{"id":9253,"date":"2017-12-03T04:50:45","date_gmt":"2017-12-03T06:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9253"},"modified":"2017-12-04T06:52:01","modified_gmt":"2017-12-04T08:52:01","slug":"deixa-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/deixa-estar\/","title":{"rendered":"Deixa estar"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<br \/>\ncolunadoaricunha@gmail.com;<br \/>\ncom Circe Cunha  e Mamfil<\/p>\n<p>Deixar estar, para ver como fica, parece ser a grande mania nacional, tanto no governo quanto na popula\u00e7\u00e3o em geral. Esse comportamento, desenvolvido entre n\u00f3s ao longo dos s\u00e9culos, foi incorporado \u00e0 nossa cultura de tal forma que n\u00e3o o percebemos como amarra que nos mant\u00e9m presos ao subdesenvolvimento eterno.<br \/>\nExemplo dessa mania nacional pode ser verificado no caso das invas\u00f5es em terras p\u00fablicas. Devagarinho, as ruas v\u00e3o sendo abertas, com luz e \u00e1gua ligadas em tempo recorde. Preparada a infraestrutura b\u00e1sica, as casas s\u00e3o erguidas, cobertas e muradas, Em pouco tempo se tem a consolida\u00e7\u00e3o de um enorme bairro, constru\u00eddo e firmado bem debaixo do nariz das autoridades.  Estabelecida a realidade de fato, resta ao governo legalizar o empreendimento, mesmo contrariando recomenda\u00e7\u00f5es expressas e tardias dos \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos e de controle ambiental.<br \/>\nEssa tem sido pr\u00e1tica t\u00e3o comum na capital que, por sua efic\u00e1cia, tem perdurado por d\u00e9cadas. O mesmo ocorre nas \u00e1reas centrais da cidade, onde as invas\u00f5es, disfar\u00e7adas de puxadinhos providenciais, v\u00e3o tomando conta dos espa\u00e7os abertos, invadindo cal\u00e7adas, marquises cobertas, transformando tudo em uma massa homog\u00eanea e ca\u00f3tica.<br \/>\nA observa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas comerciais de Bras\u00edlia revela uma mostra dessa cultura do \u201cdeixa estar\u201d. Pr\u00e9dios que, normalmente, s\u00f3 teriam uma sobreloja s\u00e3o ocupados por terra\u00e7os e outras constru\u00e7\u00f5es elevadas, tudo diante das autoridades inertes. Ante uma realidade que vai se impondo e se esgueirando pelas beiradas, o governo responde com medidas que visam regularizar essas constru\u00e7\u00f5es, mesmo em flagrante conflito com os par\u00e2metros urban\u00edsticos e t\u00e9cnicos previstos, de forma clara, em leis.<br \/>\nO governo, em acordo com classe pol\u00edtica, corre para tirar proveito dessa situa\u00e7\u00e3o que trar\u00e1 preju\u00edzos futuros, de dif\u00edcil repara\u00e7\u00e3o. Esse parece ser o caso do Projeto de Lei Complementar n\u00ba 110\/2017, enviado pelo Executivo \u00e0 C\u00e2mara Legislativa,  que foi, inclusive, aprovado. Por obras que n\u00e3o observaram os padr\u00f5es estabelecidos pelo Plano Diretor da Cidade, o GDF cobrar\u00e1 taxas extras, chamadas de \u201ccompensa\u00e7\u00e3o urban\u00edstica\u201d.Trata-se aqui de recursos que n\u00e3o trar\u00e3o benef\u00edcios nem repara\u00e7\u00f5es diretas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 cidade e ainda por cima contribuir\u00e3o para a perpetua\u00e7\u00e3o da mania nacional \u201cdo deixa estar, para ver como fica\u201d.<\/p>\n<p>A  frase que n\u00e3o foi pronunciada<br \/>\n\u201cN\u00e3o pise nos outros.\u201d<br \/>\nPlaquinha fincada na grama<\/p>\n<p>W3<br \/>\n\u00bb N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o desd\u00e9m pela W3 continue. Picha\u00e7\u00f5es, marquises sem conserva\u00e7\u00e3o, buracos nas cal\u00e7adas, desn\u00edveis constantes oferecendo perigo aos pedestres. Bras\u00edlia tem p\u00fablico para aproveitar esse espa\u00e7o revitalizado. Imaginem a W3 com com\u00e9rcio funcionando por 24h. Mesas do lado de fora e carros proibidos de circular por ali em hor\u00e1rio marcado. Al\u00e9m dos brasilienses, os turistas ganhariam muito.<\/p>\n<p>Sem<br \/>\n\u00bb Nas entradas das superquadras, perto do Col\u00e9gio Dom Bosco, ao redor dos shoppings, nos setores Comercial Sul e Norte, vagas s\u00e3o criadas pelos motoristas transformando pistas duplas em \u00fanica.<\/p>\n<p>Desse jeito<br \/>\n\u00bb Acad\u00eamico devidamente identificado pela coluna estava com dois professores, p\u00f3s-doutores em transporte. O trio iniciou uma s\u00e9rie de visitas a grandes empresas de transporte urbano. A inten\u00e7\u00e3o era ofertar uma consultoria para otimiza\u00e7\u00e3o de fluxos e rotas, tempos e movimentos, tal como \u00e9 feito nos Estados Unidos e em pa\u00edses da Europa. Inicialmente, a empresa n\u00e3o teria nenhum tipo de desembolso e, uma vez que o estudo fosse realizado, seria cobrado apenas um percentual da economia gerada.<\/p>\n<p>O Brasil<br \/>\n\u00bb Para surpresa dos decanos, nenhuma das empresas visitadas se interessou pelo tema. Conversa vai, conversa vem, um empres\u00e1rio soltou esta: \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o com o custo n\u00e3o chega a esse n\u00edvel n\u00e3o&#8230; \u00c9 mais f\u00e1cil aumentar a tarifa\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o anda<br \/>\n\u00bb Depois de refletir sobre o que foi dito, a pergunta que ficou no ar foi a seguinte: \u201cSer\u00e1 que neste Brasil de tantos arranjos existe espa\u00e7o para efici\u00eancia?\u201d Parece que, no segmento de transporte urbano, n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com efici\u00eancia, e sim com a influ\u00eancia sobre quem controla o pre\u00e7o da tarifa. Ser\u00e1 que esses v\u00edcios v\u00e3o terminar algum dia?<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nSabe-se, agora, que, quando Bras\u00edlia esteve amea\u00e7ada de ficar sem p\u00e3o, j\u00e1 as sacas estavam estocadas na Catedral, e ningu\u00e9m tomou nenhuma provid\u00eancia. Agora, uma particularidade: a farinha de trigo est\u00e1 toda bichada e n\u00e3o foi por ouvir dizer, n\u00e3o. Foi o colunista que constatou, ontem de manh\u00e3, pessoalmente.  (Publicado em 10\/10\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil Deixar estar, para ver como fica, parece ser a grande mania nacional, tanto no governo quanto na popula\u00e7\u00e3o em geral. Esse comportamento, desenvolvido entre n\u00f3s ao longo dos s\u00e9culos, foi incorporado \u00e0 nossa cultura de tal forma que n\u00e3o o percebemos como amarra que nos mant\u00e9m presos ao subdesenvolvimento eterno. 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