{"id":9264,"date":"2017-12-08T03:48:02","date_gmt":"2017-12-08T05:48:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9264"},"modified":"2018-10-20T12:09:32","modified_gmt":"2018-10-20T15:09:32","slug":"o-tempo-passou-na-janela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-tempo-passou-na-janela\/","title":{"rendered":"O tempo passou na janela"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<br \/>\ncolunadoaricunha@gmail.com;<br \/>\ncom Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>Quem observa com aten\u00e7\u00e3o antigas fotos em preto e branco, tiradas h\u00e1 pouco mais de meio s\u00e9culo, mostrando cenas das nossas principais capitais, de ruas, avenidas, parques e centros de com\u00e9rcio, nota, logo de sa\u00edda, uma diferen\u00e7a significativa e que ilustra um fato bem preocupante: como eram bonitas e organizadas nossas metr\u00f3poles, com cada coisa em seu lugar. As principais ruas eram limpas, arborizadas, os pr\u00e9dios bem dispostos, bem cuidados. Os parques exibiam est\u00e1tuas e monumentos intocados, haviam bebedouros, p\u00fablicos espalhados pela cidade. O tr\u00e2nsito flu\u00eda, as pessoas pareciam caber nas ruas. Tudo estava em seu lugar. Nos centros urbanos n\u00e3o se viam lixo, picha\u00e7\u00f5es, parec\u00edamos estar vendo uma outra cidade, de um outro pa\u00eds distante.<\/p>\n<p>Ao apreciar essas imagens e olhando em volta para o que temos agora, o sentimento que prevalece \u00e9 de que, naquela \u00e9poca, hav\u00edamos resolvido grande parte de nossos problemas urbanos atuais. Passado tanto tempo, a pergunta que se imp\u00f5e \u00e9: o que teria ocorrido com nossas principais capitais? Comparando esses mesmos s\u00edtios ontem e hoje, \u00e9 vis\u00edvel a deteriora\u00e7\u00e3o e o envelhecimento precoce de nossos espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Por que esse mesmo fen\u00f4meno n\u00e3o afetou cidades como Paris e Roma, bem mais antigas e t\u00e3o bem conservadas? Nossas principais cidades, simplesmente, envelheceram num ritmo alucinante. \u00c9 certo que o Brasil de 50 anos atr\u00e1s tinha problemas, mas o registro em imagens, gravado no papel, mostra as metr\u00f3poles brasileiras como um lugar outrora apraz\u00edvel e seguro. Mesmo Bras\u00edlia, t\u00e3o nova e moderna, basta um olhar nas fotos captadas nos anos 1960 para se constatar que o passar do tempo maltratou muito a capital do pa\u00eds. As imagens mostram que a Rodovi\u00e1ria central, o Setor Comercial Sul, a W3 e outros endere\u00e7os faziam parte de uma cidade que n\u00e3o existe mais e que foi engolida pelo progresso ligeiro e oportunista.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, esse processo de deteriora\u00e7\u00e3o se acelerou com a entrada de novos personagens no comando da cidade, retaliada entre grupos pol\u00edticos. O que se observa agora \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, com os puxadinhos horrendos tomando conta de tudo. O com\u00e9rcio sobre rodas, caracterizado pelos chamados food trucks, uma inova\u00e7\u00e3o importada \u00e0s pressas dos Estados Unidos, n\u00e3o respeitam canteiros centrais, \u00e1reas verdes, nada. V\u00e3o invadindo cada canto, improvisando um com\u00e9rcio de alimentos que, todos sabemos, n\u00e3o passa pelo crivo da vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Leis, feitas sob encomenda e que beneficiam mais aqueles que as confeccionam do que a popula\u00e7\u00e3o em geral, s\u00e3o produzidas em quantidade, favorecendo todo o tipo de empreendimento. Com isso, a cidade que deveria ser modelo para o mundo vai entrando, pouco a pouco, num processo de decad\u00eancia triste e irrevers\u00edvel, restando apenas lembran\u00e7as gravadas em fotografias em preto e branco e que nos d\u00e3o a certeza de que \u00e9ramos felizes e n\u00e3o sab\u00edamos.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cPa\u00eds subdesenvolvido \u00e9 aquele que importa, como novidade, o que os pa\u00edses desenvolvidos j\u00e1 abandonaram como obsoletos.\u201d<\/p>\n<p>Jaime Lerner, arquiteto e urbanista<\/p>\n<p>Armas<\/p>\n<p>\u00bb Na entrada da Virg\u00ednia, nos EUA, uma placa de boas-vindas diz mais ou menos o seguinte: Aten\u00e7\u00e3o, criminosos \u2014 terroristas. Virg\u00ednia \u00e9 protegida pela mil\u00edcia cidad\u00e3 24 horas por dia, 365 dias por ano. Mais de 200 mil cidad\u00e3os e guardi\u00f5es da paz est\u00e3o treinados e armados legalmente para defenderem-se e proteger os outros contra crimes e viol\u00eancia. Voc\u00ea foi avisado. Resultado. Com uma popula\u00e7\u00e3o de 8,412 milh\u00f5es, em 2016, foram registrados 383 assassinatos, 2.340 estupros, 4.441 roubos e 9.235 assaltos.<\/p>\n<p>Mais um<\/p>\n<p>\u00bb Na Carolina do Norte, a placa \u00e9 mais criativa e mais agressiva. Bem-vindo \u00e0 Carolina do Norte. Nossos habitantes t\u00eam armas escondidas. Se voc\u00ea matar algu\u00e9m, n\u00f3s mataremos voc\u00ea. N\u00f3s temos zero cadeias e 513 cemit\u00e9rios. Aproveite sua estada! Com 10,15 milh\u00f5es de habitantes, na Carolina do Norte houve 517 assassinatos, 2.684 estupros, 8.825 roubos e 22.826 assaltos.<\/p>\n<p>Cariocas<\/p>\n<p>\u00bb No Rio de Janeiro, com 16,7 milh\u00f5es de habitantes foram 4.128 casos de estupros, 6.002 assassinatos, 3.965 roubos e 1.038 assaltos. (Fonte: ondefuiroubado)<\/p>\n<p>Juntos e fortes<\/p>\n<p>\u00bb Sob o comando do governador do Mato Grosso, Pedro Taques, no F\u00f3rum de Governadores foi assinada uma ordem de servi\u00e7o para a compra de medicamentos de alto custo em conjunto. \u201cIsso vai permitir a compra mais barata desses itens, que s\u00e3o importantes em todo o pa\u00eds\u201d, disse Rollemberg. Os governadores vieram a Bras\u00edlia, que sediou o evento.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que militar nunca \u00e9 fixo numa cidade, mas isto, pelo menos, seria uma boa oportunidade, para que todos pudessem ter uma casa pr\u00f3pria. (Publicado em 10\/10\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil Quem observa com aten\u00e7\u00e3o antigas fotos em preto e branco, tiradas h\u00e1 pouco mais de meio s\u00e9culo, mostrando cenas das nossas principais capitais, de ruas, avenidas, parques e centros de com\u00e9rcio, nota, logo de sa\u00edda, uma diferen\u00e7a significativa e que ilustra um fato bem preocupante: como eram bonitas e organizadas nossas metr\u00f3poles, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[33],"class_list":["post-9264","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra","tag-brasil-brasilia-politica-educacao-ari-cunha-mamfil-circecunha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9264"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12503,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9264\/revisions\/12503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}