Essa é uma questão de soberania. O Estado é brasileiro.
Por que não se submetem?
Porque elas não têm escritórios aqui, os serviços continuam a ser difundidos na rede. Nós estamos vendo que várias decisões que determinaram a suspensão do serviço do WhatsApp vêm sendo sistematicamente derrubadas sob o argumento de que não seria razoável. Então, o razoável é permitir que crimes e mais crimes sejam praticados com a utilização desses aplicativos?
Você sempre lida com investigações envolvendo crimes graves. Essa impossibilidade de acesso a dados de mensagens inviabiliza o seu trabalho?
O impacto tem sido muito grande nas investigações. Hoje o trabalho tem que ser feito de forma dobrada para suprir toda essa comunicação que é feita pelos criminosos por serviços de mensagem eletrônica. Por isso, temos que desenvolver novas técnicas de investigação para suprir carência de provas por interceptação telefônica. É lógico que isso é possível. As investigações têm demonstrado isso. Toda atividade criminosa grave no DF teve uma resposta, mas o trabalho é dobrado, o tempo é dobrado. A sociedade fica a mercê de condutas graves por mais tempo.


8 thoughts on ““A recusa do Facebook em liberar dados para investigações criminais prejudica a população”, diz delegado”
a policia do país tem que ter a soberania de investigaçao sobre qualquer rede social independente se ela tem ou nao escritorios no país é a soberania do mesmo que esta em jogo
Creio que as instituições devem respeitar as leis brasileiras.Se as redes sociais estão sendo usadas para a prática de crimes é de bom senso permitir que sejam fiscalizadas,para o bem comum.
“Nenhum direito individual é absoluto, nem mesmo o direito à vida” !!!
Esta frase do autor me da arepia e me lembro momentos tenebrosos da humanidade. Até onde se vai com o discurso securitario.
Ouso discordar. Existe pena de morte no Brasil em tempos de guerra (Código Penal Militar). A legítima defesa é uma excludente de criminalidade, podendo qualquer um matar outro em defesa da própria vida ou da de outrem. Portanto o direito à vida não é mesmo absoluto.
O direito a não “ser torturado” e não “ser extraditado para o nato” não encontram exceção, sendo assim, são absolutos…
Se o cidadão esta violando a legislação e atentando contra a vida alheia é OBRIGAÇÂO das autoridades evitar que isso aconteça INCLUSIVE usando força letal se isso for necessário.
Se este for o seu caso é melhor se arrepiar mesmo pois a polícia SEM DÚVIDA vai cumprir se DEVER constitucional.
Facebooks, googles, yahoos e outros servços PRECISAM cumprir as regras dos países que pretendem fazer negócio isso é ÓBVIO.
Caso se recusem PRECISAM ser interrompidos e caso não se enquadrem BANIDOS definitivamente.
Facebooks, googles, yahoos e outros servços precisam cumprir as regras dos países que pretendem fazer negócio isso é óbvio.
Caso se recusem precisam ser interrompidos e caso não se enquadrem banidos definitivamente.