Por SAMANTA SALLUM
O Governo do Distrito Federal (GDF) está fazendo um inventário patrimonial para identificar de onde podem vir recursos para fazer o aporte financeiro necessário ao BRB. O GDF é o acionista controlador do banco e está se preparando para garantir a capitalização da instituição financeira com o prejuízo causado com as operações junto ao banco Master.
A coluna apurou que um dos caminhos seria pegar empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos; e, como garantia, oferecer as ações do GDF em outras empresas de seu controle como Terracap, Caesb e CEB.
O valor de quanto será necessário ainda não está definido oficialmente. Mas há estimativas de que chegue a R$ 5 bilhões.
Uma coisa é certa: o GDF tem extenso patrimônio e pode socorrer o BRB sem ter que mexer no orçamento direto. Isso que faz o novo presidente do banco, Nelson de Souza, ter a convicção para repetir em suas declarações oficiais que o “banco não vai quebrar”.
Por orientação do governador Ibaneis Rocha e de Nélia Souza, as áreas técnicas do GDF e de Nelson no BRB estão formulando caminhos para o aporte financeiro.
O secretário de Economia do GDF, Daniel Izaias, chegou a citar as empresas como exemplo da robustez de patrimônio do DF em entrevista exclusiva ao Correio, dias atrás, apesar de não ter entrado em detalhes.
Busca por aprovação dos distritais
Para isso, usar açoēs de empresas , como a CEB, seria necessário que a Câmara Legislativa do DF aprovasse uma lei distrital. Há outras opções de frentes de ação para obter recursos de aporte ao BRB, como parcerias com instituições do setor privado. Apesar de a oposição a Ibaneis exigir a responsabilidade e punição pelas operações do BRB com o banco Master, que incluem CPI e até impeachment, ninguém quer ver o banco quebrar.
Entidades do setor produtivo do DF como Sinduscon, Ademi e Asbraco também se manifestarem em apoio ao BRB com “sinal de confiança de de que a instituição tem condições de se manter sólida.”
Quem analisa de forma pragmática, e pela ótica financeira, não acredita em uma federalização iminente. A federalização parte de um acordo entre governos estaduais e o federal, em que a União socorre a instituição financeira incorporando-a, por exemplo, ao Banco do Brasil, como ocorreu com o Banespa e outros bancos públicos na época do Proer.
Há também, no histórico de socorros do governo federal a instituições financeiras no passado, os bancos PanAmericano, de Silvio Santos, e Votorantim, de Antônio Ermirio de Moraes. O governo federal ajudou as instituições em operações com parcerias do setor privado.
Divergência política
Os analistas apontam que a crise do BRB tem solução viável. E o que está inflando ainda mais a gravidade da situação é a questão politica: a divergência entre os governos local e federal. O que faz o presidente Lula, por enquanto, não estender a mão, tampouco o governador Ibaneis a estender a dele em pedido de socorro. Por isso, o caminho da solução local e interna entre GDF e BRB pode ser a mais forte no momento.

