Tão longe, tão perto

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A presidente Dilma Rousseff não sabe ainda se vai à comemoração do aniversário do PT, amanhã, no Rio. Ainda não digeriu as críticas do partido à política econômica e à reforma da Previdência. Elas se intensificaram após o acordo com o PSDB para aprovar a emenda do senador tucano José Serra que altera o regime de partilha do pré-sal, desobrigando a Petrobras de entrar em todos os negócios com 30% do capital.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será a estrela da festa, como sempre, mas desta vez a comemoração servirá de desagravo aos ataques que sofre da oposição e ao fato de ser investigado pela Operação Lava-Jato. A cúpula petista pretende também anunciar um programa econômico alternativo, cujo eixo é a utilização das reservas internacionais do país para a retomada do crescimento. Na situação atual, depois de sucessivos rebaixamentos das notas de crédito do país pelas agências de risco, queimar as reservas pode representar um desastre total.

Dilma viaja hoje para o Chile e pensa em esticar a viagem para não comparecer ao evento de sábado. Se isso de fato ocorrer, será o segundo recado de que se dispõe a romper com o PT caso o partido não apoie o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. O primeiro foi se recusar a participar do programa do PT que foi ao na terça-feira à noite.

Mas entre o céu e a terra, há muito mais do que o Aerolula, no qual viajará. Os procuradores da Lava-Jato investigam se o operador Zwi Skornicki depositou US$ 4,5 milhões na conta de Santana na Suíça a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, para quitar despesas de campanha eleitoral. Suspeitam que a propina tenha saído da plataforma P-52 da estatal ou de sondas do pré-sal contratadas do estaleiro Keppel Fels, representado por Skornicki.

Luiz Carlos Azedo

Jornalista

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