{"id":9453,"date":"2018-01-03T11:12:32","date_gmt":"2018-01-03T13:12:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9453"},"modified":"2018-01-03T12:06:00","modified_gmt":"2018-01-03T14:06:00","slug":"carta-de-los-anos-2070","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/carta-de-los-anos-2070\/","title":{"rendered":"Carta de los a\u00f1os 2070"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<br \/>\ncolunadoaricunha@gmail.com;<br \/>\ncom Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<figure id=\"attachment_9456\" aria-describedby=\"caption-attachment-9456\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9456 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14.jpg\" alt=\"Charge: willianbeckmann.blogspot.com.br\" width=\"1600\" height=\"1170\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14.jpg 1600w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-300x219.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-768x562.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-1024x749.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-350x256.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-1440x1053.jpg 1440w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-550x402.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/14-230x168.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9456\" class=\"wp-caption-text\">Charge: willianbeckmann.blogspot.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Um texto, sem assinatura, de 16 anos, publicado na revista Cronicas de Los Tiempos, traz a realidade esperada pela neglig\u00eancia humana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nascentes e ao mau uso da \u00e1gua. Uma inspira\u00e7\u00e3o para os cientistas, especialistas e l\u00edderes espirituais que se re\u00fanem em Bras\u00edlia, em janeiro, para discutir o desmatamento, n\u00edveis de chuva, aumento do consumo h\u00eddrico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c1guas pela Paz espera que o Brasil lance uma alian\u00e7a global pela conserva\u00e7\u00e3o e uso consciente da \u00e1gua no planeta. A simplicidade do texto da Carta dos anos 2070 assusta pela forma cristalina como retrata a realidade e ao mesmo tempo mostra que, se nada for feito agora, depois ser\u00e1 tarde demais. Segue o texto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAno 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha apar\u00eancia \u00e9 de algu\u00e9m com 85. Tenho s\u00e9rios problemas renais porque bebo muito pouca \u00e1gua. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas \u00e1rvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro&#8230; Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabe\u00e7a para a manter limpa sem \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes, o meu pai lavava o carro com a \u00e1gua que sa\u00eda de uma mangueira. Hoje, os meninos n\u00e3o acreditam que a \u00e1gua se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos an\u00fancios que diziam \u201cCuida da \u00e1gua\u201d, s\u00f3 que ningu\u00e9m lhes ligava \u2014 pens\u00e1vamos que a \u00e1gua jamais poderia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqu\u00edferos est\u00e3o irreversivelmente contaminados ou esgotados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes, a quantidade de \u00e1gua indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje s\u00f3 posso beber meio copo. A roupa \u00e9 descart\u00e1vel, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo, e tivemos que voltar a usar os po\u00e7os s\u00e9pticos (fossas) como no s\u00e9culo passado, j\u00e1 que as redes de esgoto n\u00e3o se usam por falta de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A apar\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidrata\u00e7\u00e3o, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que j\u00e1 n\u00e3o tem a capa de oz\u00f4nio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ind\u00fastria est\u00e1 paralisada e o desemprego \u00e9 dram\u00e1tico. As f\u00e1bricas dessalinizadoras s\u00e3o a principal fonte de emprego e pagam-nos em \u00e1gua pot\u00e1vel os sal\u00e1rios. Os assaltos por um bid\u00e3o de \u00e1gua s\u00e3o comuns nas ruas desertas. A comida \u00e9 80% sint\u00e9tica. Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos est\u00e1 como se tivesse 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os cientistas investigam, mas n\u00e3o parece haver solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. N\u00e3o se pode fabricar \u00e1gua, o oxig\u00eanio tamb\u00e9m est\u00e1 degradado por falta de \u00e1rvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gera\u00e7\u00f5es. Alterou-se tamb\u00e9m a morfologia dos espermatozoides de muitos indiv\u00edduos e como consequ\u00eancia h\u00e1 muitos meninos com insufici\u00eancias, muta\u00e7\u00f5es e deforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137m\u00b3 por dia por habitante adulto). As pessoas que n\u00e3o podem pagar s\u00e3o retiradas das \u201czonas ventiladas\u201d. Estas est\u00e3o dotadas de gigantescos pulm\u00f5es mec\u00e2nicos que funcionam \u00e0 energia solar. Embora n\u00e3o sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade m\u00e9dia \u00e9 de 35 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em alguns pa\u00edses existem manchas de vegeta\u00e7\u00e3o normalmente perto de um rio, que \u00e9 fortemente vigiado pelo Ex\u00e9rcito. A \u00e1gua tornou-se num tesouro muito cobi\u00e7ado \u2014 mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui n\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvores, porque quase nunca chove, e quando se registra precipita\u00e7\u00e3o, \u00e9 chuva \u00e1cida. As esta\u00e7\u00f5es do ano t\u00eam sido severamente alteradas pelos testes at\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Advertiam-nos que dever\u00edamos cuidar do meio ambiente e ningu\u00e9m fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo como bonito eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agrad\u00e1vel que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a \u00e1gua que quisesse, o saud\u00e1vel que era a gente, e ela pergunta-me: \u201cPap\u00e1! Por que se acabou a \u00e1gua?\u201d Ent\u00e3o, sinto um n\u00f3 na garganta; n\u00e3o deixo de me sentir culpado, porque perten\u00e7o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente n\u00e3o levamos em conta tantos avisos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora os nossos filhos pagam um pre\u00e7o alto e, sinceramente, creio que a vida na terra j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel dentro de muito pouco tempo porque a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente chegou a um ponto irrevers\u00edvel. Como gostaria voltar atr\u00e1s e fazer com que toda a humanidade compreendesse isso, quando ainda pod\u00edamos fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><em><br \/>\n\u201cComo podeis v\u00f3s comprar ou vender o c\u00e9u, o calor, a terra? A Ideia nos parece estranha. Se n\u00f3s possu\u00edmos a frescura do ar e os espelhamentos da \u00e1gua, de que maneira poder\u00e1 V. Excia. compr\u00e1-los?\u201d<br \/>\n<\/em><strong><br \/>\n<\/strong>Chefe Seatle<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nMuito justa, neste momento, \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o do sr. Vasco Viana\u00a0de Andrade para a diretoria da Novacap. \u00c9 merecimento, \u00e9 pagamento ao valor de um excelente t\u00e9cnico da equipe arrebanhada pelo sr. Juscelino Kubitschek para a constru\u00e7\u00e3o\u00a0de Bras\u00edlia (<strong>Publicado em 11\/10\/1961<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil \u00a0 \u00a0 \u00a0 Um texto, sem assinatura, de 16 anos, publicado na revista Cronicas de Los Tiempos, traz a realidade esperada pela neglig\u00eancia humana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nascentes e ao mau uso da \u00e1gua. 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