{"id":9129,"date":"2017-10-10T09:40:30","date_gmt":"2017-10-10T12:40:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9129"},"modified":"2017-11-14T07:56:23","modified_gmt":"2017-11-14T09:56:23","slug":"agua-nossa-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/agua-nossa-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"\u00c1gua nossa de cada dia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde 1960<\/p>\n<p>colunadoaricunha@gmail.com<\/p>\n<p>com Circe Cunha \u00a0e Mamfil<\/p>\n<p>De todos os fatores com potenciais para inviabilizar, definitivamente, a exist\u00eancia de uma cidade, como guerra, fome, pestes e outras, nenhum tem maior capacidade devastadora do que a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel. A hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 repleta de exemplos de antigas cidades portentosas que, simplesmente, desapareceram quando as fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel secaram. Ru\u00ednas espalhadas pelos quatro cantos do globo atestam o saber antigo: sem \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 vida. Mesmo dentro dos limites da resili\u00eancia humana, que se traduz pela capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mais severas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ambientais, a falta de \u00e1gua, torna praticamente imposs\u00edvel o funcionamento de uma cidade, principalmente em se tratando de uma grande metr\u00f3pole, como \u00e9 a capital federal.<\/p>\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Lago Parano\u00e1 (idealizado para melhorar os n\u00edveis de umidade do ar e para compor o paisagismo futurista da nova capital)\u00a0 para consumo humano, d\u00e1 uma mostra de que o problema da escassez, antes uma hip\u00f3tese remota, \u00e9 realidade que est\u00e1 entre n\u00f3s, tende a se agravar ainda mais no futuro.<\/p>\n<p>Sob um ponto de vista mais abrangente, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que todos n\u00f3s temos uma parcela significativa de responsabilidade sobre essa trag\u00e9dia: nossa a\u00e7\u00e3o imprevidente no dia a dia, sobre tudo o que se relaciona ao meio ambiente e o respeito que se deve a ele,\u00a0 e a displic\u00eancia e falta de gest\u00e3o para o futuro levaram ao ponto a que chegamos, onde o fornecimento de \u00e1gua tratada passou a ser feito em intervalos intercalados. Acostumados, desde sempre, a consumir a \u00e1gua sem os freios da racionalidade e do comedimento, persistimos ainda nesse costume, como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Ocorre que os tempos s\u00e3o outros. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, sobretudo, as atitudes. Estamos, talvez, diante do maior desafio de todos os anos de Brasil colonizado. Se n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que temos a responsabilidade individual nesse processo, \u00e9 certo, por\u00e9m que nossos dirigentes t\u00eam responsabilidade coletiva por erros e estrat\u00e9gias cometidos ao longo de d\u00e9cadas e acabaram por levar a capital ao impasse atual. O mais preocupante \u00e9 que persiste, nas esferas do Governo do Distrito Federal, a tend\u00eancia de prolongar esses mesmos erros e equ\u00edvocos.<\/p>\n<p>Esse parece ser precisamente o caso da constru\u00e7\u00e3o do Trecho 2, Etapa 1 do Setor habitacional Taquari. Localizado em \u00e1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Planalto Central e Lago Parano\u00e1, o Setor Taquari ser\u00e1 fixado exatamente sobre uma \u00e1rea de recarga de aqu\u00edfero da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Parano\u00e1, num terreno de grande sensibilidade ecol\u00f3gica e com diversas pend\u00eancias ambientais em aberto. A \u00e1rea guarda diversas nascentes da \u00e1gua que abastece o Lago Parano\u00e1. N\u00e3o por outra raz\u00e3o a 3\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a de Defesa do Meio Ambiente e do Patrim\u00f4nio Cultural (Prodema) recomendou a suspens\u00e3o imediata da licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o desse bairro naquele s\u00edtio at\u00e9 que os estudos sobre essa \u00e1rea estejam completos. O que se teme \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de erros que levaram ao epicentro da maior crise h\u00eddrica de nossa curta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cTomar \u00e1gua nos d\u00e1 vida, tomar consci\u00eancia nos dar\u00e1 \u00e1gua.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Campanha do Dema na Semana da \u00c1gua 2016<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Terr\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Todos os servi\u00e7os de meteorologia do DF n\u00e3o foram exatos sobre a pr\u00f3xima temporada de chuvas. Nem as cigarras, nem os sabi\u00e1s, nem o cajueiro. A \u00faltima not\u00edcia que se tem \u00e9 que Ophelia, uma tempestade tropical, come\u00e7a a se formar no Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Visita<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Liderando a equipe que visitou\u00a0 a procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, Deltan Dallagnol foi quem apresentou o balan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es feitas at\u00e9 agora. No material divulgado consta\u00a0 o seguinte: 165 condena\u00e7\u00f5es contra 107 pessoas, totalizando 1.634 anos e sete meses de pris\u00e3o. Os crimes investigados envolvem R$ 6,4 bilh\u00f5es em pagamento de propina.\u00a0 R$ 10,3 bilh\u00f5es desviados da estatal e de outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos envolvidos nos desvios foram recuperados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para resolver I<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb O ent\u00e3o senador Rodrigo Rollemberg entrou recitando poesia na Casa. Aquele vigor se transformou em semblante de extrema preocupa\u00e7\u00e3o, agora como governador. Certo \u00e9 que a press\u00e3o aumenta. Por exemplo, a Associa\u00e7\u00e3o ParkWay Residencial, grupo apartid\u00e1rio em defesa do meio ambiente, quer conversar e resolver quest\u00f5es como: defici\u00eancia nas pol\u00edticas p\u00fablicas, inefici\u00eancia na gest\u00e3o h\u00eddrica e falta de vis\u00e3o integrada do Distrito Federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para resolver II<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Perda de \u00e1reas rurais, inefici\u00eancia na mobilidade urbana, falta de rotina de restaura\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural, falta de plano diretor de arboriza\u00e7\u00e3o urbana e plano distrital de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, projetos de adensamentos populacional, projetos de grande impacto no meio ambiente, \u00e1rea urbana e no s\u00edtio tombado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para resolver III<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Quadro comparativo entre as atuais normas de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo e a Lei de Uso e Ocupa\u00e7\u00e3o do Solo (Luos), Plano de preserva\u00e7\u00e3o do conjunto urban\u00edstico de Bras\u00edlia em choque com a preserva\u00e7\u00e3o real. Enfim, a falta de informa\u00e7\u00f5es, transpar\u00eancia, indefini\u00e7\u00f5es e pend\u00eancias sem respostas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia deixa a comunidade que quer exercer a cidadania, completamente abandonada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Onda de desemprego vir\u00e1 mesmo, se o governo aprovar o novo sal\u00e1rio m\u00ednimo este ano. H\u00e1 uma onda de p\u00e2nico em todas as classes. (Publicado em 6\/10\/1961)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com com Circe Cunha \u00a0e Mamfil De todos os fatores com potenciais para inviabilizar, definitivamente, a exist\u00eancia de uma cidade, como guerra, fome, pestes e outras, nenhum tem maior capacidade devastadora do que a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel. 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