{"id":9050,"date":"2017-09-23T00:05:38","date_gmt":"2017-09-23T03:05:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9050"},"modified":"2017-11-14T07:56:43","modified_gmt":"2017-11-14T09:56:43","slug":"reporteres-a-antiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/reporteres-a-antiga\/","title":{"rendered":"Rep\u00f3rteres \u00e0 antiga"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<\/p>\n<p>colunadoaricunha@gmail.com<\/p>\n<p>com Circe Cunha \u00a0e Mamfil<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo 11 de novembro, completar\u00e1 33 anos o assassinato do jornalista investigativo do Correio Braziliense e da R\u00e1dio Planalto M\u00e1rio Eug\u00eanio. Na \u00e9poca do crime, o pa\u00eds vivia seus \u00faltimos momentos sob o governo militar e a abertura pol\u00edtica, anunciada havia tempo, despontava como certeza no horizonte. O sentimento corrente era de que havia chegado ao fim o per\u00edodo em que a verdade dos fatos era apresentada de acordo com os interesses de grupos poderosos.<\/p>\n<p>Como rep\u00f3rter respons\u00e1vel pela cobertura policial, M\u00e1rio Eug\u00eanio testemunhou, bem de perto, a t\u00eanue fronteira que separa os maus policiais dos criminosos em geral. Era justamente nesse limbo que garimpava as melhores reportagens investigativas da \u00e9poca, fazendo da pr\u00f3pria profiss\u00e3o um ideal de vida, e onde angariou, al\u00e9m de uma legi\u00e3o de admiradores, um sem-n\u00famero de inimigos de morte. Era, literalmente, na corda bamba que M\u00e1rio Eug\u00eanio exercia seu trabalho, oscilando entre agentes da lei e bandidos da mais alta periculosidade.<\/p>\n<p>Quem o conheceu de perto fala de um profissional vaidoso e muito seguro de si, mas que apresentava interiormente uma ang\u00fastia disfar\u00e7ada, pr\u00f3pria daqueles que por conhecer a realidade cruenta de perto e os personagens que desfilam de cada lado da hist\u00f3ria, pressentiam que tamb\u00e9m poderiam vir a se transformar em personagem dos notici\u00e1rios e cr\u00f4nicas policiais.<\/p>\n<p>Naqueles tempos, o trabalho de rep\u00f3rter policial exigia do profissional, dedica\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o integrais. Correr atr\u00e1s da not\u00edcia significava justamente isto: sair da zona de conforto e ir em busca das not\u00edcias. Para um trabalho dessa natureza, as fontes de informa\u00e7\u00f5es seguiam os mesmos modelos empregados pelos policiais, ouvindo testemunhas e informantes, perseguindo suspeitos, fazendo campanas, espreitando e observando.<\/p>\n<p>Seguindo os mesmos procedimentos da pol\u00edcia, os rep\u00f3rteres investigativos buscavam tamb\u00e9m, entre os criminosos, indiv\u00edduos dispostos a relatar fatos vistos e ouvidos em troca de algumas vantagens. Era do contato com esses chamados X9 que muitas pistas relevantes eram levantadas. A diferen\u00e7a entre o policial e o rep\u00f3rter estava apenas no tipo de arma usada. Em \u00faltimo caso, um gravador e a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica. Mas, aconselhado por pessoas pr\u00f3ximas, M\u00e1rio Eug\u00eanio comprou uma arma de fogo que passou a trazer sempre consigo e cujo o \u00fanico tiro foi disparado acidentalmente dentro da reda\u00e7\u00e3o do Correio.<\/p>\n<p>Era um trabalho de risco que muitas vezes colocava o profissional diante das piores situa\u00e7\u00f5es. Quem se aventurava em ser rep\u00f3rter investigativo aprendia logo cedo que o pior tipo de bandido, que poderia aparecer pela frente era aquele que, usando da pr\u00f3pria farda e do distintivo de policial, cometia todo o tipo de crime. Para tipos dessa natureza, sabia-se: n\u00e3o h\u00e1 limites ou ilicitudes que n\u00e3o possam ser praticadas para atingir determinados objetivos.<\/p>\n<p>Foi justamente nessa \u00e1rea de penumbra que separa a lei da ilegalidade que M\u00e1rio Eug\u00eanio topou de frente, quando estava perto de concluir uma reportagem que mostrava a exist\u00eancia de um poderoso grupo de exterm\u00ednio instalado dentro dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a da capital e que reunia policiais civis e militares.<\/p>\n<p>Foram sete tiros de uma arma de ca\u00e7a, pr\u00f3pria para abater elefantes, que atingiram a cabe\u00e7a do rep\u00f3rter por tr\u00e1s, calando a voz do jornalista que apresentava o programa de r\u00e1dio Gog\u00f3 das Sete, famoso e popular naquela ocasi\u00e3o. Calaram a voz do rep\u00f3rter, mas n\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e de outros \u00f3rg\u00e3os de imprensa, que passaram a acompanhar o caso de perto at\u00e9 chegarem ao mandante do crime, identificado como sendo o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Lauro Rieth, e o delegado Ary Sardella, que coordenava a Pol\u00edcia especializada \u00e0 \u00e9poca. Foi gra\u00e7as \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es paralelas efetuadas pelos profissionais do Correio Braziliense que os autores desse crime foram revelados, o que rendeu ao jornal o Pr\u00eamio Esso de Jornalismo em 1985.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cSe voc\u00ea deve, tome cuidado bicho. Vai virar not\u00edcia.\u201d<\/em><\/p>\n<p>M\u00e1rio Eug\u00eanio, apoiado pelo Correio Braziliense<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vai que cola<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Sem cerim\u00f4nia, na Vargem Bonita, em frente \u00e0 padaria, um aventureiro, certo da impunidade, come\u00e7ou um quiosque com jeitinho e, agora, achou melhor alvenaria. Est\u00e1 l\u00e1 a invas\u00e3o para quem quiser ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Terras<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Nota da Comunica\u00e7\u00e3o Social da Terracap esclarece que a Opera\u00e7\u00e3o Sacerdote trata de um ex-diretor e que a solicita\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o foi feita pela pr\u00f3pria ag\u00eancia. A Opera\u00e7\u00e3o Sacerdote come\u00e7ou quando um cidad\u00e3o protocolou um questionamento sobre o Lote n.\u00ba 8 , Conjunto 6, do Setor de Mans\u00f5es Dom Bosco, na regi\u00e3o do Lago Sul. A d\u00favida era se havia o direito de compra. Como o lote n\u00e3o existia, a Dema foi comunicada. Forma simples de desmascarar os grileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estranho<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb O que n\u00e3o deu para entender da nota \u00e9 o aviso de que, no pr\u00f3prio site da Terracap, qualquer cidad\u00e3o pode consultar sobre as ocupa\u00e7\u00f5es irregulares ou presencialmente na \u00e1rea do atendimento. E essa informa\u00e7\u00e3o veio no mesmo par\u00e1grafo de que a empresa adota uma postura r\u00edgida de combate ao parcelamento irregular do solo. Seria mais coerente mapear as \u00e1reas com invas\u00f5es impedidas pela Terracap.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O Departamento de Promo\u00e7\u00f5es dos Di\u00e1rios Associados de Bras\u00edlia vai come\u00e7ar a campanha pelo ajardinamento das quadras de Bras\u00edlia. Ajude como puder. Fa\u00e7a o seu jardim. (Publicado em 5\/10\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com com Circe Cunha \u00a0e Mamfil No pr\u00f3ximo 11 de novembro, completar\u00e1 33 anos o assassinato do jornalista investigativo do Correio Braziliense e da R\u00e1dio Planalto M\u00e1rio Eug\u00eanio. Na \u00e9poca do crime, o pa\u00eds vivia seus \u00faltimos momentos sob o governo militar e a abertura pol\u00edtica, anunciada havia tempo, despontava como certeza no horizonte. 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