{"id":9001,"date":"2017-09-01T03:58:54","date_gmt":"2017-09-01T06:58:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9001"},"modified":"2017-12-14T16:17:24","modified_gmt":"2017-12-14T18:17:24","slug":"des-planejando-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/des-planejando-capital\/","title":{"rendered":"(Des) planejando a capital"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>colunadoaricunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha \u00a0e Mamfil<\/em><\/p>\n<p>Qualquer planejamento urbano e estrat\u00e9gico, minimamente aceit\u00e1vel, visando tornar a cidade, ao menos, funcionando sem maiores problemas, cai por terra quando se tem uma vari\u00e1vel, como o aumento da exponencial popula\u00e7\u00e3o, extrapolando toda e qualquer previs\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de Bras\u00edlia, um s\u00edtio pensado e constru\u00eddo originalmente para ser apenas a sede administrativa do pa\u00eds, o fen\u00f4meno da explos\u00e3o demogr\u00e1fica desenfreada, verificada, sobretudo, a partir dos anos 1990, introduziu um dado inquietante para qualquer planejamento razo\u00e1vel. De todas as vari\u00e1veis poss\u00edveis, capazes de virar as previs\u00f5es de cabe\u00e7a para baixo, a densidade demogr\u00e1fica acelerada \u00e9, talvez, a mais dif\u00edcil de ser ajustada e \u00e9 justamente a que est\u00e1 posta de agora diante do governo local.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 como assentar, digna e adequadamente, tanta gente, disponibilizando infraestrutura sanit\u00e1ria, como \u00e1gua tratada e esgoto, para um contingente em eleva\u00e7\u00e3o permanente. Por outro lado, como dar a essa multid\u00e3o atendimento decente em hospitais e escolas p\u00fablicas? De outro modo, como atender a essa popula\u00e7\u00e3o com transportes decentes e acess\u00edveis?<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como essas, que fariam arrepiar at\u00e9 os mais otimistas dos planejadores, ganham ainda um contorno mais alarmante quando se constata que essa revolu\u00e7\u00e3o humana, que acontece com a capital de todos os brasileiros, ocorre justamente durante a maior crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social experimentada em toda a hist\u00f3ria desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), d\u00e3o conta de que a capital tem 3 milh\u00f5es de habitantes. Trata-se de um n\u00famero assustador, se comparado com o que acreditavam os idealizadores da nova capital. Se for somada a esse n\u00famero a popula\u00e7\u00e3o residente na \u00e1rea do Entorno, a quantidade de gente habitando, o que seria a grande Bras\u00edlia, ultrapassa o espantoso 4 milh\u00f5es de moradores, ou oito vezes mais do planejamento feito nos anos 1960.<\/p>\n<p>O que os n\u00fameros revelam \u00e9 que muito mais do que um crescimento demogr\u00e1fico normal e previs\u00edvel, Bras\u00edlia experimenta, nos \u00faltimos anos, um incha\u00e7o sem precedentes. Nesse sentido n\u00e3o \u00e9 demais supor que, a continuar nesse ritmo, em pouqu\u00edssimo tempo, a capital estar\u00e1 imersa no mais absoluto caos e n\u00e3o haver\u00e1 planejamento urbano cient\u00edfico capaz de solucionar tamanho problema.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: o que fazer para que, ao longo do s\u00e9culo 21, Bras\u00edlia permane\u00e7a como a solu\u00e7\u00e3o administrativa do pa\u00eds e n\u00e3o venha se transformar na capital dos problemas nacionais? Os desafios que se apresentam para a capital ser\u00e3o, sem d\u00favida, muito\u00a0 maiores do que aqueles enfrentados por sua constru\u00e7\u00e3o no fim dos anos 1950 e exigir\u00e3o, talvez, tanto ou mais coragem do que os daqueles distantes tempos heroicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cS\u00f3 est\u00e1 preocupado em planejar quem valoriza o tempo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Dona Dita, lendo essa coluna<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Detalhe<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Mais do que a vida sofrida do juiz Rolando Spanholo, da 21\u00aa Vara Federal de Bras\u00edlia, que suspendeu os efeitos de \u201ctodo e qualquer ato administrativo tendente a extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca)\u201d, o que chama a aten\u00e7\u00e3o na not\u00edcia \u00e9 que a Justi\u00e7a s\u00f3 fez alguma coisa sobre o assunto porque um cidad\u00e3o, o Ant\u00f4nio Carlos Fernandes, moveu uma a\u00e7\u00e3o popular. A Justi\u00e7a n\u00e3o atende quem dorme, principalmente, em ber\u00e7o espl\u00eandido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gelatina<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb M\u00e3es preocupadas com a Opera\u00e7\u00e3o Vegas, em que funcion\u00e1rios da Agricultura aceitavam propina foram presos. \u00c9 que uma f\u00e1brica de gelatinas est\u00e1 envolvida no processo, e a sa\u00fade das crian\u00e7as, em perigo. Para conhecimento, a f\u00e1brica \u00e9 a Gelnex.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>P\u00e1gina virada<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Por falar em Vegas, com o mesmo nome, a Pol\u00edcia Federal deflagrou uma opera\u00e7\u00e3o \u2014 Vegas e Monte Carlo \u2014 que provocou uma reviravolta na vida do senador Dem\u00f3stenes Torres, entre 2008 e 2012. O STF anulou as provas e, hoje, o ex-senador est\u00e1 na Procuradoria de Goi\u00e1s. \u00c9 um homem competente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>73 anos<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Hitler nasceu na \u00c1ustria, em Braunau am Inn. Recebeu o t\u00edtulo de cidad\u00e3o honor\u00e1rio em 1938. S\u00f3 73 anos depois, o conselho da cidade resolveu retirar o t\u00edtulo. Gerhard Skiba foi o prefeito que construiu um monumento contra a guerra e o fascismo. \u201cBraunau coloca um sinal\u201d \u00e9 a t\u00edmida campanha que chama a aten\u00e7\u00e3o do mundo pela paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No dia seguinte<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Por falar em \u00c1ustria, vale lembrar a fala de Arnold Schwarzenegger, governador da Calif\u00f3rnia, para o presidente Trump, sobre o nazismo e as pol\u00edticas cegas: \u201cTenho uma mensagem para os neonazistas, para os nacionalistas brancos e os neoconfederados. Seus her\u00f3is fracassaram. Eu cresci cercado por homens quebrados, homens que chegaram em casa cheios de estilha\u00e7os, cobertos de culpa. Homens que foram induzidos ao erro por uma ideologia perdedora. Eu posso dizer: esses fantasmas que voc\u00eas idolatram passaram o resto de suas vidas vivendo em vergonha e agora est\u00e3o descansando no inferno\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>George Homer, que foi o terceiro homem a se instalar na Cidade Livre, viajava outro dia para sua ch\u00e1cara, no caminho de An\u00e1polis. Sua Rural 61 engui\u00e7ou. Procurou, por todos os meios, consertar o carro, e como n\u00e3o conseguia, deu sinal para um jipe, pedindo socorro. Era o dono de uma ret\u00edfica em An\u00e1polis, que parou prontamente e o atendeu. (Publicado em 7\/7\/1961)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com com Circe Cunha \u00a0e Mamfil Qualquer planejamento urbano e estrat\u00e9gico, minimamente aceit\u00e1vel, visando tornar a cidade, ao menos, funcionando sem maiores problemas, cai por terra quando se tem uma vari\u00e1vel, como o aumento da exponencial popula\u00e7\u00e3o, extrapolando toda e qualquer previs\u00e3o. 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