pautas-bomba no Congresso

Setor produtivo em estado de alerta máximo com pautas-bomba no Congresso

Publicado em Coluna Capital S/A

Por SAMANTA SALLUM

Esforço concentrado do Congresso Nacional vai analisar, nesta semana, propostas de grande impacto para a setor empresarial do país, como o fim da jornada 6×1 e a isenção de impostos para as compras de até US$ 50 em plataformas digitais, conhecida como “taxa das blusinhas”. As Confederações de todos os segmentos, que incluem comércio, serviços, indústria e agricultura, estão em alerta máximo diante do cenário iminente: a aprovação das duas pautas-bomba para o empresariado. Em relação ao fim da escala 6×1, esperam pelo menos sensibilizar os parlamentares a aprovarem um tempo maior para a transição.

Agravantes do momento econômico

O setor produtivo destaca que a economia brasileira já enfrenta condicionantes severos: juros altos, crédito caro e restritivo, endividamento recordes das famílias e inadimplência. Ao mesmo tempo, o fim da taxa das blusinhas, considerado mais um agravante na concorrência desleal para o varejo nacional, também é avaliado com muita como parte do pacote de aprovações. “Em um período sensível em que interesses políticos atravessam escolhas econômicas”, diz o manifesto do setor.

CNC lança campanha emergencial

Diante do avanço no Senado Federal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao lado de 34 federações e sindicatos filiados, lançaram, no final de semana, uma campanha nacional conjunta com o lema: “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não.”

CNI: 30 anos para compensar deficit de produtividade com jornada

Em outra frente de ação com os parlamentares, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta hoje um estudo que analisa os efeitos da mudança na economia com o fim da escala 6×1.
“O Brasil pode levar de 17 a 30 anos para acumular o ganho de produtividade necessário para compensar uma eventual redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, associada à alteração da escala 6×1”, informa a entidade.

Necessidade de salto na produtividade

A projeção considera o cenário em que as empresas mantêm empregos e salários e absorvem a queda nas horas trabalhadas sem desconto na remuneração. Nesse caso, o total de horas trabalhadas cairia em cerca de7,8%, e a eficiência por hora trabalhada precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5%.” Na prática, seria necessário alcançar um salto de aumento de produtividade para compensar a redução do tempo disponível de trabalho”, segundo o estudo. Ele aponta que, de 1981 a 2024, a produção por hora trabalhada cresceu, em média, 0,5% ao ano. Nesse ritmo, seriam necessários cerca de 17 anos para acumular o ganho estimado.

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