{"id":9193,"date":"2017-11-04T02:23:48","date_gmt":"2017-11-04T04:23:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9193"},"modified":"2017-11-14T07:55:47","modified_gmt":"2017-11-14T09:55:47","slug":"velhice-candanga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/velhice-candanga\/","title":{"rendered":"Velhice candanga"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<br \/>\ncolunadoaricunha@gmail.com;<br \/>\ncom Circe Cunha  e Mamfil<\/p>\n<p>         Como se morre de velhice ou de acidente ou de doen\u00e7a, morro, Senhor, de indiferen\u00e7a.\/ Da indiferen\u00e7a deste mundo onde o que se sente e se pensa n\u00e3o tem eco, na aus\u00eancia imensa.\/ Na aus\u00eancia, areia movedi\u00e7a onde se escreve igual senten\u00e7a para o que \u00e9 vencido e o que ven\u00e7a. \/Salva-me, Senhor, do horizonte sem est\u00edmulo ou recompensa onde o amor equivale \u00e0 ofensa. \/De boca amarga e de alma triste sinto a minha pr\u00f3pria presen\u00e7a num c\u00e9u de loucura suspensa. \/J\u00e1 n\u00e3o se morre de velhice nem de acidente nem de doen\u00e7a, mas, Senhor, s\u00f3 de indiferen\u00e7a.<br \/>\nCec\u00edlia Meireles, em &#8216;Poemas (1957)<\/p>\n<p>         Quem costuma caminhar hoje em dia pelas Super Quadras tradicionais de Bras\u00edlia, j\u00e1 se habituou com a presen\u00e7a constante de grupos de enfermeiras e cuidadoras transitando pelo local. Trata-se de uma categoria que at\u00e9 pouco tempo s\u00f3 se via em hospitais e casas de repouso, mas que, de uns tempos para c\u00e1 passaram a se tornar mais vis\u00edveis e constantes.<br \/>\n         De fato, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel constatar que a velhice, chegou enfim para muitos candangos e pioneiros que por aqui desembarcaram na \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o da capital. Em alguns desses endere\u00e7os inclusive foram feitas mudan\u00e7as para se adaptarem aos novos tempos. Alguns apartamentos foram transformados inclusive em mini hospitais com todo o aparato m\u00e9dico para se ter mais conforto.<br \/>\n         Nas \u00e1reas externas rampas de acesso e corrim\u00f5es j\u00e1 aparecem instalados estrategicamente em variados pontos, facilitando a movimenta\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a desses moradores. Obviamente essa \u00e9 uma realidade para poucos, mas que j\u00e1 se instalou no cotidiano do Plano Piloto.         Nas regi\u00f5es administrativas e nas \u00e1reas do entorno ,a realidade n\u00e3o difere do restante do pa\u00eds e \u00e9 cruel. Com ou sem conforto, a realidade \u00e9 que o Distrito Federal caminha a passos largos para , nos pr\u00f3ximos 16 anos , segundo a Codeplan, se tornar uma cidade com as mesmas caracter\u00edsticas t\u00edpicas de pa\u00edses envelhecidos.<br \/>\n         Pelo Censo de 2010 existiam na cidade aproximadamente 200 mil pessoas idosas ou quase 8% da popula\u00e7\u00e3o total daquela \u00e9poca. Em 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), esse n\u00famero j\u00e1 era de 326 mil idosos ou 12,8% da popula\u00e7\u00e3o. Neste contexto \u00e9 poss\u00edvel observar que o crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa tem sido mais do que o dobro (9,8%) do restante do pa\u00eds (4,8%).<br \/>\n         Por outro lado se verifica tamb\u00e9m que o Distrito Federal apresenta ainda a maior expectativa de vida de todo o pa\u00eds, algo em torno de 77, 57 anos de vida em m\u00e9dia, isso l\u00e1 em 2014 .<br \/>\n         Para 2030 a previs\u00e3o do IBGE \u00e9 que se chegue a 80,92 anos para as mulheres e 77,30 para os homens. Dentro dos aspectos sociodemogr\u00e1ficos do envelhecimento no DF, preparado pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e Territ\u00f3rios em conjunto com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios e com a Defensoria P\u00fablica do Distrito Federal \u201cAs mulheres representam 57% da popula\u00e7\u00e3o idosa, chegando a 63% no grupo et\u00e1rio de 80 anos ou mais (IBGE, 2011), refor\u00e7ando o perfil mundial de feminiza\u00e7\u00e3o da velhice, que \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do processo de transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que acompanha o envelhecimento populacional em curso em todo o mundo.          Estat\u00edsticas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) indicam que o n\u00famero de mulheres j\u00e1 supera o de homens em todo o mundo.\u201d Num futuro bem pr\u00f3ximo essa ser\u00e1 tamb\u00e9m a realidade do Brasil.<br \/>\n          No DF a faixa et\u00e1ria com maior quantidade de idosos (31,9%) se situa entre 60 a 64 anos. Segundo a Codeplan a escolaridade de 60,4% desses idosos \u00e9 baixa. Apesar disso, a renda dessa popula\u00e7\u00e3o idosa \u00e9 considerada alta, com mais de cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos. Este fato explica , em parte porque muitos idosos ainda assumem o papel de chefes e provedores de fam\u00edlia. \u201ca ideologia da velhice como decad\u00eancia, doen\u00e7a ou problema, no caso brasileiro, est\u00e1 repleta de contradi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o corresponde ao imenso e crescente espa\u00e7o ocupado pelas pessoas idosas na fam\u00edlia, na economia e em outras inst\u00e2ncias, ainda que isso n\u00e3o fique claro no reconhecimento que a sociedade lhes deve. Tanto \u00e9 assim, que a contribui\u00e7\u00e3o da renda da popula\u00e7\u00e3o idosa na composi\u00e7\u00e3o da renda nacional j\u00e1 constitu\u00eda, em 2003, a expressiva cifra de 30%, tendo os homens aportado 65,2% para o rendimento das fam\u00edlias e as mulheres, 59,6%\u201d,  afirma Maria Cec\u00edlia Minayo, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica.   Contribui tamb\u00e9m para essa realidade o fato de que a Previd\u00eancia social cobre, 77% da popula\u00e7\u00e3o idosa , formada, na sua maioria por  funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais e estaduais aposentados pelos regimes anteriores que contavam com maiores vantagens de o atual. Em todo o Brasil o n\u00famero de pessoas idosas vivendo sozinhas era em 2014 de mais de 6,7 milh\u00f5es, com 40% formado por mulheres.<br \/>\n         O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o do DF acompanha o fen\u00f4meno mundial com a diferen\u00e7a que nos pa\u00edses desenvolvidos esse fato n\u00e3o \u00e9 motivo para grandes preocupa\u00e7\u00f5es do ponto de vista de assist\u00eancia, muito mais organizada, racionalizada e eficaz.<br \/>\nA frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201c A velhice denuncia o fracasso da nossa civiliza\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nSimone de Beauvoir<\/p>\n<p>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA 04\/11\/2017<br \/>\n         N\u00e3o nomeou ningu\u00e9m do PSD Goiano, com medo da repercuss\u00e3o; n\u00e3o nomeou ningu\u00e9m da equipe t\u00e9cnica de Bras\u00edlia, com medo da repress\u00e3o do governador Mauro Borges. Busca um estranho, sem ver que este ter\u00e1 que trazer nova equipe, adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, para depois come\u00e7ar a pensar em governar. (Publicado em 06.10.1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil Como se morre de velhice ou de acidente ou de doen\u00e7a, morro, Senhor, de indiferen\u00e7a.\/ Da indiferen\u00e7a deste mundo onde o que se sente e se pensa n\u00e3o tem eco, na aus\u00eancia imensa.\/ Na aus\u00eancia, areia movedi\u00e7a onde se escreve igual senten\u00e7a para o que \u00e9 vencido e o que ven\u00e7a. \/Salva-me, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[32],"class_list":["post-9193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra","tag-politica-brasil-brasilia-mamfil-ari-cunha-circe-cunha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9194,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193\/revisions\/9194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}