{"id":8690,"date":"2017-04-18T04:48:33","date_gmt":"2017-04-18T07:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8690"},"modified":"2017-04-27T09:51:25","modified_gmt":"2017-04-27T12:51:25","slug":"atualidade-de-nelson-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/atualidade-de-nelson-rodrigues\/","title":{"rendered":"Atualidade de Nelson Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960 \u00bb<\/p>\n<p>jornalista_aricunha@outlook.com<\/p>\n<p>MAMFIL com Circe Cunha<\/p>\n<p>Dinheiro compra tudo, at\u00e9 amor verdadeiro. Transportada para a cena pol\u00edtica em tempos de dela\u00e7\u00f5es, a senten\u00e7a do dramaturgo Nelson Rodrigues adquire atualidade e amplid\u00e3o muito al\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o. Com a deduragem generalizada e propiciada unicamente pelo medo da pol\u00edcia, toda a na\u00e7\u00e3o comprova uma suspeita antiga: no Brasil, o dinheiro compra tudo, inclusive, o pacote fechado contendo os pol\u00edticos, os \u00edndios, o debate eleitoral, os tr\u00eas Poderes, a confec\u00e7\u00e3o das leis e a interpreta\u00e7\u00e3o das mesmas dependendo do cliente.Diante de uma realidade crua como essa, qualquer outro progn\u00f3stico sobre o pa\u00eds do futuro e outras balelas ufanistas caem por terra. N\u00e3o temos futuro algum. Pelo menos como eleitores, cidad\u00e3os e com essa classe de pol\u00edticos, dirigentes e empres\u00e1rios que a\u00ed est\u00e1. Se todos n\u00e3o mudarem, apenas uma certeza permanece: continuaremos na rabeira do mundo civilizado.Bras\u00edlia, com a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, passou a importar todas essas mazelas e, hoje, encontra-se na mesma situa\u00e7\u00e3o de impasse e dilema. N\u00e3o h\u00e1 como prosseguir, dentro do que anseiam as pessoas de bem, com essa classe dirigente nem com o atual modelo gest\u00e3o da coisa p\u00fablica, que permite e facilita a perpetua\u00e7\u00e3o desse flagelo.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 ocorrendo com a sociedade \u00e9 justamente o que j\u00e1 previa o dramaturgo tempos atr\u00e1s: \u201cA bondade brasileira est\u00e1 se deteriorando a cada 15 minutos, aumentando o desgaste de nossa delicadeza\u201d. \u00c9 o que temos assistido, ao vivo, com a maioria dos pol\u00edticos sendo hostilizada ou mesmo amea\u00e7ada de linchamento em p\u00fablico. A revolta n\u00e3o \u00e9 preventiva. Os votos provam isso.Nossa classe dirigente se encontra, literalmente, em palpos de aranha. Fosse vivo hoje, Nelson Rodrigues experimentaria frustra\u00e7\u00e3o sem par, ao verificar que a realidade do dia a dia tem se mostrado, extremamente, mais imaginosa do que qualquer fic\u00e7\u00e3o. Os apelidos atribu\u00eddos a cada um dos atores dessa pantomima revelam o quanto de fic\u00e7\u00e3o e surrealismo existe em nosso modelo de democracia. At\u00e9 mesmo a atua\u00e7\u00e3o c\u00e9lere do juiz S\u00e9rgio Moro, buscando desinfetar o pa\u00eds, remete ao nome dado \u00e0 opera\u00e7\u00e3o policial.\u201cEu me nego a acreditar que um pol\u00edtico, mesmo o mais doce pol\u00edtico, tenha senso moral\u201d, diagnosticava Nelson Rodrigues, para quem o subdesenvolvimento se resumia \u00e0 quest\u00e3o profissional, j\u00e1 que alguns vivem \u00e0s custas dessa \u201cgenerosa abund\u00e2ncia\u201d. A tentativa de for\u00e7ar, agora, a reforma pol\u00edtica visando, entre outras excresc\u00eancias, anistiar a todos, tamb\u00e9m foi observada de antem\u00e3o pelo autor de A vida como ela \u00e9, quando afirmou: \u201cExistem situa\u00e7\u00f5es em que at\u00e9 os idiotas perdem a mod\u00e9stia\u201d.<\/p>\n<p>O que todos estamos presenciando neste momento \u00e9, no antigo dizer do escritor, \u00e0 \u201cmulticolorida variedade dos vigaristas\u201d. Nossos modelos de gest\u00e3o p\u00fablica, previa o dramaturgo, \u201ctrabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo\u201d. At\u00e9 o odioso \u201cn\u00f3s contra eles\u201d, t\u00e3o comum em tempos recentes, fez sucesso por que naquela ocasi\u00e3o \u201co sujeito preferia que lhe xingassem a m\u00e3e e n\u00e3o o chamassem de reacion\u00e1rio\u201d.A repeti\u00e7\u00e3o dos mesmos nomes, elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o, enganando a popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas, tem justificativa singela em Nelson Rodrigues: \u201cA burrice \u00e9 eterna\u201d. Para o escritor, a explica\u00e7\u00e3o para a realidade ontem, hoje e sempre \u00e9 que \u201cn\u00e3o se faz literatura, pol\u00edtica e futebol com bons sentimentos\u201d, j\u00e1 que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada que fazer pelo ser humano: o homem j\u00e1 fracassou\u201d.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cO sorriso do Sr. Odebrecht durante a dela\u00e7\u00e3o premiada significa que o crime (ainda) compensa.\u201d<\/p>\n<p>Qualquer telespectador atento<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Por essa e por outras \u00e9 que precisa ter algu\u00e9m no DCT, que o dirija mesmo, como seria o caso do coronel Dagoberto. (Publicada em 26\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 \u00bb jornalista_aricunha@outlook.com MAMFIL com Circe Cunha Dinheiro compra tudo, at\u00e9 amor verdadeiro. 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