{"id":728,"date":"2026-05-29T17:46:17","date_gmt":"2026-05-29T20:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/?p=728"},"modified":"2026-05-29T17:55:26","modified_gmt":"2026-05-29T20:55:26","slug":"professora-o-poder-do-amor-a-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/2026\/05\/29\/professora-o-poder-do-amor-a-profissao\/","title":{"rendered":"Professora, o poder do amor \u00e0 profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Cristiane Moura Foly de Freitas<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_729\" aria-describedby=\"caption-attachment-729\" style=\"width: 332px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-729\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62.jpeg\" alt=\"\" width=\"332\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62.jpeg 1200w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62-225x300.jpeg 225w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62-800x1067.jpeg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62-550x733.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2026\/05\/28f39f35-5a6f-4999-89af-12890a231f62-230x307.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-729\" class=\"wp-caption-text\">Maria Aparecida de Souza Menezes Lima e Cristiane Moura Foly de Freitas<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Em homenagem \u00e0 minha diretora Maria Aparecida de Souza Menezes Lima*<\/strong><\/p>\n<p>Ser professora dos anos iniciais do ensino fundamental atualmente, \u00e9 assumir diariamente o compromisso de tocar vidas em um momento decisivo do desenvolvimento humano. \u00a0 \u00a0 A doc\u00eancia nessa etapa vai al\u00e9m da transmiss\u00e3o de conte\u00fado: envolve acolher, escutar, orientar, acreditar e, sobretudo, amar. Ao longo de d\u00e9cadas, esse amor foi constantemente testado por desafios estruturais, emocionais e institucionais que atravessam o cotidiano escolar.<\/p>\n<p>A doc\u00eancia nessa etapa \u00e9 uma profiss\u00e3o marcada por mudan\u00e7as curriculares frequentes, exig\u00eancias institucionais crescentes, demandas emocionais intensas e, muitas vezes, condi\u00e7\u00f5es de trabalho adversas. Ainda assim, muitas professoras permanecem em sala de aula por longos anos, sustentadas por um profundo compromisso \u00e9tico, humano e pedag\u00f3gico com a educa\u00e7\u00e3o e com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, emerge a seguinte problematiza\u00e7\u00e3o: o que mant\u00e9m viva a motiva\u00e7\u00e3o e o engajamento docente ap\u00f3s 37 anos de atua\u00e7\u00e3o? Defende-se, neste artigo, que o amor \u00e0 profiss\u00e3o, expresso no chamado \u201cbrilho nos olhos\u201d, na esperan\u00e7a cotidiana e na cren\u00e7a de que a educa\u00e7\u00e3o transforma vidas, constitui um dos elementos mais significativos para a longevidade e a qualidade da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>O amor \u00e0 profiss\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da identidade docente<\/strong><\/p>\n<p>A identidade docente n\u00e3o nasce pronta,\u00a0 ela se constr\u00f3i ao longo do tempo, tecida pelas experi\u00eancias vividas na escola, pelos encontros com os alunos, pelos desafios enfrentados e pelo sentido atribu\u00eddo ao ato de ensinar. Cada turma deixa marcas, cada crian\u00e7a ensina algo novo, e cada ano letivo acrescenta camadas \u00e0 identidade profissional da professora.<\/p>\n<p>O amor \u00e0 profiss\u00e3o ultrapassa o simples gosto por ensinar conte\u00fado. Ele se traduz no compromisso com o desenvolvimento integral do aluno e na responsabilidade social do ato educativo. Para Freire (1996), ensinar exige amorosidade, respeito, \u00e9tica e esperan\u00e7a, pois a pr\u00e1tica educativa \u00e9 um ato profundamente humano. Conforme afirma o autor: \u201censinar exige respeito aos saberes dos educandos\u201d (FREIRE, 1996, p. 30). Manter o \u201cbrilho nos olhos\u201d ap\u00f3s d\u00e9cadas de doc\u00eancia significa preservar essa identidade comprometida, mesmo diante do cansa\u00e7o f\u00edsico, emocional e das dificuldades estruturais da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Afetividade e sentido do trabalho pedag\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>A afetividade ocupa lugar central no processo de ensino e aprendizagem, especialmente na inf\u00e2ncia, fase em que a crian\u00e7a constr\u00f3i sua rela\u00e7\u00e3o com o saber e com o mundo. Nos anos iniciais, o olhar atento da professora, a palavra de incentivo e a presen\u00e7a constante tornam-se mediadores fundamentais da aprendizagem.<\/p>\n<p>Para a professora que permanece d\u00e9cadas em sala de aula, o trabalho ganha sentido no reconhecimento do crescimento dos alunos, no reencontro com ex-estudantes e na certeza de ter contribu\u00eddo para trajet\u00f3rias de vida. Dejours (2004) afirma que o sofrimento no trabalho pode ser transformado em prazer quando o sujeito reconhece o valor social e humano de sua a\u00e7\u00e3o. A convic\u00e7\u00e3o de que se faz a diferen\u00e7a na vida das crian\u00e7as sustenta emocionalmente a docente e fortalece sua perman\u00eancia na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancia, resist\u00eancia e esperan\u00e7a, o brilho nos olhos mesmo ap\u00f3s 37 anos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Permanecer 37 anos em sala de aula \u00e9 mais do que um dado cronol\u00f3gico; \u00e9 uma narrativa de resist\u00eancia, entrega e esperan\u00e7a. Ao longo desse percurso, a professora atravessa diferentes gera\u00e7\u00f5es, reformas educacionais, mudan\u00e7as sociais e culturais, sem perder de vista o essencial: a crian\u00e7a como centro do processo educativo.<\/p>\n<p>Esse tempo de experi\u00eancia exige constante reinven\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de t\u00e9cnicas, mas sim por meio de um trabalho de reflexividade cr\u00edtica sobre as pr\u00e1ticas e de (re)constru\u00e7\u00e3o permanente de uma identidade pessoal e profissional\u201d (N\u00d3VOA, 1992, p. 25). A professora experiente n\u00e3o \u00e9 aquela que repete m\u00e9todos, mas aquela que ressignifica saberes e permanece aberta ao aprendizado.<\/p>\n<p>O amor \u00e0 profiss\u00e3o, nesse contexto, atua como for\u00e7a vital que impede o endurecimento do olhar e a mecaniza\u00e7\u00e3o do ensino. Manter o \u201cbrilho nos olhos\u201d significa continuar acreditando no potencial de cada aluno, mesmo quando os desafios parecem maiores que as for\u00e7as. Trata-se de uma esperan\u00e7a ativa, constru\u00edda no cotidiano da sala de aula.<\/p>\n<p><strong>O saber da experi\u00eancia na media\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo de 37 anos, a professora de anos iniciais em escolas particulares torna-se uma especialista na gest\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, especialmente com as fam\u00edlias. Tardif (2014) aponta que o saber docente \u00e9 social e constru\u00eddo no di\u00e1logo. Em uma trajet\u00f3ria duradoura, a professora deixa de apenas &#8220;dar aula&#8221; para se tornar uma refer\u00eancia de confian\u00e7a para pais e respons\u00e1veis, que muitas vezes chegam \u00e0 escola carregados de ansiedades contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>O sentido do trabalho, nesse contexto, \u00e9 renovado cada vez que a experi\u00eancia da docente acalma as inseguran\u00e7as familiares, estabelecendo uma parceria real em prol da crian\u00e7a. Esse &#8220;brilho nos olhos&#8221; \u00e9 o que permite \u00e0 professora acolher as demandas da fam\u00edlia sem perder a firmeza de seu papel pedag\u00f3gico. \u00c9 a autoridade que n\u00e3o vem da imposi\u00e7\u00e3o, mas da sabedoria acumulada, que permite entender que, por tr\u00e1s da cobran\u00e7a, existe o desejo de acerto e que a escola \u00e9 o lugar do equil\u00edbrio.<\/p>\n<p><strong>\u00a0O &#8220;brilho nos olhos&#8221; como fruto da gratid\u00e3o e do pertencimento<\/strong><\/p>\n<p>Todos os anos de experi\u00eancia, acima de tudo, tornaram-se uma oportunidade privilegiada de construir um legado afetivo e profissional. Longe de ser apenas um ambiente de exig\u00eancia, a escola privada revela-se, nesta trajet\u00f3ria, como um espa\u00e7o de conviv\u00eancia e trocas profundas. Para a docente que dedica d\u00e9cadas a esse cen\u00e1rio, o &#8220;brilho nos olhos&#8221; \u00e9 alimentado pela gratid\u00e3o de ter acompanhado o crescimento de diversas gera\u00e7\u00f5es, muitas vezes educando os filhos de seus antigos alunos, em um ciclo de confian\u00e7a que raros profissionais t\u00eam a honra de vivenciar.<\/p>\n<p>O sentido do trabalho \u00e9 renovado pela gratid\u00e3o por cada oportunidade de aprendizado compartilhado. Manter o entusiasmo ap\u00f3s tanto tempo significa celebrar a estabilidade que permite o aperfei\u00e7oamento constante e a constru\u00e7\u00e3o de amizades que ultrapassam os muros da escola. Para a docente, o &#8220;fazer a diferen\u00e7a&#8221; \u00e9 concretizado na certeza de que sua presen\u00e7a ajudou a moldar n\u00e3o apenas curr\u00edculos, mas hist\u00f3rias de vida, fazendo da escola particular uma extens\u00e3o de sua pr\u00f3pria casa e de sua identidade mais nobre.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>DEJOURS, Christophe. <em>A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho<\/em>. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2004.<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. <em>Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1996.<\/p>\n<p>N\u00d3VOA, Ant\u00f3nio. <em>Os professores e a sua forma\u00e7\u00e3o<\/em>. Lisboa: Dom Quixote, 1992.<\/p>\n<p>TARDIF, Maurice. <em>Saberes docentes e forma\u00e7\u00e3o profissional<\/em>. 17. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/p>\n<p>VYGOTSKY, Lev S. <em>A forma\u00e7\u00e3o social da mente<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001.<\/p>\n<p>WALLON, Henri. <em>A evolu\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica da crian\u00e7a<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Diretora do Centro Educacional Leonardo da Vinci, inspira\u00e7\u00e3o desse artigo. Sua trajet\u00f3ria nos lembra, com carinho, que educar vai muito al\u00e9m da sala de aula: \u00e9 manter vivo o brilho nos olhos, que deve sempre reger a doc\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristiane Moura Foly de Freitas Em homenagem \u00e0 minha diretora Maria Aparecida de Souza Menezes Lima* Ser professora dos anos iniciais do ensino fundamental atualmente, \u00e9 assumir diariamente o compromisso de tocar vidas em um momento decisivo do desenvolvimento humano. \u00a0 \u00a0 A doc\u00eancia nessa etapa vai al\u00e9m da transmiss\u00e3o de conte\u00fado: envolve acolher, escutar, orientar, acreditar e, sobretudo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":152,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/152"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=728"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":734,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions\/734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/brasiliatododia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}