{"id":8789,"date":"2017-05-31T03:32:27","date_gmt":"2017-05-31T06:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8789"},"modified":"2017-06-05T09:38:13","modified_gmt":"2017-06-05T12:38:13","slug":"o-principe-e-o-mendigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-principe-e-o-mendigo\/","title":{"rendered":"O pr\u00edncipe e o mendigo"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<\/p>\n<p><a href=\"mailto:aricunha@dabr.com.br\">aricunha@dabr.com.br<\/a><\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>No cl\u00e1ssico de 1881 \u201cO pr\u00edncipe e o mendigo\u201d , Mark Twain elabora uma est\u00f3ria , perfeitamente fact\u00edvel, da troca de um pr\u00edncipe , por um mendigo, baseada apenas na incr\u00edvel semelhan\u00e7a f\u00edsica que havia entre estes personagens. Para tanto , bastou que ambos trocassem de vestes para que a trama se desenrolasse, enganando todo mundo, inclusive o pr\u00f3prio rei Henrique VIII.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, houve relatos parecidos , com os servi\u00e7os secretos de pa\u00edses da antiga Cortina de Ferro, utilizando s\u00f3sias de altos dirigentes para miss\u00f5es de risco, provando que aspectos circunstanciais ,como a apar\u00eancia f\u00edsica, podem definir a posi\u00e7\u00e3o e o futuro n\u00e3o apenas de pessoas, mas de na\u00e7\u00f5es inteiras. Quanto a isso, os antigos costumavam dizer que o mundo gira como uma roda gigante justamente para alternar indefinidamente as posi\u00e7\u00f5es de cada um neste planeta, colocando no alto hoje, quem esteve, por baixo, ontem e vice-versa.<\/p>\n<p>Apogeu e ru\u00edna, comp\u00f5em lados opostos da mesma moeda, a moeda da vida. Nossa hist\u00f3ria recente, est\u00e1 repleta de casos envolvendo personalidades pol\u00edticas que experimentaram a gl\u00f3ria e a desonra e, em nenhum desses momentos, foram capazes de avaliar e aprender qu\u00e3o f\u00fatil e transit\u00f3rio \u00e9 cada uma dessas fases. Num pa\u00eds em que a injusti\u00e7a e a desigualdade s\u00e3o sentidas pela popula\u00e7\u00e3o desde 1500, n\u00e3o surpreende que nossa elite pol\u00edtica ainda permane\u00e7a alheia e indiferente a realidade em volta, sobretudo quanto as flagrantes diferen\u00e7as com que s\u00e3o tratados pelo Estado, os membros do governo e o restante dos brasileiros.<\/p>\n<p>O caso, revelado agora, do ex-ministro Guido Mantega, que mantinha na Su\u00ed\u00e7a uma conta secreta com U$ 600 mil, prova que , ao chefe geral da pantagru\u00e9lica Receita Federal tudo \u00e9 permitido, inclusive possuir conta milion\u00e1ria no exterior, sem declarar a justi\u00e7a tribut\u00e1ria. Ca\u00eddo em desgra\u00e7a, por conta das m\u00faltiplas dela\u00e7\u00f5es, Mantega come\u00e7a a experimentar o outro lado da moeda, embora, como todos na mesma situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tenha aprendido nada e nem esquecido nada.<\/p>\n<p>Na leva dos cinco milh\u00f5es de refugiados que tiveram que abandonar a S\u00edria as pressas, deixando tudo para tr\u00e1s, estava o artista pl\u00e1stico Abdalla Al Omari. De posse das \u00fanicas armas que domina,\u00a0 Omari come\u00e7ou a pintar a s\u00e9rie \u201cVulnerabilidade\u201d , retratando l\u00edderes mundiais como refugiados comuns, vivenciando as mesmas situa\u00e7\u00f5es de agruras experimentadas pelos migrantes for\u00e7ados. Na s\u00e9rie aparecem em filas gigantescas os presidentes Bashar Al Assad, Nicolas Sarkozy, Donald Trump, Obama, Kim Jong Un e outros, vestindo trajes comuns, sujos e com a express\u00e3o desesperadas de quem n\u00e3o tem para onde ir nem para onde voltar . \u201cQueria imaginar como todos estes l\u00edderes poderosos se veriam cal\u00e7ando nossos sapatos\u201d afirmou o artista, para quem esse trabalho foi uma rea\u00e7\u00e3o pessoal e uma doce vingan\u00e7a, feita com arte.<\/p>\n<p>No Brasil nossa s\u00e9rie Vulnerabilidade \u00e9 retratada ao vivo atrav\u00e9s da presen\u00e7a de ilustres pol\u00edticos colocados a frente do Juiz Moro. Nestas imagens reais, nossas elites pol\u00edticas mais e mais se parecem com aquilo que sempre foram: meliantes comuns postos no banco dos r\u00e9us, n\u00e3o por motivos ideol\u00f3gicos e nobres, mas por raz\u00f5es descritas no C\u00f3digo Penal, C\u00f3digo Civil, Constitui\u00e7\u00e3o, C\u00f3digo Tribut\u00e1rio, Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, Lei de Improbidade Administrativa e outras tantas leis que preveem a conduta il\u00edcita. Nossos pr\u00edncipes ,s\u00e3o\u00a0 na realidade, mendigos comuns, al\u00e7ados ao poder , por obra e desgra\u00e7a\u00a0 de um povo que com o seu voto ainda n\u00e3o teve acesso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<\/p>\n<p>\u201c A na\u00e7\u00e3o \u00e9 conduzida pela ignor\u00e2ncia da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma na\u00e7\u00e3o sem consci\u00eancia protesta contra si pr\u00f3pria.\u201d<\/p>\n<p>Gilberto Angelo Begiato<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Decep\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Auris populi n\u00e3o \u00e9 auris Dei. Assim come\u00e7ou o protesto de um leitor que pede para n\u00e3o ser identificado. Ele comenta o show do Fagner no Ulysses Guimar\u00e3es. Ru\u00eddo e barulho entrecortados por m\u00fasica foi uma sequ\u00eancia de assassinatos. As m\u00fasicas de Belchior foram literalmente executadas, atesta o leitor. O mais interessante de tudo foi a felicidade da plateia. \u201c100% compreens\u00edvel, continua, considerando que vivemos em um pa\u00eds assolado pela incultura e pelo som automotiva. Lament\u00e1vel, ver um criador imolar sua obra t\u00e3o delicada e sens\u00edvel por um punhado de dinheiros e de aplausos.<\/p>\n<p>Conhecimento<\/p>\n<p>A ministra C\u00e1rmen L\u00facia deixar\u00e1 marca importante no Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Apaziguar\u00e1 o processo Judicial Eletr\u00f4nico com a integra\u00e7\u00e3o dos sistemas dos tribunais. A tramita\u00e7\u00e3o dos processos compor\u00e1 um sistema \u00fanico e similar que conversar\u00e1 com o sistema antigo sem a necessidade de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Humanizar<\/p>\n<p>Quem acha que o governo gasta muito com rem\u00e9dios de alto custo deveria ler a carta de Shara Nunes Sampaio, Procuradora da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Assist\u00eancia \u00e0 Fibrose S\u00edstica. M\u00e3e de portador da doen\u00e7a que \u00e9 cr\u00f4nica, Dra. Shara colocou os pingos nos is respondendo a um editorial que criticava a judicializa\u00e7\u00e3o do acesso a sa\u00fade. Ao autor ela aconselhou que deveria se limitar a criticar a roubalheira dos pol\u00edticos, porque essa \u00e9 a raiz da falta de verbas para o sistema de sa\u00fade do pa\u00eds. Diz ainda fechando com o cora\u00e7\u00e3o inconformado:<\/p>\n<p>\u201c\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu entendo! Os doentes n\u00e3o podem pagar por uma mat\u00e9ria que os defenda em um grande jornal do pa\u00eds! Ali\u00e1s eles n\u00e3o conseguem sequer pagar o tratamento!\u201d encerrou a missiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>N\u00e3o houve, entretanto, necessidade de sua interven\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser em alguns casos em que o nervosismo do povo provocava acidentes como desmaios. (Publicado em 28\/09\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL No cl\u00e1ssico de 1881 \u201cO pr\u00edncipe e o mendigo\u201d , Mark Twain elabora uma est\u00f3ria , perfeitamente fact\u00edvel, da troca de um pr\u00edncipe , por um mendigo, baseada apenas na incr\u00edvel semelhan\u00e7a f\u00edsica que havia entre estes personagens. 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