Governador alega que houve queda na arrecadação de ICMS e ISS. Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Distrito Federal (AAFIT) rebateu a informação: “Essa não é a causa da piora nas contas públicas do DF”.
Por SAMANTA SALLUM
O governador Ibaneis Rocha confirmou à Capital S/A que o caixa do GDF enfrenta dificuldades e que vai fazer um “aperto” nas contas públicas. Ele contou que mandou a Secretaria de Economia e todas as demais secretarias e órgaõs do governo local fazerem um levantamento de onde e como podem reduzir gastos nos próximos meses. “Quando eu voltar de viagem, vou analisar isso. O que sei é que vamos precisar cortar em todas as áreas”, disse à coluna.
Arrumando a casa até abril
Ibaneis, que no momento está de licença do cargo para férias, também reafirmou que deixará o GDF em abril. Vai se desincompatibilizar em abril para se dedicar aos preparativos e articulações para a campanha ao Senado. Explicou que pretende deixar a casa arrumada para Celina Leão assumir a função de governadora.
“Tudo que será feito até lá está sendo conversado com ela. Mas, se Celina quiser fazer alguma outra coisa, algum outro investimento, a responsabilidade será dela”, explicou.
Desaquecimento econômico
O atual chefe do Buriti atribuiu a dificuldade financeira do GDF à queda da arrecadação tributária como consequência do desaquecimento econômico causado pela alta taxa de juros. E essa situação, segundo Ibaneis, é reflexo do descontrole fiscal do governo federal. “Só o Lula não quer ver isso”, reforçou, referindo-se ao presidente da República.
O relatório da Receita do DF, no entanto, fechado em novembro de 2025 registrava crescimento real de arrecadação de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024. Reflexo do aumento da alíquota do ICMS de 18 para 20% no DF. O resultado acumulado era de mais de R$ 24 milhões.
Reação dos Auditores fiscais do DF
A Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Distrito Federal (AAFIT) rebateu a declaração do governador de queda de arrecadação. Segundo a entidade, “tal alegação não encontra respaldo na realidade.”
Os auditores apontam que há, sim, desafios econômicos enfrentados pelo Distrito Federal, especialmente no contexto de elevadas taxas de juros e desaceleração em alguns segmentos. “Mas é fundamental esclarecer que a arrecadação tributária não é a causa da piora nas contas públicas do DF”, afirmam. (Veja nota abaixo)
Lei aprovada prevê aumento de arrecadação em 2025
A Lei Orçamentária do DF de 2026 aprovada pela Câmara Legislativa , no final de dezembro, consta que o aumento de arrecadação do GDF será de cerca de 8% com ICMS, ISS, e demais impostos. O percentual foi calculado pelas projeções da própria Secretaria de Economia que enviou aos distritais a proposta do orçamento para ser aprovada. Mas, pelo jeito, esse acréscimo não será suficiente para cobrir os gastos previstos se não houver corte.
Efeito BRB/Master
Nos bastidores, a análise é de que a preocupação financeira decorre da crise BRB/ Master. Uma possível necessidade em provisionar aporte ao BRB com recursos do tesouro local.
R$ 74,4 bilhões — Valor total do orçamento do DF previsto para 2026
11,71% — Índice de crescimento em relação ao ano anterior (R$ 66,6 bilhões)
R$ 45,9 bilhões — O que corresponde ao Tesouro Distrital
R$ 28,4 bilhões — Vêm do Fundo Constitucional
Decreto limita despesas
Como a coluna noticiou no início da semana, uma medida de controle de gastos foi estampada no Diário Oficial do DF. Foi publicado decreto que trata da limitação da despesa pública para o início do exercício financeiro de 2026. Segundo o GDF, para garantir “o equilíbrio fiscal e o cumprimento das normas orçamentárias vigentes, especialmente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).”
De acordo com o decreto, fica autorizada a liberação de apenas 1/12 do orçamento aprovado para cada unidade orçamentária. “Essa etapa é fundamental para alinhar a programação mensal de desembolso à expectativa de arrecadação do DF”, reforçou a Secretaria de Economia.
- Trechos da na nota oficial da Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Distrito Federal:
“A realidade aponta justamente no sentido contrário: a arrecadação tem se mantido pujante e em crescimento, sendo um fator positivo para os cofres distritais. Os auditores-fiscais da Receita do Distrito Federal, com sua dedicação, profissionalismo e eficiência reconhecidos, têm desempenhado papel essencial na garantia de ingresso robusto de recursos tributários aos cofres públicos.
O trabalho técnico e imparcial da carreira, o aprimoramento de processos defiscalização e combate à sonegação, resultou em desempenho positivo da arrecadação, mesmo diante de um cenário econômico adverso.
A AAFIT reafirma seu compromisso com a defesa da justiça fiscal, da transparência e da valorização do serviço público de excelência prestado pela Receita Tributária do DF. Os auditores-fiscais continuarão atuando com rigor técnico e ética, paraque os recursos públicos sejam adequadamente arrecadados e aplicados embenefício da sociedade brasiliense.
Brasília, 09 de janeiro de 2026.
AAFIT – Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Distrito Federal”
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