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Efeito Mounjaro nas farmácias: engorda vendas; e prejuízos com assaltos

Publicado em Coluna Capital S/A

Empresas registraram milhões em perdas, no último ano, com a ação de quadrilhas que revendem as canetas emagrecedoras roubadas. Em caso recente, criminosos levaram R$ 60 mil em produtos de drogaria no Noroeste 

Por SAMANTA SALLUM

O aumento de assaltos a farmácias, tendo como alvo as canetas emagrecedoras, está causando impacto no balanço contábil das empresas. Em várias regiões do país, como no Distrito Federal, redes de farmácias reforçam a segurança. Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que valem a partir de R$ 1 mil a unidade, tornaram-se objetos de cobiça de ladrões. A RD Saúde, grupo que administra as redes de farmácia Raia e Drogasil, reportou um grande aumento nos valores reservados para cobrir furtos e roubos em lojas. A companhia precisou usar mais de R$ 13 milhões em 2025. O lucro do grupo RD poderia ter sido mais alto no ano se não fosse o prejuízo causado pelos produtos roubados.

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) criou um comitê com representantes das 29 maiores redes farmacêuticas para monitorar a “crescente incidência de furtos e roubos nesses estabelecimentos”.

Um dos casos recentes no DF ocorreu numa drogaria do Noroeste. Foi invadida de madrugada por criminosos que levaram R$ 60 mil em canetas emagrecedoras.

Problema e solução

Da mesma forma que virou um problema para as empresas terem de lidar com a onda de assaltos, as canetas emagrecedoras alavancam vendas e foram a salvação do setor. Elas relatam queda no movimento geral do comércio de medicamentos. O único segmento a ter grande alta foi o das canetas.

O empresário Alvaro Silveira Jr., à frente da Drogaria Brasil, confirma a situação. “As canetas emagrecedoras são uma revolução na medicina, pois seus efeitos positivos para a saúde vão muito além do emagrecimento. Então, projetamos que as vendas devam crescer ainda mais. E essa receita está sendo vital para muitas empresas. Mas temos também essa outra preocupação: a venda em mercado clandestino, revenda de produtos roubados e contrabandeados que não seguem as devidas normas de armazenamento. E esse aumento no número de roubos aos estabelecimentos comerciais”, contou à coluna.

Governantes no embalo

A vice-governadora Celina Leão declarou recentemente em evento do GDF que pretende oferecer o medicamento no sistema de saúde pública. O presidente dos EUA, Donald Trump, também entrou em cena nos para facilitar o acesso às canetas emagrecedoras pelos norte-americanos. Promoveu um acordo com farmacêuticas para reduzir consideravelmente o preço. Ainda não está claro o impacto da medida no Brasil. Os medicamentos envolvidos na negociação são o Zepbound e o Wegovy, fabricados, respectivamente, por Ely Lilly e Novo Nordisk.

Fenômeno de demanda

Os analistas de mercado apontam crescimento de vendas do grupo RD, que teve recentemente as ações valorizadas. Grande parte do ânimo vem dos medicamentos à base de GLP-1, que se transformaram em um fenômeno de demanda. Somente o Mounjaro registrou R$ 1 bilhão em vendas trimestrais no país.

Queda de patente

Outro fator favorável ao setor é a queda da patente do Ozempic no segundo semestre de 2026. Isso deve reduzir preços e ampliar ainda mais o acesso ao medicamento.

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