{"id":8449,"date":"2017-01-12T08:10:49","date_gmt":"2017-01-12T10:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8449"},"modified":"2017-02-06T10:25:38","modified_gmt":"2017-02-06T12:25:38","slug":"racionamento-por-falta-de-planejamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/racionamento-por-falta-de-planejamento\/","title":{"rendered":"Racionamento por falta de planejamento"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>jornalista_aricunha@outlook.com<\/p>\n<p>Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>No fim do ano passado, quando o diretor-presidente da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles, declarou que a popula\u00e7\u00e3o precisava rezar para chover, estavam aparentemente lan\u00e7adas, segundo seu entendimento t\u00e9cnico, todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os reservat\u00f3rios que abastecem a capital com \u00e1gua tratada voltassem aos n\u00edveis normais, evitando, assim, que o racionamento rigoroso fosse decretado pelas autoridades.<\/p>\n<p>Fosse simples assim, bastaria entregar a pasta a algum padre ou pastor, que a situa\u00e7\u00e3o estava resolvida. Bastaria a popula\u00e7\u00e3o sair em prociss\u00e3o pelas ruas, com velas, entoando cantos religiosos ou quem sabe por meio da convoca\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas para a realiza\u00e7\u00e3o de antigos rituais invocando as \u00e1guas do c\u00e9u.<\/p>\n<p>N\u00e3o querendo entrar no m\u00e9rito da efic\u00e1cia desses m\u00e9todos, que t\u00eam explica\u00e7\u00e3o no plano da metaf\u00edsica, o problema diz respeito \u00e0 conflu\u00eancia de um complexo conjunto de causas, muito humanas, que remontam \u00e0 hist\u00f3ria recente de Bras\u00edlia e do Entorno. Anteriormente, as desculpas se resumiam a atribuir aos imponder\u00e1veis caprichos da natureza pela falta de \u00e1gua. Rezar \u00e9 bom e alivia a alma, que n\u00e3o necessita desse tipo de \u00e1gua para viver. A fonte da vida \u00e9 outra.<\/p>\n<p>Obviamente, n\u00e3o cabem \u00e0 Adasa, da qual a popula\u00e7\u00e3o desconhece a exist\u00eancia, todas as responsabilidades pela escassez de \u00e1gua. A parte que lhe diz respeito diretamente vem exatamente do aparelhamento pol\u00edtico imposto pelos governos passados, das ag\u00eancias reguladoras, com a substitui\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos especializados e renomados, por apadrinhados pol\u00edticos, sem qualifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a fun\u00e7\u00e3o. Numa escala de responsabilidades, cabe, primeiramente, \u00e0 classe pol\u00edtica os infort\u00fanios vividos pela popula\u00e7\u00e3o. A transforma\u00e7\u00e3o das terras do DF em moeda de troca pol\u00edtica permitiu que imensas \u00e1reas, muitas, comprovadamente de prote\u00e7\u00e3o ambiental, com importantes nascentes, est\u00e1 em uma das ra\u00edzes do problema.<\/p>\n<p>Com a farra dos loteamentos irregulares, constru\u00eddos da noite para o dia, veio o incha\u00e7o populacional desordenado. Uma vez estabelecidas, as invas\u00f5es eram imediatamente equipadas com redes de \u00e1gua e luz, mesmo antes de qualquer planejamento urbano t\u00e9cnico , consolidando o problema e empurrando a solu\u00e7\u00e3o para um futuro que, agora vemos, chegou com a conta nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>A falta de planejamento de longo prazo e de uma pol\u00edtica permanente de educa\u00e7\u00e3o sobre o uso correto desses recursos finitos vem em seguida. A transforma\u00e7\u00e3o do cerrado em extensas \u00e1reas de monocultura para a exporta\u00e7\u00e3o, com a destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, ao destruir o ecossistema da regi\u00e3o, considerado o ber\u00e7o das \u00e1guas, fez o resto.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que, ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, nenhuma civiliza\u00e7\u00e3o foi capaz de prosperar e mesmo sobreviver sem os recursos h\u00eddricos necess\u00e1rios e essenciais. Muitas cidades importantes na antiguidade simplesmente foram deixadas para tr\u00e1s, quando a \u00e1gua secou. O exemplo permanece. Portanto, debitar nas contas, j\u00e1 volumosas de Deus e da administra\u00e7\u00e3o celeste, as causas pelo esgotamento h\u00eddrico, n\u00e3o convence, mesmo aos mais cr\u00e9dulos.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201cEsse est\u00e1dio monstrengo \u00e9 a prova de que nunca faltou dinheiro para atender pacientes com dignidade nos hospitais p\u00fablicos. Faltou mesmo foi sensibilidade e humanismo.\u201d<br \/>\nPaciente na emerg\u00eancia do Hran<\/p>\n<p>Notas<br \/>\n\u00bb Sob o argumento de superlota\u00e7\u00e3o, o Hospital do Parano\u00e1 suspendeu, temporariamente, o atendimento a todos os pacientes que procuram a unidade. Essa situa\u00e7\u00e3o inusitada revela e exp\u00f5e a fal\u00eancia da estrutura de sa\u00fade no DF. J\u00e1 o Hran, na madrugada de ontem, tinha enfermeiras e m\u00e9dicos de plant\u00e3o. S\u00f3 que o atendimento na emerg\u00eancia s\u00f3 come\u00e7ou na troca de turno.<\/p>\n<p>SOS nojo<br \/>\n\u00bb Por falar em Hran, no orelh\u00e3o do PS perto da chefia de enfermagem, havia uma cadeira onde algu\u00e9m com diarreia sentou. Com a espuma alta, cada um que sentava ali, para amenizar a exaust\u00e3o da espera, levantava com a surpresa desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Vermelho<br \/>\n\u00bb N\u00e3o \u00e9 de hoje que pacientes que necessitam de atendimento de urg\u00eancia, em todo o DF, s\u00f3 t\u00eam acesso ao interior dos hospitais e, portanto, aos cuidados m\u00e9dicos, se derem entrada nos estabelecimentos, deitados em macas e transportados pelas unidades dos Bombeiros e das ambul\u00e2ncias, de prefer\u00eancia prontos para morrer.<\/p>\n<p>Ver para crer<br \/>\n\u00bb E mesmo quem d\u00e1 entrada \u00e9 atendido de forma prec\u00e1ria. Sem limpeza, sem len\u00e7\u00f3is, sem a menor dignidade. E justi\u00e7a seja feita: falta dignidade para os pacientes e para os que optam por trabalhar sem o m\u00ednimo b\u00e1sico necess\u00e1rio para exercer a profiss\u00e3o. Os m\u00e9dicos enfermeiras, t\u00e9cnicos,  que batem ponto e trabalham, merecem todo o respeito da popula\u00e7\u00e3o. O governador Rollemberg poderia ir a qualquer hospital p\u00fablico de madrugada disfar\u00e7ado, sem estafe. Alguma coisa mudaria.<\/p>\n<p>Realidade<br \/>\n\u00bb Devido a car\u00eancias no setor, as brigadas do Corpo de Bombeiros foram transformadas em servi\u00e7o de atendimento de emerg\u00eancia de sa\u00fade, transportando pacientes de todo o DF para os hospitais depois de um atendimento preliminar. S\u00e3o her\u00f3is que tamb\u00e9m lutam com condi\u00e7\u00f5es que poderiam ser melhores.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nComo n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o, caiu o decreto das corridas de cavalo, e as determina\u00e7\u00f5es sobre o uso de carros oficiais foram desrespeitadas, mas nessa mesma edi\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma carta do chefe da Casa Militar da Presid\u00eancia, general Amaury Kruel, a respeito. (Publicado em 21\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb jornalista_aricunha@outlook.com Circe Cunha e MAMFIL No fim do ano passado, quando o diretor-presidente da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles, declarou que a popula\u00e7\u00e3o precisava rezar para chover, estavam aparentemente lan\u00e7adas, segundo seu entendimento t\u00e9cnico, todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os reservat\u00f3rios que abastecem a capital com \u00e1gua tratada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[49,50,2,52,51],"class_list":["post-8449","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra","tag-agua","tag-ari-cunha","tag-brasilia","tag-cidades","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8449"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8450,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8449\/revisions\/8450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}