{"id":11510,"date":"2026-07-09T08:31:32","date_gmt":"2026-07-09T11:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11510"},"modified":"2026-07-09T08:31:53","modified_gmt":"2026-07-09T11:31:53","slug":"isolamento-politico-de-lula-pode-favorecer-oposicao-no-segundo-turno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/azedo\/isolamento-politico-de-lula-pode-favorecer-oposicao-no-segundo-turno\/","title":{"rendered":"Isolamento pol\u00edtico de Lula pode favorecer oposi\u00e7\u00e3o no segundo turno"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O presidente Lula continua favorito, mas seu desempenho est\u00e1 estagnado. A pesquisa Meio\/Ideia mostra como esse equil\u00edbrio \u00e9 mais fr\u00e1gil do que parece<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Divulgada nessa quarta-feira, a pesquisa Meio\/Ideia de julho permite uma leitura inc\u00f4moda para o Pal\u00e1cio do Planalto: por ora, o risco para a reelei\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva n\u00e3o \u00e9 o surgimento de um advers\u00e1rio competitivo carism\u00e1tico ou capaz de atrair o centro pol\u00edtico e viabilizar a terceira via no primeiro turno, mas a persist\u00eancia do seu pr\u00f3prio isolamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O problema central do presidente n\u00e3o \u00e9 apenas a exist\u00eancia de um campo oposicionista numeroso e ideologicamente alinhado contra ele; \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o entre um teto eleitoral aparentemente consolidado e o n\u00e3o surgimento de uma candidatura com a qual possa se alinhar no segundo turno.<\/p>\n<p>O desafio de Lula \u00e9 a incapacidade de desidratar a direita fragmentada, antes que ela se recomponha no segundo turno. O pior dos mundos, portanto, n\u00e3o \u00e9 enfrentar um &#8220;supercandidato&#8221; conservador. \u00c9 continuar preso a uma esp\u00e9cie de soberbo isolamento, confiando demais na for\u00e7a do pr\u00f3prio recall eleitoral e menos na necessidade de reorganizar uma maioria pol\u00edtica e social mais ampla.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da pesquisa mostram isso. Na espont\u00e2nea, Lula aparece com 32,8%, contra 20,3% de Fl\u00e1vio Bolsonaro, mas o dado mais eloquente \u00e9 o tamanho do eleitorado ainda desorganizado: 33,1% dizem n\u00e3o saber em quem votar, e 8,5% apontam branco, nulo ou ningu\u00e9m. Ou seja, mesmo liderando, Lula n\u00e3o ocupa o espa\u00e7o inteiro do jogo; ele mant\u00e9m um n\u00facleo robusto, mas ainda longe de qualquer posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na estimulada de primeiro turno com Fl\u00e1vio Bolsonaro, o presidente tem 40,4%, contra 32% do senador, enquanto Ronaldo Caiado marca 4%, Romeu Zema 2,5%, A\u00e9cio Neves e Renan Santos 2% cada, Augusto Cury 1,5% e os demais percentuais residuais. O dado decisivo est\u00e1 no fato de que, somadas, as candidaturas oposicionistas ultrapassam o campo bolsonarista puro e demonstram a exist\u00eancia de um eleitorado anti-Lula maior do que o voto individual de qualquer nome da direita.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/07\/7457153-pesquisa-meio-ideia-lula-lidera-cenarios-para-as-eleicoes-de-2026.html\"><strong>Lula lidera todos cen\u00e1rios para as elei\u00e7\u00f5es de 2026<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O analista pol\u00edtico mineiro Roberto Reis, especialista em cen\u00e1rios eleitorais, destaca o padr\u00e3o dos demais levantamentos nacionais do per\u00edodo. No AtlasIntel\/Bloomberg do fim de junho, Lula tinha 46,3% no cen\u00e1rio de primeiro turno, enquanto a soma dos advers\u00e1rios chegava a 50,3%; no Datafolha, 41% a 48%; no BTG\/Nexus, 42% a 49%; no Quaest, 39% a 42%; no Real Time Big Data, 38% a 53%. N\u00e3o \u00e9 mais um detalhe estat\u00edstico, mas uma tend\u00eancia que se consolida: a oposi\u00e7\u00e3o, desunida, n\u00e3o consegue transformar esse excedente em candidatura hegem\u00f4nica, por\u00e9m o lulismo j\u00e1 n\u00e3o consegue monopolizar o eleitorado &#8220;anti-Bolsonaro&#8221; como fez em 2022.<\/p>\n<p>Por isso, o presidente Lula continua favorito, mas seu desempenho est\u00e1 estagnado. A pesquisa Meio\/Ideia mostra como esse equil\u00edbrio \u00e9 mais fr\u00e1gil do que parece. No segundo turno contra Fl\u00e1vio Bolsonaro, Lula vence por 45% a 40%, com 10,5% de branco\/nulo e 4,5% de indecisos. \u00c9 vantagem real, mas curta para quem ainda disp\u00f5e da m\u00e1quina, do Nordeste e da lembran\u00e7a de ter derrotado o bolsonarismo cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p><strong>Sem uma onda<\/strong><\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que esse placar circunscreve a pr\u00f3pria expectativa de poder de Lula, o que complica a articula\u00e7\u00e3o dos palanques regionais. Na s\u00e9rie hist\u00f3rica do instituto, Lula oscilou de 46,2% em janeiro para 45% agora, enquanto Fl\u00e1vio saiu de 36% para 40%, sinal de que a disputa se estreitou e de que o senador, mesmo com todas as limita\u00e7\u00f5es, mant\u00e9m capacidade de reten\u00e7\u00e3o do eleitorado de direita.<\/p>\n<p>Entre os homens, Fl\u00e1vio vence Lula por 46,3% a 39,2%; entre os jovens de 16 a 24 anos, por 45,7% a 33,3%; no Norte, por 49,2% a 33,6%; no Sul, por 54,1% a 16,8%; entre evang\u00e9licos, por 61,1% a 18,7%; e entre quem ganha mais de cinco sal\u00e1rios-m\u00ednimos, por 47,9% a 37,6%. Lula compensa isso com ampla vantagem entre mulheres \u2014 50,4% a 34,2% \u2014, no Nordeste \u2014 62,7% a 24,7% \u2014, entre cat\u00f3licos \u2014 55,2% a 31,9% \u2014 e sobretudo na base de renda at\u00e9 um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, onde lidera por 58,8% a 28,4%.<\/p>\n<p>Esse mapa confirma que Lula segue forte onde o lulismo historicamente sempre foi forte: mulheres, baixa renda, Nordeste e segmentos religiosos n\u00e3o evang\u00e9licos. Mas tamb\u00e9m que esse capital n\u00e3o basta, por si s\u00f3, para produzir uma onda vitoriosa. H\u00e1 um teto vis\u00edvel. Lula est\u00e1 estacionado. E a elei\u00e7\u00e3o de 2026, como sugerem as pesquisas, pode deixar de ser um plebiscito sobre o bolsonarismo e se transformar num referendo sobre a capacidade \u2014 ou incapacidade \u2014 de o presidente tecer uma ampla coaliz\u00e3o social, que atraia as alian\u00e7as pol\u00edticas locais.<\/p>\n<p>\u00c9 um cen\u00e1rio esquisito. A direita brasileira chega \u00e0 conven\u00e7\u00e3o eleitoral fragmentada e capenga. Fl\u00e1vio tem recall e m\u00e1quina digital, mas enfrenta resist\u00eancias internas e uma campanha err\u00e1tica. Caiado tem experi\u00eancia, mas dificuldade de capilaridade. Zema perdeu centralidade. Renan Santos tem energia, mas pouco tempo de TV e pouca estrutura.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/07\/7457912-crise-na-campanha-de-flavio-bolsonaro-cresce-antes-das-convencoes.html\">Crise na campanha de Fl\u00e1vio Bolsonaro cresce antes das conven\u00e7\u00f5es<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Michelle Bolsonaro aparece como um ativo poderoso, mas n\u00e3o consensual. No primeiro turno, em cen\u00e1rio com seu nome, Lula marca 40,4% e ela 29,4%; no segundo turno, o presidente venceria por 45% a 36%. O maior equ\u00edvoco para Lula ser\u00e1 interpretar a fragmenta\u00e7\u00e3o advers\u00e1ria como irrevers\u00edvel. Se o Planalto concluir que a direita, por estar dividida, est\u00e1 condenada \u00e0 derrota, cometer\u00e1 talvez o erro mais grave da campanha. A oposi\u00e7\u00e3o ainda pode se reorganizar no segundo turno.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: <\/em>todas as colunas diariamente no\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Lula continua favorito, mas seu desempenho est\u00e1 estagnado. 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